Cidades
Ceal n�o se dobra a apelo de moradores
| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter O diretor-administrativo da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Rodrigo Soares Gaia, confirmou ontem que a empresa não voltará atrás na ação para retirada de 11 famílias que construíram casas numa faixa de servidão da companhia, próximo ao Conjunto Jardim Petrópolis, por onde passam linhas de transmissão de energia. O prazo final para que os invasores desocupem a área é mesmo até amanhã. Ontem pela manhã, Rodrigo e o diretor de Engenharia da Ceal, Deraldo Camerino, se reuniram, a portas fechadas, com uma comissão de moradores da área invadida para confirmar que já pediu apoio da prefeitura, para liberação de caçambas e outros veículos, para fazer a remoção dos moradores. Casas construídas Segundo Rodrigo, a Ceal entrou com uma ação para impedir em janeiro deste ano o início da ocupação da área. Mas só em maio a liminar favorável à empresa foi concedida pelo desembargador Antônio Sapucaia, quando 10 casas já haviam sido construídas. Atualmente, além destas, pelo menos mais 10 estão em fase de construção. ?Explicamos para eles (a comissão de moradores) que não depende mais da Ceal a permanência deles no local. Eles terão que recorrer ao Judiciário para tentar reverter a situação?, explicou Rodrigo. Áreas de risco Ele salientou que o mérito da ação ainda não foi julgado pela Justiça. Mas acha difícil que a liminar seja derrubada, uma vez que os invasores estão ocupando uma área de risco por causa das linhas de transmissão. Rodrigo descartou a possibilidade de pagamento de indenização aos invasores da área. Já que uma decisão como essa não dependeria apenas da Ceal, mas do Conselho Administrativo e da própria Eletrobrás, gestora da energética. Enquanto os diretores da Ceal se reuniam com uma comissão, o clima era de apreensão entre os moradores da área, que já foi batizada de Conjunto Vitória. O diretor do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar de Alagoas, coronel Adilson Bispo, esteve ontem de manhã no local, para conversar com os moradores, que resistem à idéia de abandonarem suas casas. Adilson Bispo disse que esteve na semana passada com o oficial de justiça, que constatou a existência de 11 famílias morando na área. Mas várias outras casas ainda estão em construção. Para o coronel, a situação é muito complicada, já que se trata de um área de risco por causa da passagem das linhas. Para ele, a única saída é uma intervenção da prefeitura para tentar relocar os invasores para outra área pertencente ao município. ?Trabalhamos com a responsabilidade de fazer cumprir a ordem judicial. Tentamos encontrar uma solução que atenda os dois lados. Mas confesso que a situação aqui é muito difícil de ser resolvida?. ### Famílias amargam prejuízo com a compra de terrenos A dona de casa Elzira Costa Ferreira, 68, confirmou que invadiu a área há sete meses. Ele veio de Pernambuco e usou todas as economias da pensão que recebe do marido para construir uma pequena casa, onde mora com dois netos. ?Passei fome, nem remédio comprava para fazer essa ?meada?, dizia com lágrimas nos olhos. Maria Quitéria e o marido Geraldo dos Santos, que está desempregado, usaram todas as economias para construir a casa. Eles foram uns dos primeiros a invadir a área. Gastaram quase R$ 4,5 mil para levantar a casa. ?Ainda estamos devendo o depósito do material de construção?, diz Maria Quitéria, que recorreu a empréstimos para construir a casa, mesmo sabendo que se tratava de uma área de invasão. Maria Quitéria disse que a única renda da família é a venda de roupas usadas, um brechó, que funciona na própria casa. ?Antes eu morava de aluguel, pagava muito caro ( R$ 130,00). Se sair daqui não sei como fazer?. Denúncia Nenhum dos invasores confirma a denúncia, feita por moradores do Conjunto Jardim Petrópolis, que um cidadão identificado como Joselito da Silva, que se apresenta como presidente da Associação dos Moradores, estaria comercializando lotes na área. A maioria diz que invadiu a área e não pagou nada pelo terreno onde construíram as casas. Alguns invasores mais precavidos já procuravam fazer a retirada de tijolos e telhas, para evitar mais prejuízos caso a ação de despejo da área seja realmente cumprida amanhã. |FA