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Empresas brigam por lixo hospitalar em AL

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| CARLA SERQUEIRA Repórter Uma audiência pública hoje, às 10 horas, no Instituto do Meio Ambiente (IMA), em Bebedouro, vai dirimir dúvidas sobre o processo de implantação de uma Central de Incineração de lixo hospitalar no Distrito Industrial Luiz Cavalcante, no Tabuleiro do Martins. Com duas licenças concedidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente no ano passado, a empresa Serquip aguarda a aprovação do relatório de impacto ambiental pelo IMA. Caso esteja dentro das normas, a empresa poderá receber a última licença, a de operação, que lhe dará o direito de iniciar os trabalhos. Mas uma segunda empresa está de olho no processo. Desde 1993, a Medsul estuda a possibilidade de implantar o sistema em Maceió. ?Estava em São Luís do Maranhão quando minha esposa me ligou dizendo que outra empresa estava à frente no processo. Quase tive um troço?, disse o proprietário da Medsul, Luiz Marques da Silva. A Medsul existe desde 1991 e atua, a exemplo da Serquip, em vários estados do Nordeste. ?Estou há 12 anos brigando para instalar a incineradora em Maceió. Aí cai esta outra empresa de pára-quedas e consegue as licenças rapidamente? Como pode??, questiona. Área Habitacional Segundo Luiz Marques, sua empresa tentou, em 2002, implantar uma incineradora no Porto de Maceió. ?Queríamos incinerar o lixo do Porto e o IMA negou a licença alegando ser uma área com habitações próximas, além de haver um grande fluxo de carros na região?, explica ele, ?como é que agora, naquela região do Distrito Industrial, onde mora uma grande população ao redor, as licenças são dadas sem problemas pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente??. Para ele, a ilegalidade das licenças dadas à Serquip está no órgão que as concedeu. ?Só um incinerador custa R$ 2 milhões. Mesmo que a empresa trabalhasse 100 anos com o lixo hospitalar de Maceió, não conseguiria lucros. Esta empresa está pensando em incinerar o lixo do Estado inteiro e a Secretaria Municipal não tem competência para licenciar?, observou. A Gazeta tentou ouvir Ricardo Ramalho, secretário municipal do Meio Ambiente, mas seu telefone se encontrava fora da área de serviço. Ontem, o proprietário da Medsul esteve no Ministério Público Estadual e apresentou uma pilha de documentos ao promotor Afrânio Roberto, do Núcleo do Meio Ambiente, que também estará presente na audiência. ?Tenho muitas provas de irregularidades?, afirmou, dizendo que vai apresentar os papéis na reunião. ?Vou pedir, na audiência, para que a documentação seja anexada ao processo de regulamentação da Central de Incineração encabeçado pela Serquip?. A Associação dos Empresários do Distrito Industrial (Adedi) está preocupada com a idéia e tem mobilizado a categoria para impedir a implantação. Na região existem 50 indústrias, empregando cerca de 3.200 pessoas diretamente e 12 mil indiretamente. Na redondeza estão 11 bairros, com uma média de 150 mil habitantes. Um dos sócios da Serquip, Luís Felipe de Almeida Neto, garantiu estar cumprindo todas as exigências técnicas dos órgãos competentes. ?A audiência pública é só mais uma fase do processo. Minha empresa tem equipamentos de alta tecnologia. Há uma redução de resíduos de 97%?, disse. Para conseguir a licença de operação, a Serquip vai ser submetida a ?um teste de queima?, quando será analisada a periculosidade dos resíduos liberados no meio ambiente durante a incineração. De acordo com a Lei Federal 8.666, conforme explicou Luiz Marques da Silva, a licitação para empresas de incineração de lixo hospitalar, por ser um serviço específico e com baixa competitividade, é dispensada. Em Maceió não existe o sistema de incineração, considerado o mais viável para o meio ambiente. ?Trabalhamos com o sistema de compactação do lixo hospitalar que depois é enterrado em Marechal Deodoro?, disse o secretário municipal de Saúde, João Macário. A Cinal, empresa que trata o lixo hospitalar das 64 unidades de saúde da capital, tem contrato firmado até o final deste ano e recebe, por mês, cerca de R$ 4 mil pelo serviço.

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