Cidades
Ostras mudam vida de fam�lias em AL
| CARLA SERQUEIRA Repórter Paripueira - O cultivo de ostras em Alagoas vem mudando, há cerca de um ano, a vida de dezenas de famílias. Manoel Cícero Rocha, 44 anos, mora na Barra de São Miguel e sustenta a esposa, que está grávida, e mais quatro filhos. Em julho de 2004 conheceu o projeto Oceanus e hoje vive em outra realidade. ?Minha renda não chegava a R$ 50?, diz ele. ?Agora, trabalhando com ostras, consegui mudar de casa (antes de taipa) e comprar até um carrinho?, comemora. A história de Cícero que incrementou a renda e hoje ganha em torno de R$ 500 mensais é parecida com a de Antônia Maria Faustino, 42. Ela já trabalhava com ostras, mas, sem orientação, acabava extraindo o molusco de forma imprópria. ?Sem saber a gente terminava matando o mangue?, afirma ela que é uma líder comunitária em Coruripe. O projeto Oceanus é uma Organização Não-Governamental (ONG) apoiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mais de 300 mil dólares já foram investidos no cultivo em Alagoas, que conta com um estoque de 150 mil ostras, um dos petiscos mais procurados pelos turistas. Além de Coruripe e Barra de São Miguel, o projeto contempla os municípios de Passo do Camaragibe e Paripueira. A intenção é ampliar a idéia para mais seis municípios alagoanos e ainda para outros estados do Nordeste Brasileiro. ?A gente não sabe dizer quem ganha mais com o cultivo de ostras?, diz a presidente do projeto Oceanus, Everilda Brandão. ?Se é a comunidade, o meio ambiente, pesquisadores ou até mesmo o Estado que vai receber tributos?, complementa ela, comemorando a credibilidade do BID diante dos resultados do programa. ?Os recursos investidos vão chegar a um milhão de dólares até o fim do ano?, afirma, dizendo que o Sebrae de Alagoas e os governos estadual e municipal das cidades beneficiadas também participam dos investimentos. ?O BID é o nosso maior parceiro?, frisa Everilda Brandão. ?Com a credibilidade que o Banco tem conseguimos atrair os demais investidores?, considera, afirmando que, na fase inicial, o BID investiu cerca de 80 mil dólares. ?Nesta etapa de ampliação, o BID já demonstrou interesse em destinar novos recursos?, anuncia. O modo de produção é o cooperativismo. ?O interessante é que a cadeia de produção vai se formando naturalmente?, diz Everilda Brandão. ?Uns se identificaram mais com a construção dos equipamentos; outros, com a limpeza das ostras?, afirma. Os próximos municípios a serem beneficiados com o projeto Oceanus - Marechal Deodoro, Barra de Santo Antônio, Japaratinga, Maragogi, Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres - já iniciaram a capacitação com os ostreicultores da região. ?Primeiro, aulas de empreendedorismo; depois, são passadas as técnicas?, conta o coordenador do projeto, Daniel Costa. ?Queremos atingir mais 400 famílias com a ampliação do programa?, diz. ### Presidente do BID visita o Oceanus e garante recursos De férias em Maceió desde domingo, Enrique Iglesias, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), visitou ontem Paripueira, onde o projeto Oceanus faz a limpeza das ostras que produz. ?O BID se sente muito feliz em presenciar projetos como esses que, além do desenvolvimento financeiro de comunidades locais, visa, principalmente, ao desenvolvimento social?, disse, enquanto era homenageado em um restaurante do município pelos ostreicultores do projeto. Sem revelar valores, Enrique Iglesias confirmou nova remessa de dólares para o projeto Oceanus. ?Não sei ainda quanto?, disse ele, ?mas, com certeza, vamos apoiar a expansão deste projeto para outras cidades e estados?, afirmou. ?Alagoas será exemplo para outros estados do Nordeste na criação de ostras que é uma atividade muito lucrativa?, garante. Cerca de trinta ostreicultores e representantes do projeto Oceanus almoçaram com o presidente do BID em Paripueira. Uma estatueta de um criador de ostras foi dada de presente para Enrique Iglesias na ocasião. A matéria-prima utilizada para a construção da peça de artesanato foi toda retirada das ostras, além de palha. ?É um exemplo do quanto pode render a ostreicultura em Alagoas. De tudo se aproveita?, afirmou o coordenador do projeto, Daniel Costa. Força feminina A presidente do projeto Oceanus, Everilda Brandão, disse que 80% dos envolvidos no programa de cultivo das ostras são formados por mulheres. ?O melhor disso?, comenta, ?é que as mulheres, mais que os homens, investem a renda que ganham em casa, na educação dos filhos e na melhoria da qualidade de vida?. Melhorar as condições de vida das famílias beneficiadas é o principal objetivo do projeto. ?Nossa intenção não é dar nada para ninguém, mas, sim, ensinar as famílias como produzir e como se sustentar com aquilo que produzem?, diz Everilda, que costumar dizer que a ostra de Alagoas ?tem gosto de benefício social?. Ela não sabe ainda quanto vai precisar para ampliar o projeto. ?Temos mais seis municípios para trabalhar e ainda implantar o projeto em outros estados. Estamos levantando os custos?, diz, acreditando que até o fim do ano a ampliação terá início. |CS