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Sem-terra da cidade brigam por lote

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| MARCOS RODRIGUES Repórter A disputa na Justiça entre famílias alagoanas sem-teto e empresários, em defesa da posse de lotes, vem causando um processo social, que é a aliança entre a luta dos trabalhadores do campo com os da cidade. O símbolo da foice e do martelo é a expressão dessa união, mas andava em desuso. Porém, a disputa do Conjunto Galiléia, no Benedito Bentes, nas últimas três semanas trouxe de volta a máxima. As 101 famílias que começaram o processo sozinhas, apenas com o apoio de um advogado, receberam agora o reforço dos trabalhadores do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), com atuação no campo. Com uma semana de convivência os dois lados já têm um discurso unificado. O que no início era quase um pedido de ajuda, mas com sentimento de resistência, transformou-se numa fala articulada. Tanto que agora os moradores não querem a ajuda das autoridades para evitar o despejo determinado pela Justiça. ?Agora estamos trabalhando pela desapropriação da área, que beneficiará todas as partes envolvidas. A pressão é para que o prefeito faça isso?, revelou Gustavo Barbosa, uma das lideranças do local. Sem-teto da cidade Para o MTL a luta dos moradores do Galiléia se confunde com as do movimento, que já estudava avançar em direção à cidade. ?Eles são os sem-terra da cidade. Inclusive como estão numa área com características rurais, podem plantar assim como nós?, revelou Waldemir Agostinho, coordenador nacional do MTL. Ele não esconde o interesse pelas disputas que têm ocorrido em outras áreas da capital, entre proprietários e invasores. Na semana passada o enfrentamento de 600 famílias, que ocupam uma área pertencente ao antigo Produban, em Guaxuma, também passou a constar da agenda do MTL. ?Nosso movimento não se restringe, apenas, às disputas no campo. Na verdade, defendemos a libertação dos trabalhadores. Por isso onde ocorrer opressão estaremos lá?, garante Waldemir Agostinho, que denuncia já ter sido ameaçado de morte por causa do envolvimento com as questões dos lotes invadidos. O clima entre invasores e proprietários tem uma explicação. O acirramento aconteceu depois que foi aprovado o projeto de lei que visa regularizar a situação dos imóveis da capital. Com isso quem tinha área abandonada ou negociada com construtoras passou a querer dispor dos documentos. Os moradores, por sua vez, também querem garantir o seu espaço. Ambos usam a lei a seu favor. No caso dos invasores a lei do uso capião, é a base para a resistência.

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