Cidades
Protesto pede mais redutores na AL-101
MARCOS RODRIGUES Repórter O clima ficou tenso, ontem pela manhã, entre as famílias que moram às margens da AL-101 Sul, próximo a ponte que leva ao distrito de Massagueira, em Marechal Deodoro. Depois do atropelamento do garoto Carlos Diego da Silva, 8, por um veículo Vectra, quando ele ia para a escola - ainda pela manhã - os moradores interditaram a rodovia nos dois sentidos por 4 horas. O motorista prestou socorro. A manifestação causou um engarrafamento de aproximadamente 4 km nos dois sentidos. Para fechar a pista foram usados pneus velhos, galhos e pedaços de pedra. Apenas ambulâncias tiveram a passagem liberada. No final da tarde, o garoto Diego recebeu alta do pronto-socorro. Segundo os moradores, o atropelamento foi o limite para a reação. Do início do ano até agora já foram registrados oito atropelamentos. ?O pior foi o de uma mulher grávida que ficou esmagada no meio da pista. A cena foi triste. Pegaram os restos dela com uma pá?, lembrou o pescador José Almir dos Santos, 22. A revolta dos moradores foi liderada pelo pai da vítima, o pescador Antônio Carlos dos Santos, 23. Ele conta que foi acordado com os gritos de desespero da esposa, Luciana dos Santos Pereira. ?Só vi o tumulto e me deu aquela revolta. Saí chamando o povo e como todos vivem aqui com medo, me apoiaram?, explicou. Em meio a confusão as famílias reivindicaram a instalação imediata de um redutor de velocidade ou um quebra-molas no local, para conter a ?fúria? do trânsito. O protesto só terminou depois que técnicos do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), juntamente com representantes da polícia, convenceram o grupo a se reunirem, hoje, para buscar alternativas. Mas o clima entre os manifestantes é de desconfiança. ?Se não resolverem logo, vamos fazer uma paralisação ainda maior. Podemos até quebrar a pista?, ameaçou um dos homens que conversavam com a reportagem. Redutor negado O diretor de Transporte e Trânsito do DER, Alexandre Tenório, descartou ontem a colocação de qualquer tipo de redutor de velocidade na área das casas que ficam ?coladas? ao asfalto da AL-101 Sul. ?Nessa região os redutores já colocados obedecem a uma distância estabelecida?, afirma o diretor. Decepção Entre as famílias há um sentimento de decepção com a prefeitura de Marechal Deodoro. No local, a maioria das famílias não sabe ler. A fonte de renda é a lagoa. A diversão é conversar sentado no acostamento. Não existe forma de socorrer ninguém, senão, pedir ajuda na pista. A iluminação pública é precária. As casas ainda são de alvenaria. Para as crianças maiores a brincadeira é tomar conta dos menores, como faz Daniela Maria da Silva, de 9 anos. A AL-101 Sul tem um tráfego intenso, já que se trata do principal acesso às praias. Por ela circula parte da economia que é escoada da região. A cada instante caminhões, ônibus e carros de porte médio passam em alta velocidade. ?Ninguém reduz para nós. Vivemos aqui sem segurança, sem luz. Na verdade não temos nem endereço?, disse o pescador Josivaldo Freitas, 22.