Cidades
Sem-terra marcham contra a corrup��o
FÁTIMA ALMEIDA Repórter Cerca de dois mil manifestantes mobilizados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e movimentos de reforma agrária realizaram, ontem pela manhã, uma marcha contra a corrupção nas ruas de Maceió. O protesto, que contou com a participação de representantes de diversas entidades sindicais e estudantis da capital e do interior, e de lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT), pedia a apuração de todos os atos de corrupção, mas manifestava, também, preocupação com o que chamaram de tentativas de desestabilização do governo Lula. ?Apuração, sim. Golpe não!?, diziam os manifestantes. Os dirigentes dos movimentos sociais destacaram, também, a necessidade de mudança na política econômica do governo Lula, para que sejam priorizadas questões sociais como moradia, educação, saúde, reforma agrária e segurança pública. A marcha saiu da Praça Sinimbu, onde estão acampados militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Comissão Pastoral da Terra (CPT), por volta das 10 horas, percorreu as ruas do centro, com paradas em pontos estratégicos, como as praças dos Martírios, Deodoro e Dom Pedro II, e retornou ao local de origem. Durante as quase duas horas de caminhada o trânsito ficou caótico. A Polícia Militar mobilizou 50 homens para acompanhar a marcha e garantir a ordem no percurso. ?Os problemas no trânsito são inevitáveis, principalmente numa região densa, de fluxo intenso como o centro da cidade?, destacou o major Ataíde, responsável pelo policiamento. Em fila dupla, a marcha contra a corrupção media mais de meio quilômetro, segundo cálculos da polícia. Por volta do meio-dia, as vias foram liberadas e o trânsito começou a voltar ao normal. ### Promessas fazem CPT desocupar praça Os ativistas da reforma agrária que se encontram em Maceió desde o último domingo começam a fazer o caminho de volta para o campo. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) retornou ontem à tarde, com várias reivindicações atendidas. Já os trabalhadores do MST dependem, ainda, do agendamento de algumas audiências, entre elas, com o governador do Estado, para discutir situações dos assentamentos e acampamentos. ?Podemos voltar até amanhã. Depende de alguns encaminhamentos?, diz José Roberto Alves, líder do MST. Ontem pela manhã, eles participaram, juntos, da marcha contra a corrupção, organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), e depois cumpriram alguns compromissos agendados. Os sem-terra da CPT tiveram audiência com a diretoria da Ceal e fizeram doação de sangue. Os do MST entregaram à coordenação técnica do Incra uma pauta renovando antigas reivindicações. ?Queremos também uma audiência com o governador, para uma pauta que vem sendo discutida há três anos?, destacou José Roberto. Entre as reivindicações, estão o início da construção do Centro de Formação dos Sem Terra, em Atalaia; a liberação de recursos para a capacitação de 10 mil assentados e acampados do movimento; aprovação da Escola Itinerante (já no Conselho Estadual de Educação); retomada da construção de 15 casas de farinha nos acampamentos e a construção de creches. As lideranças da CPT tiveram audiência com o governador em exercício Luis Abílio na segunda-feira, e saíram satisfeitas. Com a diretoria da Ceal, a CPT discutiu a eletrificação do assentamento Delmiro Gouveia, em Inhapi, e melhorias na eletrificação dos assentamentos D. Hélder, em Murici, e Jubileu, em São Miguel dos Milagres. Ontem, lideranças do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) também visitaram instituições na capital, entre as quais órgãos da Justiça e do Ministério Público, para entregar um documento pedindo a apuração de atos de violência que, segundo o movimento, teriam sido praticados por um fazendeiro e policiais, na Fazenda Pecuária, em Passo do Camaragibe. |FA