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Sem-teto ocupam mirante em Macei�

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CARLA SERQUEIRA Repórter Desde que a Praça Marechal Floriano Peixoto, em frente ao palácio do governo, começou a ser reformada, há cerca de três meses, um grupo de 30 moradores de rua, entre eles meninos de rua, migrou para um mirante da cidade, no Farol. O local tem como referência a residência do artista plástico Pierre Chalita. Até um fogareiro de tijolos foi instalado no passeio público; e o parapeito serve como varal de roupas. Sem assistência social, os sem-teto, entre eles duas gestantes, dormem nas calçadas e comem o que conseguem de esmolas. Todos eles cheiram cola de sapateiro. ?Queremos sair da rua. Não temos para onde ir e o jeito é ficar por aqui mesmo?, alegou Felipe Lins dos Santos, de 21 anos, dos quais 13 foram vividos fora de casa. Grávida sem saber de quantos meses, R.S., 16 anos, é uma das novas moradoras do mirante. Sua mãe é deficiente física e cuida de seu primeiro filho, com quase dois anos. ?Vim para a rua por causa das amizades que tinha?, diz com o olhar vago, sob o efeito da cola. ?Tenho muita saudade de quando eu estudava. Tenho pena da minha mãe que tem um defeito na perna. Um dia eu vou conseguir sair da rua e cuidar dela e de meu filho?, acredita. O pai do filho de R.S. também é sem-teto e mora no mesmo mirante. Sem nenhum tipo de assistência médica, ela guarda na memória os conselhos que os médicos de uma organização não-governamental lhe deram na primeira gravidez. ?Não posso dar de mamar. O médico disse que o leite se transforma em cola pura?, avisou, dizendo estar com fome. Problema antigo O abandono dos mirantes de Maceió não é novidade. São poucos os que recebem turistas. Com vistas privilegiadas da cidade, em alguns é possível ver, ao mesmo tempo, o mar e a Lagoa Mundaú. A visão do Porto, no Mirante São Gonçalo, também é atração para quem visita a capital. O educador Raimundo Monteiro mora no Farol e costuma freqüentar tanto o mirante ?do Pierre Chalita? como o mirante de Santa Terezinha, ambos próximos à casa dele. ?Falta, principalmente, segurança?, cobra. ?Nunca fui assaltado, mas conheço pessoas que foram vítimas de bandidos enquanto visitavam o mirante do Chalita?, revela. O bairro do Jacintinho também oferece vistas privilegiadas da cidade. Os bairros da Jatiúca, Ponta Verde, Poço, Mangabeiras, Jaraguá são alguns que podem ser vistos dos cerca de três mirantes construídos no bairro. Mas os turistas nunca visitam a região conhecida por ser a mais populosa e uma das mais violentas da cidade. ?Nunca vi turista nenhum por aqui?, diz o vendedor de caldo de cana Amaro Gomes, que há um ano se instalou no mirante próximo a uma emissora de rádio. ?Quem vem para cá mora por aqui mesmo?, afirma ele. O guia de turismo Mauro Moreira trabalha na área há 18 anos. Segundo ele, os mirantes de Maceió eram mais freqüentados no passado. ?O mirante Santa Terezinha foi prejudicado por causa do complexo educacional que se instalou no lugar?, afirma, explicando que os carros estacionados no local dificultam o traslado de turista na região. ?É preciso melhorar a malha viária da cidade para que os turistas possam conhecê-la?, diz ele. ?O Mercado Público e o Centro não são visitados por causa disso. Não há espaço para ônibus de turismo?, conta Mauro. ?Tava nem sabendo? O superintendente Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU), Edinaldo Marques, informou que não sabia da invasão dos sem-teto no mirante. ?Tava nem sabendo disso?, afirmou. ?A sociedade precisa cooperar com as denúncias?, cobrou ele, prometendo que vai encaminhar uma equipe de fiscalização ao local. ?É tanta ocupação irregular na cidade que a gente fica sem condições de fiscalizar tudo?, justificou. Segundo ele, vai agir em parceria com a Secretaria de Ação Social. ?Vamos trabalhar paralelamente. Tem que encontrar um local para este pessoal?, diz, reconhecendo que não adianta tirar os sem-teto sem oferecer abrigo fora das ruas. ### Artesã denuncia falta de segurança Maria Hélia de Souza, 42 anos, vende artesanato no mirante São Gonçalo há mais de 10 anos. É de lá que ela tira o sustento da família e o dinheiro para pagar o aluguel de sua casa, no Vergel. Mãe de duas filhas, ela diz: ?Se não fosse este mirante, eu nem sei como iríamos viver?. Mas reclama da conservação do local que é um cartão-postal da cidade. ?O mato já cobre uma parte da vista?, diz. ?A Ponta Verde já não pode ser vista completamente?. Outra reclamação da ambulante é com relação à falta de banheiros e segurança. ?Este domingo tive que ligar para a polícia por causa de um suspeito?, revela, afirmando que todos os dias, na alta temporada, turistas visitam o local. ?Alguns são obrigados a se meter no mato e usar a encosta como banheiro. É uma situação constrangedora?, diz ela. As estátuas de gesso que enfeitam o mirante também precisam de manutenção. Todas têm os braços arrancados. Cobrança de turista O casal Alexandre e Alessandra Frota é recém-casado e mora em Belo Horizonte, Minas Gerais. Por indicação de amigos, eles escolheram Maceió para passar a lua-de-mel. Ontem, no mirante São Gonçalo, no Farol, eles ficaram encantados com a vista panorâmica da orla. ?É muito bonito?, disseram. Mas cobraram mais atrações urbanas. ?Não precisa nem falar da beleza natural de Maceió, mas sentimos falta de atrativos dentro da cidade?, afirmou Alessandra. Para ela, conhecer a arquitetura da cidade é um dos programas mais esperados.|CS

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