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�nibus perde espa�o para lancha e trem

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CARLA SERQUEIRA Repórter Para muita gente, a melhor opção de transporte está longe das estradas. É sobre trilhos de trem ou dentro de lanchas que viajam cerca de 7 mil pessoas, todos os dias, rumo a Maceió. São moradores da região metropolitana da capital, de cidades vizinhas como Coqueiro Seco, Santa Luzia e Rio Largo, que trabalham, estudam, fazem compras ou utilizam serviços na capital, como consultas médicas. Com os constantes assaltos nas estradas e as péssimas condições das rodovias, ônibus intermunicipais têm perdido espaço. Usuários acabam pagando menos e viajando com mais segurança. Ocupando margens opostas da Lagoa Mundaú estão as cidades de Coqueiro Seco e Maceió. Por terra, de ônibus, a viagem entre os municípios dura em torno de uma hora. Já a travessia feita em uma lancha, além de mais barata, é mais rápida, segundo os usuários. Amanda Carvalho dos Santos, 14 anos, mora em Coqueiro Seco e estuda em um colégio no Centro de Maceió. Todos os dias, às 6h, ela ocupa uma cadeira dentro da lancha, que faz vinte viagens por dia, cruzando a Lagoa. ?Meus amigos ficam achando que vou para a aula de canoa?, conta, ?eles ficam impressionados porque não me molho na travessia?, diz ela, explicando que há oito anos utiliza o transporte. ?É mais rápido. Em meia hora chego em casa e ainda vou admirando a paisagem?. O ambulante Antônio Rosalvo dos Santos, 50 anos, pai de oito filhos, ganha a vida vendendo frutas nas ruas de Coqueiro Seco. Carregado de banana, ele deixou a capital e seguiu na lancha até a sua cidade natal. ?Não teria como pagar ônibus. Este aqui é o melhor transporte para a gente?, afirma, dizendo que os moradores utilizam a lancha quando querem resolver alguma coisa em Maceió. Dono da embarcação batizada de ?Sara? há mais de 15 anos, Iran Rocha, 35 anos, explica que estudantes têm 50% de desconto na travessia. ?Quem for estudar, só paga metade do preço. Agora, quem quiser comprar o talão com 50 tíquetes tem 10% de desconto e garante a passagem para o mês inteiro?, diz. Cada bilhete custa R$ 2, com direito a belas paisagens da Lagoa Mundaú. De acordo com Rocha, a Capitania dos Portos faz constantes fiscalizações em sua embarcação. ### Seis mil alagoanos utilizam trem todo dia para o trabalho O transporte mais barato da cidade viaja sobre trilhos de ferro. É o trem da Companhia Brasileira de Transportes Urbanos (CBTU) que interliga Maceió aos municípios de Satuba e Rio Largo, percorrendo 32,1 quilômetros entre trechos de mata atlântica, margens da Lagoa Mundaú e povoados ribeirinhos, atendendo mais de seis mil usuários por dia. ?Se não existisse o trem, o pobre não viajava?, frisou a dona-de-casa Maria de Fátima dos Santos, 40 anos, enquanto esperava a locomotiva com o esposo, Laurenilto Caetano da Silva, 39, e mais dois filhos. ?Vim de São Miguel dos Campos e gastei R$ 9 só para chegar até aqui. Se fosse de trem, gastaria R$ 1,50 e com o resto do dinheiro, compraria comida que está faltando em casa?, avaliou. Tendo Rio Largo como destino, a família de Maria de Fátima diz ser divertida a viagem. ?Estamos longe das estradas, dos acidentes e as crianças adoram a janela?. O operador têxtil Cícero José da Silva, 50, mora em Rio Largo, mas prefere fazer as compras de sua residência em Maceió. ?Aqui tem mais opções de produtos?, justifica, afirmando que desde menino utiliza o transporte ferroviário. ?É uma viagem tranqüila e ainda tem belas paisagens no caminho?, diz ele. As senhoras Josefa Maria da Silva, 50, e Sebastiana Amaro dos Santos, 48, moram em Lourenço de Albuquerque, bairro de Rio Largo onde está a última das 15 estações ferroviárias do percurso. A viagem chega a durar duas horas, mas ambas são unânimes quando afirmam ser mais lucrativo seguir de trem. ?De ônibus iríamos gastar R$ 3,00 só para vir. Com esse dinheiro a gente vem e volta e ainda lancha?, alegou Josefa. A taxa cobrada no trem é única e custa R$ 0,50. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) emprega, em Alagoas, 219 pessoas e conta com uma equipe de 26 maquinistas. As viagens são feitas de segunda a sábado. Em breve, 12 carros vão chegar na cidade para melhorar as condições de viagem dos usuários, conforme anunciou o assistente de operações da CBTU, Mauro Nunes. A viagem parte da Estação Ferroviária de Maceió, no centro da cidade, e termina em Rio Largo, após 90 minutos de percurso. Na estrada Para quem precisa ir mais longe e quer evitar o ?pinga-pinga? dos ônibus intermunicipais, a saída são as Bestas e Vans que fazem o chamado ?Transporte Complementar?. Cerca de 760 veículos transportam pessoas regularmente da capital para várias regiões do Estado, e vice-versa. Um dos pontos de partida fica próximo à praia da Avenida. Os destinos são diversos. Severino Luís da Silva Filho, 21 anos, organiza, há um ano e meio, a saída de passageiros da capital para o interior. ?Daqui, sai carro para Delmiro Gouveia, Arapiraca, Batalha, Major Izidoro, Anadia, Atalaia, Piranhas, Penedo, Teotônio Vilela, Porto Real do Colégio e São Miguel dos Campos?, anuncia. Dependendo da distância, as passagens variam de R$ 2,00 a R$ 20. A universitária Thaíse Oliveira, 21, mora em Arapiraca e, todas as semanas, vem cursar Relações Públicas. ?Acho mais rápido ir de van do que pegar um ônibus que pinga em toda cidade?, conta, pontuando outra vantagem. ?Tem o diferencial que as vans nos deixam na porta de casa, apesar de sabermos do risco que corremos?. CS ### Arsal: 30 mil usam transporte irregular Por terra, em torno de 80 mil pessoas trafegam diariamente entre os municípios alagoanos, seja em ônibus, vans ou até em caminhonetes tipo pau-de-arara. Para dar conta da demanda, apenas seis empresas de ônibus intermunicipais são responsáveis pelo transporte rodoviário no Estado. De acordo com o presidente da Agência Reguladora de Serviços do Estado de Alagoas (Arsal), Álvaro Machado, ?Ainda existem cerca de 30 mil pessoas utilizando transportes irregulares, como táxis e caminhonetes adaptadas, sem oferecer segurança nenhuma ao usuário?, afirma. Segundo ele, a pouca oferta das empresas de ônibus acaba deixando brechas no sistema de transporte coletivo. ?Está havendo pouca oferta de transporte por parte das empresas em algumas regiões?, admite, ?é por isso que começa a proliferar o transporte clandestino?, revela, dizendo que o problema não está na quantidade de ônibus, mas sim na regularização do serviço. ?Quanto mais se afasta do centro urbano, a freqüência do serviço diminui e aumenta a incidência do transporte irregular?. E ele ainda diz mais: ?Nunca foi criado um conceito de fiscalizar o transporte em Alagoas. Somente em 2003, houve a assinatura do decreto que regulamenta o transporte complementar?, disse Álvaro Machado.|CS

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