Cidades
Charque estragado e sinais de barata no lanche escolar
MARCOS RODRIGUES Repórter Uma fiscalização realizada ontem pelo Ministério Público (MP), em três escolas da rede estadual de ensino, confirmou a falha no abastecimento da merenda escolar e até a presença de alimentos estragados que iriam ser servidos às crianças da Escola Maria Rita Lira de Almeida, no Vergel. A unidade funciona no prédio do antigo Centro Integrado de Apoio à Criança (Ciac) e tem matriculadas, aproximadamente, 800 crianças, que cursam o ensino fundamental. Os promotores Ubirajara Ramos (do Núcleo da Criança e do Adolescente), Cecília Carnaúba (do Núcleo de Fazenda Pública) e Alexandra Beurlen (do Núcleo de Direitos Humanos), flagraram na cozinha da escola charque fora do prazo de validade sendo preparado para compor a refeição das crianças, logo em seguida. ?Essa carne não apresenta as condições ideais para ser servida, por isso estamos colocando-a no lixo para evitar riscos às crianças?, disse Alexandra. Pouco antes de o alimento ser despejado uma funcionária da cantina da escola admitiu que as sobras da ?mistura?, como se referiu à carne, seriam servidas aos porcos, criados por uma outra colega de trabalho. Ao todo, na cozinha, no período da tarde, trabalhavam três cozinheiras ou merendeiras. Além de comida estragada, os promotores também identificaram falta de higiene no exaustor, completamente tomado por teias de aranha misturadas a gordura. Todos estes detalhes foram observados pelos promotores e servirão de base para uma ação judicial que irá cobrar responsabilidades do secretário estadual de Educação, Maurício Quintella. Mistura indigesta A descoberta da carne fora do prazo de validade ocorreu na despensa da escola. No estoque, produtos congelados dentro da validade dividiam espaço com os que já tinham prazo ultrapassados. Segundo a diretora-adjunta da unidade, Iris Ângela Rodrigues Passos, a Secretaria Estadual de Educação (SEE) já havia sido comunicada. ?Enquanto eles não vinham recolher o produto, decidimos mantê-lo congelado para evitar o mau cheiro?, argumentou. No local onde a carne estava armazenada os promotores encontraram vestígios de barata. Outro detalhe que chamou a atenção foi uma infiltração que provocou um acúmulo de água enferrujada com resto de alimentos. ADAPTAÇÃO O estoque de alimentos no que se refere à quantidade estava dentro do aceitável. Mas, segundo a diretora-adjunta, é comum a falta de alguns produtos. Iris revelou aos promotores que o problema do fornecimento só não é maior porque a administração utiliza recursos do Projeto Esporte 2º Tempo. ?Com o dinheiro, que já é para a compra de alimentos para os beneficiados, nós suprimos nossas necessidades?, disse. Vazia Nas escolas Júlio Auto e Edson Bernardes, ambas no bairro do Vergel, a situação é ainda mais delicada. Lá, os promotores encontraram prateleiras vazias. ?Na Edson Bernardes os estudantes não contam com alimento desde o início do segundo semestre do ano letivo?, disse a promotora Cecília Carnaúba. A fiscalização nas escolas da rede estadual vai continuar. Os promotores querem reunir dados sobre a distribuição da merenda no Estado. Por isso estão previstas visitas a escolas do interior. ?Visitaremos um número significativo de escolas, que representem uma amostra do problema?, disse Ubirajara Ramos.