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Doen�a da mis�ria avan�a em Alagoas

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| FÁTIMA ALMEIDA Repórter Técnicos do Ministério da Saúde se reuniram ontem em Maceió para avaliar os avanços da esquistossomose no Estado. Eles tiveram acesso aos exames realizados pelo Laboratório Central (Lacen), realizados com material coletado nas áreas endêmicas. Quase a metade de 4.700 exames deu resultado positivo para a presença do esquistossoma. Técnicos do Ministério da Saúde estão em Alagoas avaliando o quadro de contaminação por esquistossomose, infecção causada pelo verme parasita Schistosoma Mansoni, que se aloja nas veias do intestino e do fígado, causando obstrução e podendo levar à morte. Áreas de risco De acordo com a Secretaria Executiva da Saúde, cerca de um milhão de alagoanos residem na faixa de risco da esquistossomose, que envolve 72 municípios do Estado de Alagoas. Exames realizados recentemente mostraram que na maioria desses municípios, entre eles Santana do Mundaú, o índice de prevalência é altíssimo, ultrapassando, em alguns casos, 30% da população, ou seja, seis vezes maior que o índice de contaminação considerado sob controle pelas organizações de saúde, que é de até 5%. Força-tarefa Há cerca de dois meses, o óbito de uma criança de 10 anos, em Santana do Mundaú, em decorrência de infecção causada pelo esquistossoma, chamou a atenção para a gravidade da situação. A Secretaria Executiva de Saúde montou uma força-tarefa para enfrentar o problema e chegou a recomendar ao Estado que fosse decretada situação de emergência nos municípios onde a situação é mais crítica, principalmente no Vale do Mundaú. Inspeção Nesta quinta pela manhã, a equipe do Ministério da Saúde se desloca até a cidade de Santana do Mundaú para ver de perto as condições que têm favorecido a contaminação. A perspectiva é de que o relatório que será feito pelos técnicos do Ministério da Saúde sensibilize o governo federal para ajudar no combate à doença. De acordo com o médico Eduardo Hage, coordenador da equipe que veio a Alagoas, o Ministério da Saúde quer acompanhar o trabalho que vem sendo feito pelas equipes de saúde do Estado e dos municípios e apoiar com provimento de insumos e assessoria técnica para melhorar as estratégias de combate à doença. ### Falta de saneamento agrava a situação A esquistossomose se desenvolve no organismo humano a partir da contaminação por meio da água contaminada de rios e açudes onde vive o caramujo hospedeiro. Considerada uma doença da miséria, ela existe no Brasil desde o período da colonização, e se mantém devido à deficiência ou inexistência de serviços básicos como redes de abastecimento de água e de saneamento, e a falta de atenção para com a educação sanitária. Em Alagoas, ela é mais presente nas bacias do Paraíba e do Mundaú, onde os rios recebem uma quantidade maior de dejetos. Situação grave ?A situação é grave, até porque não existem recursos específicos, como o programa de combate à dengue. Vamos realizar exames em 100% da população de Santana do Ipanema e fazer o tratamento, mas é preciso, também, fazer saneamento básico para tratamento adequado da água e esgoto, e um trabalho sistemático, com exames e tratamento, como é feito em União dos Palmares?, destacou o coordenador do programa de controle da esquistossomose em Alagoas, Carlos Arnaldo. Segundo ele, na maioria dos municípios, procedimentos básicos como malacologia (controle das coleções hídricas com pesquisa do caramujo); inquérito procoscópico, com identificação e tratamento de pessoas infectadas; e educação em saúde, não são realizados a contento. Os exames clínico e de fezes fecham o diagnóstico e o tratamento é feito com medicamentos apropriados. O tratamento da população afetada pela doença, a melhoria do saneamento básico, o combate aos caramujos transmissores e a educação em saúde constituem as medidas de controle dessa doença. |FAL

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