Cidades
Sem investimento, rede de esgoto vive � beira de colapso
MARCOS RODRIGUES Repórter A rede de esgotos que liga todos os bairros da zona norte da capital alagoana vive um colapso em suas estruturas de tubos. Depois de 30 anos submerso e exposto aos gases produzidos nas etapas de tratamento, o encanamento com 1,5m de diâmetro tem sofrido constantes avarias. Ao todo a rede afetada tem 5km de extensão e é a principal condutora de esgoto para o emissário submarino, onde os dejetos são tratados e finalmente despejados no mar com o auxílio de bicos injetores. A tubulação não suporta mais a ação corrosiva dos gases em suas paredes. O resultado é a ruptura de pontos na parte superior das estruturas. Como estão a 4,5m de profundidade os efeitos do problema são sentidos, normalmente, na superfície. Quando estão localizadas em baixo de alguma via, visualmente se pode notar o asfalto ceder. Foi o que voltou a acontecer na Avenida Assis Chateaubriand, na semana passada. No trecho próximo à primeira lombada eletrônica (sentido Centro-Praia do Francês), a pista cedeu. Ruptura O principal efeito da ação dos gases é a ruptura dos canos. Depois disso a penetração de terra começa a alterar o fluxo de esgoto que chega ao emissário. Na prática, a condução dos dejetos e sua conseqüente coleta na estação de tratamento final conta com uma caixa de areia para separá-la do esgoto. ?É um processo que já é previsto. Porém, quando a tubulação cede em algum ponto a presença da areia aumenta e pode causar outros transtornos?, explica o chefe de operações da Companhia de Abastecimento d?Água e Saneamento do Estado de Alagoas (Casal), Wallace Padilha. Com 20 anos de empresa, ele diz que o desgaste da tubulação é algo inevitável, e que isso só se resolverá com obras de mudança de toda a rede. ?São obras que envolvem recursos da ordem de R$ 15 milhões que devem ser oriundos da inclusão de emendas ao Orçamento Geral da União?, detalha Padilha. Ele diz que no mês passado o governador Ronaldo Lessa (PDT) solicitou informações técnicas sobre a situação da empresa e de quanto eram os recursos estimados para os investimentos. Os números e os projetos a serem implantados já foram repassados, mas até agora o governo não se posicionou. A única certeza é que, sozinho, o Estado não conseguirá realizar as obras, já que não possui capacidade de endividamento com instituições financiadoras. ### Reparos são paliativos, admite Casal A saída apontada pelo governo para recuperar a rede coletora de esgoto de Maceió é criar uma linha de investimento a partir de recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A instituição oferece financiamento para investir em saneamento em áreas com potencial de desenvolvimento turístico. Isso, entretanto, ainda não foi articulado. No País, os números mostram que os investimentos no setor diminuíram desde 1997. Naquele ano foram investidos R$ 3,4 bilhões, contra 1,3 bilhão em 2004, segundo a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes). Enquanto a solução definitiva não vem, o sistema continua sofrendo a ação do tempo. Na Avenida Assis Chateaubriand a Casal já realizou reparos em quatro pontos diferentes. O trabalho é lento, por conta da profundidade da tubulação. Além disso, para chegar até ela é necessário a drenagem da água infiltrada no solo. O trabalho é todo articulado a partir de colunas metálicas de sustentação. ?São elas que impedem que a parede ceda durante o trabalho de reparo?, diz Wallace Padilha. Ele confirmou que a empresa dispõe nesse momento de material suficiente para realizar as obras de reparo, mas até que ocorram os investimentos eles serão ?paliativos?. Outras áreas Somente este ano a Casal enfrentou problemas semelhantes aos da Assis Chateaubriand e nas avenidas Amélia Rosa (Jatiúca) e Buarque de Macedo (Centro). Os transtornos para pedestres, motoristas e empresários são os mesmos. Na Jatiúca um empresário que preferiu não se identificar criticou as últimas obras realizadas. ?Eles demoraram mais de um mês, impedindo o tráfego nesse trecho. Fiquei prejudicado porque os clientes ficavam sem conseguir chegar na loja?, queixou-se o lojista. No Prado, onde estão concentrados os trabalhos, as maiores vítimas são os moradores. Com a alteração do trânsito o fluxo de veículos passou a ser pela Rua São João. ?A rotina da rua foi alterada. Agora não tem mais silêncio. O cuidado maior é com as crianças. Meu marido colocou até uma grade na porta?, diz a dona-de-casa Izabel Cristina da Silva. |MR