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Fam�lia pede justi�a em morte de garoto

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter ?Eu quero justiça?. A frase repetida por diversas vezes pelo pescador José Augusto dos Santos, 57, não escondia sua dor e indignação pela morte do filho adotivo Handrey Rikelmy dos Santos, de apenas quatro anos, por causa da queda de um muro de arrimo, no último sábado, no povoado de Lagoa Azeda em Jequiá da Praia. Handrey foi enterrado no último domingo, sob um clima de comoção de praticamente todos os moradores do povoado. crianças arrastadas Handrey, mais três netos e outra filha de José Augusto, Claudijane, 22, estavam no quintal de sua casa, por volta das 10h30, do sábado. Máquinas do tipo patrol trabalhavam na recuperação do muro, que acabou ruindo, arrastando as crianças que estavam no quintal. ?O peso da patrol passando deve ter ?afofado? a areia que cedeu e arrastou o muro?, relatou José Augusto. empurrão salvador Handrey ainda conseguiu salvar o pequeno Vítor Timóteo, de 4 anos, dando um empurrão nele quando viu o muro de pedra desmoronar. Claudijane dos Santos e Valdemir Timotéo dos Santos, de 8 anos, foram levados em estado grave para a Unidade de Emergência Armando Lages. Claudijane teve uma grave lesão na perna e Valdemir foi submetido a uma operação, porque uma das pedras atingiu seu tronco. Até ontem de manhã, ele continuava na UTI da Unidade de Emergência Armando Lages. Clima de dor O clima era de dor e desolação na casa de Handrey. A mãe do garoto, Maria Tereza dos Santos, 52, segurava a camisa que ele usava na hora do acidente. E não se conformava com a morte do filho. Ela também se lamentava pela possibilidade de a filha vir a perder uma das pernas, já que as lesões foram graves nas duas pernas da jovem. O outro filho adotivo do casal, José Armando, 8, havia pedido a avó para que não deixasse as crianças saírem naquele dia. Segundo Maria Tereza, o filho está inconformado com a morte do irmão, e culpa os pais pela tragédia. ?Ele não quer vir mais para casa. Ele fica rindo da gente, dizendo que somos culpados pela morte do irmão?, lamenta a mãe de Handrey, Maria Tereza dos Santos. ### Município diz que obra não vai parar O marido de Rosinha Jatobá, prefeita de Jequiá da Praia, Ricardo Santa Rita, informou que ela só deve falar hoje sobre a queda do muro, mas adiantou que a obra de recuperação do quebra-mar não tem ligação com o acidente fatal, que culminou com a morte do menino Handrey. ?O acidente não tem nada a ver com a obra, na verdade foi um pedaço de escada que caiu do quintal vizinho?, afirmou. Ele disse também que as obras não serão paralisadas, até a reposição total do muro. JUSTIÇA O pescador José Augusto responsabiliza o poder público pela tragédia. Segundo ele, há quatro anos o muro de arrimo construído para conter a força do mar vinha caindo. Desde então, os moradores reclamavam providências para resolver o problema. Desde que sofreu um acidente na perna, José Augusto sustenta a família com muita dificuldade. ?Nunca consegui um benefício. Ninguém da minha família teve direito sequer ao bolsa-escola. A única coisa que ainda recebo é o leite?, comentou a mulher de José Augusto. Ao entrar no quarto onde Handrey dormia, o pescador teve uma crise de choro. Handrey chegou para ser criado pela família ainda com poucos dias de vida. ?A gente gosta muito de criança, pretendíamos criar mais uma menina. Só que agora não temos mais força para isso?, lamentava-se Maria Tereza. OUTRO IRMÃO O outro filho do casal, Claudejan dos Santos, a quem Handrey chamava de pai, voltou às pressas de São Miguel dos Campos, onde faz faculdade nos fins de semana, quando soube da tragédia que se abateu na família. Claudejan ensina na Escola Municipal Eustáquio Quintella Cavalcanti, onde Handrey fazia a pré-escola. As aulas na escola foram suspensas ontem. Em frente à escola, encontravam-se paradas as duas máquinas que faziam o trabalho para recuperação no último sábado. RECURSOS O muro de arrimo da escola está sob ameaça de desabamento e está protegido apenas por pedaços de papelão. De acordo com os moradores de Lagoa Azeda, a prefeita vinha alegando que não estava recebendo recursos do Estado para executar a obra de recuperação do muro de arrimo. As obras de recuperação do local seguem normalmente, segundo o município. A Gazeta esteve ontem em Jequiá da Praia, mas durante toda a manhã apenas um vigilante guardava a sede da prefeitura. |FAS

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