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Embarca��o vira e mata pescador na Barra Nova
A foz da Lagoa Manguaba, em Marechal Deodoro, no ponto em que encontra com o mar, conhecido como Boca da Barra, foi o cenário de uma tragédia envolvendo uma canoa com pescadores, ontem, no início da tarde. Com a força da correnteza, provocada pela vazão da lagoa em direção ao mar, a embarcação com 11 pessoas virou. Um dos homens, Antônio Nascimento de Moraes, foi arrastado pelas ondas, antes de ser alcançado pelos amigos, e morreu. O grupo se encontrava no local em companhia de outros pescadores que estavam numa jangada motorizada. Segundo revelaram os pescadores, a comunicação do acidente ao Corpo de Bombeiros só ocorreu uma hora depois, mas o equipamento do grupo de salvamento não era adequado para o resgate a 2,5km da costa. O resgate do grupo de sobreviventes foi feito por outro barco rebocador que trafegava além dos arrecifes. Os dez sobreviventes foram levados para a Capitania dos Portos, onde foram ouvidos para a instauração de um inquérito marítimo. ### MARCOS RODRIGUES Repórter O grupo de pescadores chegou à Boca da Barra após uma tentativa frustrada de pesca na Lagoa Manguaba. A decisão de ir para o mar, no entanto, não levou em conta os critérios de segurança exigidos. As duas embarcações, uma jangada e uma canoa, ambas a motor, não foram consideradas adequadas pela Capitania dos Portos. Segundo os primeiros levantamentos, elas também não possuíam coletes salva-vidas. Todos esses detalhes constarão do inquérito marítimo que foi instaurado para apurar responsabilidades. Travessia Depois que chegaram ao mar, através da lagoa, os pescadores das duas embarcações tentaram superar a correnteza provocada pela vazão da Manguaba. A jangada, que tinha quatro adultos e três crianças, conseguiu vencer a força das águas. Já a segunda, uma canoa com 5m de cumprimento por 2m de largura, começou a ser arrastada. ?Aí veio uma onda que conseguiu virar o barco e todo mundo foi jogado ao mar. Nesse momento o meu filho saltou da jangada e foi tentar salvar os amigos. Decidi então pedir ajuda?, contou o pescador José Amauri Cirilo. Foi ele quem comunicou o acidente aos bombeiros, ligando do telefone de uma turista que estava na Prainha, na Barra Nova. DESESPERO Em alto-mar os dez homens nadaram por quatro horas. O grupo se apoiava no casco da embarcação que não chegou a afundar totalmente. Uma pequena prancha serviu de apoio para os mais cansados. ?Eu mesmo só me salvei porque me apoiei numa garrafa térmica que continha água e que, por sorte, também flutuava?, disse José Sérgio de Lima Santos. O filho de Amaury, Márcio Amorim Cirilo, foi quem evitou uma tragédia ainda maior, o afogamento de três pessoas. ?Só não consegui chegar no Antônio. Ele afundou antes?, disse. O reencontro na Capitania dos Portos de pai e filho foi emocionante. Depois de um forte abraço, Amaury e Márcio foram ouvidos sobre o acidente. Também foi emocionante o encontro da auxiliar de enfermagem, Josineide Nascimento, com o filho Anderson. Segundo o capitão de Corveta, Carlos Alberto dos Santos, todos devem prestar esclarecimentos. ?É um procedimento padrão que visa apurar responsabilidades e servirá de subsídio para a Justiça comum?, revelou o militar, lembrando que o inquérito será concluído em até 90 dias. ### Angústia e choro na espera por notícias Bleine Oliveira Os moradores da Rua José Marques Ribeiro (antiga Rua dos Pescadores), no Trapiche, vão demorar a esquecer o dia de ontem. Por várias horas eles esperaram notícias dos familiares que estavam na embarcação que afundou no trecho chamado Prainha, em Barra Nova. A angustiante espera terminou em alegria para a maioria das pessoas que aguardavam notícias na entrada da Unidade de Emergência Armando Lages. Mas para a família de Antônio Nascimento de Moraes, 29 anos, a angústia se transformou em dor e lágrimas. Ele foi o único dos 11 ocupantes da canoa que morreu no acidente. A esposa de Antônio, a dona-de-casa Maria de Oliveira Moraes, era uma das mais apreensivas. Por diversas vezes ela chorou, imaginando o que poderia ter ocorrido com o marido que saiu para pescar com os amigos. ?Eles costumavam pescar de rede na lagoa? - disse Maria Candelária da Silva, 40 anos, irmã de José Décio Oliveira dos Santos, que sobreviveu. Experiência Candelária teve que amparar Maria Oliveira que entrou em choque ao receber a notícia de que o marido foi a única vítima fatal. Junto com elas estavam irmãos e amigos de Antônio, todos chocados com o acidente. A canoa pertence ao pescador identificado como Amauri Cerilo. Ele estava com o filho e dois netos na pescaria, o que fez aumentar o desespero de sua esposa que também esperava por notícias na Unidade de Emergência. Bastante aflita, ela não quis falar sobre o que aconteceu e se afastou. Funcionários da UE também aguardaram com expectativa a chegada dos sobreviventes. Havia inclusive uma equipe pronta. Felizmente para os familiares da maioria o que se tinha como uma tragédia acabou não se concretizando. Confirmado que os dez pescadores estavam bem, prestando informações na Capitania dos Portos, em Jaraguá, o grupo se dispersou. Muitos decidiram esperar os sobreviventes em casa e seguiram caminhando aliviados. Outros, ainda aflitos, decidiram seguir de ônibus e bicicleta até a sede da Capitania. ?A gente sofre pelo Antônio, mas temos que agradecer pelos que estão vivos? - disse Candelária, feliz por ter o irmão entre os sobreviventes.