Cidades
MLST ocupa Incra e provoca confus�o
BLEINE OLIVEIRA Repórter Por pouco um grupo de trabalhadores rurais ligados ao Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) não provocou uma tragédia, ontem à tarde, na sede técnico-administrativa do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária de Alagoas (Incra-AL) localizada no Edifício Walmap, no Centro de Maceió. O Movimento também invadiu a sede do órgão, na Praça Sinimbu, pela manhã, provocando tensão. Revoltados com ?as promessas que nunca se cumprem?, os sem-terra ignoraram a orientação dos líderes e proibiram a saída dos funcionários que se sentiram ameaçados pelos gritos de ?ninguém sai?. A reunião começou pela manhã e só terminou no final da tarde. Foi justamente no final da reunião, com boa parte da pauta de 10 itens indefinida em função da ?necessidade de levantamentos?, que surgiu o clima de tensão. ?Estamos cansados de promessas, estamos com fome, com sede e não vamos aceitar essa conversa mole? - disse um sem-terra, incitando os demais a fecharem a porta para impedir a saída dos técnicos do Incra. Foi preciso a ação imediata e firme dos dirigentes para evitar um confronto na pequena sala de reuniões onde quase 100 trabalhadores se espremiam. Prazo de espera ?É um momento difícil. A companheirada já está cansada de promessas, mas conseguimos evitar o pior mostrando a eles que violência e precipitação não vão nos ajudar?, disse Heleno Marques da Silva, da coordenação estadual do MLST. Para ele, a reação dos sem-terra serviu para mostrar ao Incra que o clima está se tornando insustentável. Superado o momento de ?rebeldia? dos trabalhadores, as lideranças conseguiram convencê-los a voltar aos acampamentos e esperar pelos cumprimentos dos compromissos assumidos pela direção do instituto. Mas antes do retorno, o MLST deixou claro que vai continuar pressionando por uma ação mais ágil do governo federal. O grupo, que também ocupou o prédio do INSS, quer celeridade no processo de desapropriação de terras no Complexo Agrisa e Peixe. São terras localizadas nos municípios de Flexeiras e Joaquim Gomes pelas quais esperam há mais de 8 anos. ?Temos a promessa de que em setembro sai o decreto de desapropriação? - diz Marcos Antônio da Silva, o Marrom, da direção estadual. Sobre as terras que pertencem ao INSS, ficou acertado que o Incra solicitará ao instituto um levantamento de todas as áreas para verificar quais são passíveis de reforma agrária. O MLST cobrou ainda recuperação de açudes, crédito, assistência técnica, lona e cestas básicas.