Cidades
Marcos Frota traz a Macei� a magia do espet�culo circense
CARLA SERQUEIRA Repórter Muitas surpresas estão escondidas atrás da lona do Grande Circo Popular do Brasil, que estreou ontem, em Maceió. Instalado no estacionamento do Jaraguá, o circo traz, além de palhaços, equilibristas, mágicos, malabaristas, contorcionistas, o ator global Leonardo Vieira, que interpretou Leandro na novela da Globo Senhora do Destino. Ele participa, com os palhaços, de uma sátira ao filme Titanic. Com 19 carretas, 25 trailers, 20 toneladas de lona e uma trupe de 125 pessoas, entre artistas, técnicos, produtores e administradores, além de 12 crianças, o circo fundado pelo ator Marcos Frota, desde janeiro, faz apresentações no Nordeste. Antes de esticar a lona em Maceió, o espetáculo esteve, durante quatro meses, em Recife e Olinda, estando inicialmente em João Pessoa. ?O tempo de permanência do circo nas cidades é determinado pelo público. Se houver espectador, o circo não vai embora?, afirmou o produtor-executivo André Felipe. Teatro, música e dança No espetáculo, todas as atrações se fundem num roteiro teatral. ?Nosso show é focado na questão social. Temos o compromisso com o incentivo da cidadania, principalmente entre as crianças?, explica André Felipe, afirmando que não existem animais no circo. ?Nada contra. Acho que os animais são tradicionais nos circos, mas a nossa atenção está na volorização do ser humano?, diz ele. O Grande Circo Popular do Brasil, comercialmente conhecido como Marcos Frota Circo Show, tem 14 anos de estrada. A cidade de Maceió foi a quarta a receber a caravana. ?Maceió é muito importante na história deste circo?, lembra André. ?Foi aqui que fizemos uma das nossas primeiras apresentações. Maceió, pode-se dizer, é berço deste espetáculo?, comemora. A trilha sonora que permeia as atrações vai do grupo americano Rolling Stones à banda mineira Skank. ?Queremos reaproximar o público jovem. Os mais velhos, como pais e avós, e o público infantil, são garantidos?, diz André Felipe. ?Mas com o advento da Internet e a expansão dos shoppings, a moçada se afastou do circo, e pior, criou preconceito. Muitos sentem vergonha de dizer que estiveram num espetáculo circense?, lamenta, explicando que há cada semana o circo traz um ator global diferente. ?Eles são atraídos pelo artista e quando assistem ao espetáculo, saem maravilhados, encantados?, garante. ### Uma universidade para jovens pobres Desde que foi fundado, o Grande Circo Popular do Brasil sustenta o caráter social. O dinheiro arrecadado com as apresentações paga as despesas com a trupe e o restante é destinado ao Instituto Cultural São Francisco de Assis, entidade que dirige a Universidade Livre do Circo. Os alunos desta universidade, sediada em São Paulo e com núcleos em Fortaleza, Recife e em Porto Alegre, são crianças e jovens de comunidades carentes. Os órfãos da arte circense, idosos que nasceram e dedicaram a vida inteira aos circos mambembes, hoje praticamente extintos, também são amparados pela instituição. ?São pessoas que se viram abandonados depois que os circos populares perderam espaço. Lá na universidade tentamos dar injeções de ânimo para que esses idosos que já divertiram muita gente voltem a brilhar no picadeiro?, conta o produtor-executivo do circo, André Felipe. Em Maceió, segundo André, esta é a boa parte da história da Universidade Livre do Circo. ?Foi aqui que começamos a pensar a universidade?, lembra André Felipe, que é pernambucano. Ele afirma que o professor do Departamento de Artes Cênicas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luís Maurício Brito Cavaleira, também foi fundador da universidade. ?Nos reunimos muito na casa do professor [de História da Arte] Max Lutherman aqui em Maceió, sonhando com a escola de circo?, diz ele. O professor Luís Maurício, segundo André Felipe, faleceu recentemente. Em homenagem a ele, considerado um dos fundadores da Universidade Livre do Circo, o espetáculo leva seu nome. Cerca de 2.400 crianças e jovens estão matriculados na universidade. Não é cobrada nenhuma mensalidade. ?Queremos formar cidadãos usando a arte do circo como meio?, afirma o produtor-executivo. Hoje, 150 ex-alunos trabalham em circos da Europa. Dentre eles, seis compõem o elenco do circo mais famoso do mundo, o canadense Cirque de Soleil. Para André Felipe, inaugurar um núcleo da Universidade Livre do Circo em Alagoas seria uma honra. ?Maceió guarda os primeiros passos da universidade, quando ela ainda estava nas idéias. Seria muito bom se algum grupo empresarial se interessasse em firmar parceria e pudéssemos estender para Alagoas os nossos trabalhos?, diz ele, afirmando que a universidade também atende deficientes físicos.|CS