Cidades
TRE e Ufal tentam atrair alunos para referendo de armas
| FÁTIMA ALMEIDA Repórter Estudantes das universidades públicas e particulares de Alagoas vão colaborar com o processo eleitoral do referendo popular das armas, previsto para 23 de outubro deste ano. Os alunos atuariam como mesários voluntários no dia da votação. O convênio entre o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e as universidades foi assinado ontem pela manhã e vai resultar, na avaliação do presidente do TRE, desembargador Fernando Tourinho, num maior engajamento político dos jovens estudantes e numa maior qualificação do processo eleitoral. O projeto mesário voluntário é uma experiência piloto envolvendo todos os cursos da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), e das particulares Fama, Fal e Cesmac. Até ontem ainda não se tinha a confirmação de participação das duas faculdades estaduais (Uncisal e Funesa). Nas eleições passadas houve um ensaio desse projeto, envolvendo 300 alunos do curso de Direito da Universidade Federal de Alagoas. A perspectiva para este ano é de que participem pelo menos mil estudantes. Engajamento O presidente do TRE ainda não acredita na participação plena dos estudantes para o referendo popular de outubro. ?Esse engajamento exige um trabalho prévio de conscientização. Estamos começando agora, mas o tempo é curto até 23 de outubro. No próximo ano trabalharemos com mais ênfase e pretendemos levar esse projeto, também, para o interior do Estado?, anunciou o desembargador. Tourinho destacou, no entanto, que não pretende abrir mão de outras participações igualmente qualificadas, como profissionais de diversas áreas, nos processos eleitorais presididos pelo TRE. Para a reitora da Ufal, Ana Dayse Dória, essa parceria gera um momento rico, porque o TRE qualifica o processo eleitoral e os estudantes ganham mais uma oportunidade de extensão, exercendo sua cidadania. Incentivo curricular Enquanto o convênio era celebrado, a poucos metros do TRE, reunidos em frente à sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE), na antiga reitoria, alguns universitários não davam muita demonstração de boa vontade em relação ao projeto. Num grupo de seis estudantes, a Gazeta indagou: ?Quem sacrificaria um domingo para atuar, voluntariamente, como mesário num processo eleitoral?? Ninguém se apresentou. ?O que é que a gente ganha com isso??, indagou uma estudante de filosofia, que não quis se identificar. Desconhecimento Mais do que falta de vontade, eles demonstravam total desconhecimento em relação ao convênio e ao referendo popular sobre a venda de armas no Brasil, com perguntas e comentários do tipo: ?Que referendo é esse??; ?Vai ser neste domingo??; ?Pô, a gente vai ter que votar no dia dos pais!??. No contra-ponto, segundo a coordenadora de estágio da Ufal, professora Alda Martins, muitos alunos que participaram na eleição passada têm procurado a Universidade para assegurar a participação nas próximas votações. Pela participação no projeto, os estudantes universitários que atuarem como mesários voluntários poderão somar créditos na parte flexível do curso. Na próxima semana as universidades começam a cadastrar os interessados em participar do referendo do desarmamento e a conscientização. A listagem será entregue ao TRE, que fará a seleção e a capacitação, segundo os critérios eleitorais.