Cidades
Creche fecha portas por falta de pessoal
REGINA CARVALHO Repórter Creche fechada e 130 crianças sem aula e sem merenda. Esse é o resultado provocado pela demissão de servidores bolsistas por parte da Prefeitura de Maceió. A Escola de Ensino Infantil Hermé Miranda, localizada no Tabuleiro do Martins, fechou as portas na última segunda-feira, pegando as respectivas mães de surpresa. Dos 13 funcionários da escola, nove eram bolsistas e trabalhavam como merendeiras, faxineiras e auxiliares de salas de aula. Sem o trabalho desses funcionários, a direção não tem como atender as 130 crianças de dois a seis anos de idade. ?Elas [bolsistas] dão apoio e sustentação à creche. Com o afastamento dessas funcionárias, não temos como cuidar das crianças?, diz a diretora da instituição, Edna Rodrigues Lemos. Sem a creche para deixar os filhos, as mães buscam alternativas para garantir a sobrevivência delas e dos filhos. Delas porque precisam trabalhar fora e deles porque precisam alimentar, refeição garantida pelas creches. Para trabalhar, a sacoleira Maria das Graças Lima deixava seu filho de cinco anos na creche. ?Sustento meus dois filhos com meu trabalho. Pela manhã tenho que deixar o meu mais novo com o adolescente de 14 anos, também meu filho. À tarde, o jeito é levá-lo comigo ou deixar com vizinhos?, lamentou a sacoleira. Liliana Vieira terá de abandonar o curso de corte e costura, um sonho que esperava há muito tempo realizar. ?Na creche deixava meu filho de três anos, que ficava o dia todo. Eu ficava tranqüila porque sabia que estava sendo bem tratado?, ressaltou a dona-de-casa. Desrespeito A professora Margarida da Silva Santos considerou o afastamento dos bolsistas, que recebiam um salário mínimo, desrespeitosa. ?É uma falta de respeito com as pessoas que trabalham há tantos anos na creche?, declarou. O afastamento dos bolsistas foi determinado pela Procuradoria Regional do Trabalho (PRT) e atingiu 120 pessoas. Setenta deles eram da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e somente souberam que foram demitidos ao tentar sacar o salário no último sábado. Há dez anos trabalhando como cozinheira na escola, Erenilda Pastora da Silva fala da dificuldade de manter as despesas de casa depois da demissão. ?Jogaram a gente fora como se fôssemos apenas um papel. Acho que porque já estamos velhos?, lamentou a bolsista. Maria Jeane dos Santos colocou o filho de 6 anos na creche para poder trabalhar como faxineira. ?Agora estou deixando meu filho com uma vizinha. Foi o único jeito. Ele estava tão bem, acompanhando as aulas e agora parar de estudar no meio do ano. Toda hora meu filho pergunta quando vai voltar para a escola?, ressaltou. Mesmo não trabalhando, Maria Francisca da Silva tinha a escola no Tabuleiro como única alternativa para seu filho estudar. ?Não tenho condições de pagar uma escola particular para meu filho. Ele gosta muito da escola e da alimentação servida, o que nos ajuda muito nas despesas de casa?, lamentou a desempregada. ALTERNATIVA O secretário municipal de Educação Régis Cavalcante reconhece o problema e disse que vai buscar uma alternativa para amenizar a situação das creches e escolas do município. ?Amanhã [hoje] vou me reunir com os bolsistas e tentar encontrar uma saída. O trabalho deles, sem dúvida, é imprescindível?, ressaltou.