Cidades
Pais fazem protesto no quartel do CB
| BLEINE OLIVEIra Repórter Os pais, familiares e amigos do estudante Emerson Luiz Lima de Cerqueira realizarão ato público nesta segunda-feira, 15, quando se completam três anos de sua morte, a partir das 7h30, no portão principal do Corpo de Bombeiros Militar. Estudante de Economia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Emerson morreu no dia 14 de agosto de 2002, aos 21 anos, durante treinamento no curso de formação de soldado do Corpo de Bombeiros Militar (CBM/Alagoas). A morte do estudante resultou em um processo militar no qual o tenente CB Roberto dos Santos e os sargentos José Alexandre Nascimento da Silva e José Nélson da Rocha Menezes respondem por homicídio culposo (sem querer o resultado, o acusado pelo crime deu-lhe causa por imprudência, negligência ou imperícia). O julgamento deles está marcado para os dias 8 e 9 de setembro próximo, no Tribunal Militar, localizado no Fóro Desembargador Jairon Maia, no Barro Duro. Esse é um dos motivos da insatisfação da família de Emerson. Eles vão às ruas protestar contra a decisão da Auditoria Militar que decidiu julgar os acusados por crime culposo. ?Meu filho chorou, implorou por socorro e eles nada fizeram?, disse a mãe do estudante, Jocicleide Lima de Cerqueira. Diferença de penas Para ela, a morte do filho foi dolosa, ou seja, os três acusados quiseram o resultado ou assumiram o risco de produzi-lo. Os manifestantes vão usar faixas e carro de som para demonstrar sua revolta pela decisão da Auditoria. Na acusação de homicídio culposo a pena é de detenção e varia de 1 a 3 anos. Do contrário, ou seja, em crime doloso, a pena é de reclusão e varia de 12 a 30 anos. Nossa luta é por justiça. ?Eles mataram meu filho?, afirma Jocicleide, relembrando depoimentos de alunos-bombeiros que participaram do mesmo treinamento em que ocorreu a morte de Emerson. Ele morreu ao participar de travessia a nado num trecho de 500 metros na Lagoa Mundaú. Segundo testemunhas, Emerson chegou a reclamar que estava passando mal e pediu ajuda. Ao ser retirado de dentro da água, desmaiou, sendo levado à Unidade de Emergência, onde faleceu. A mãe diz que, além de não ajudarem o estudante, o tenente e os sargentos impediram que outros alunos interferissem. Insistindo na acusação de homicídio culposo, a família do estudante decidiu acompanhar o julgamento do tenente Roberto dos Santos e dos sargentos José Alexandre Nascimento da Silva e José Nélson da Rocha Menezes. ?Se eles forem absolvidos, vamos recorrer. Esse crime não pode ficar impune?, afirma Jocicleide Cerqueira.