Cidades
Estado nega ter recebido dinheiro a mais para rem�dios
| CARLA SERQUEIRA Repórter Um ?erro? cometido pelo Ministério da Saúde entre os anos de 2002 e 2004 resultou num rombo de R$ 231,8 milhões aos cofres públicos, de acordo com a Controladoria Geral da União (CGU). O dinheiro, segundo matéria exibida na última edição do Fantástico, programa da Rede Globo, é a soma do montante que supostamente foi repassado a mais para todas as Secretarias de Saúde do Brasil. O recurso seria para a compra do Interferon Peguilado, medicamento excepcional de alto custo usado no tratamento da hepatite C. Em Alagoas, ninguém soube explicar o que de fato ocorreu e os antigos e atuais gestores negam o envio de recurso excedente pelo governo federal. ?Pelo contrário. Sempre recebíamos menos do que precisávamos?, diz o ex-secretário de Saúde e médico sanitarista, Álvaro Machado, que esteve no comando da pasta no período de 2002 a 2004. ?Não sei se houve ou não houve dinheiro a mais?, alega a secretária adjunta da Saúde, Josefa Petrúcia Melo, ?só vou poder afirmar alguma coisa depois de avaliar o levantamento dos repasses durante estes anos que pedi para ser iniciado hoje [ontem]?, explicou ela. A atual secretária de Saúde Kátia Born está em Brasília e só deve retornar na próxima quinta-feira. Quase mil reais O Interferon Peguilado é usado no tratamento da hepatite C, doença que ataca o fígado e pode progredir para cirrose ou câncer. Cada ampola custa R$ 995 no Nordeste. ?No Sul, o mesmo medicamento é vendido por R$ 560?, disse Josefa Petrúcia Melo. Dos 121 pacientes alagoanos, cada um toma quatro ampolas por semana. ?O governo repassa, para cada ampola, apenas R$ 400. O resto quem paga é o Estado?, afirma a coordenadora do Programa de Assistência Farmacêutica (PAF), Isabel Bulhões. O erro Segundo a matéria do Fantástico, o governo federal, ao invés de remeter R$ 1.600 para cada caixa com quatro ampolas, repassou R$ 1.600 para cada ampola; ou seja, cada caixa, neste caso, custou aos cofres públicos R$ 6.400. ?Pedi esclarecimentos ao Ministério da Saúde hoje [ontem]. Não fomos comunicados oficialmente sobre o problema?, garantiu a secretária-adjunta da Saúde Petrúcia Melo. Alagoas, segundo ela, recebe por mês R$ 665 mil para adquirir os 86 itens de medicamentos excepcionais. ?Os gastos chegam a R$ 1,8 milhão e quem paga a diferença é o Estado?, diz ela.