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Invasores resistem � ordem de despejo

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| FÁTIMA ALMEIDA Repórter O clima continua tenso entre os invasores de uma área de domínio da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), no Jardim Petrópolis, em Maceió. Ontem pela manhã, representantes do Centro de Gerenciamento de Crise da Polícia Militar estiveram, mais uma vez no local, para tentar convencer as famílias a uma saída amigável, mas muitos já avisaram: não vão deixar o local. ?Podem me bater, me arrastar, mas não saio nem na tabica?, avisa o aposentado João Empório. No seu rosto, a expressão é muito mais de desespero do que de desafio. Aos 75 anos de idade, vivendo de um salário mínimo pago pela aposentadoria, João investiu tudo para construir uma casinha em alvenaria (a primeira da sua vida) na área ocupada. ?Vendi tudo, até um liqüidificador, um botijão de gás e duas galinhas para comprar tijolo e cimento?, diz ele, diante da ameaça de perder tudo. ?Ninguém vai sair daqui. Eles não vão nos bater, nem nos matar?, reforça Maria Valderez dos Santos. Desempregada, ela deixou a Grota Santa Helena, onde vivia num barraco que ameaçava desabar, e ocupou um ?lote? no terreno invadido. Até agora, só conseguiu comprar lona e madeira para cobrir a área onde vive com as duas filhas. A orientação do Gerenciamento de Crises é para que as pessoas que estão construindo, retirem todo o material que puderem (tijolos, telhas, madeira) para evitar maiores perdas, mas, pelo menos até ontem, ninguém moveu uma palha. ?Levar para onde?? indagam os moradores. Segundo o coronel Adilson, da CGC, a ordem é retirar as pessoas do local. A não ser que haja uma outra decisão da Justiça, beneficiando os moradores. É o que todos esperam. Para isso, as famílias fizeram uma cota e contrataram uma advogada que está tentando reverter a situação na Justiça. ?Estamos buscando auxílio para fazer a desocupação, mas queremos que isso ocorra pelo convencimento e não pela força?, disse o coronel Adilson. Entre as saídas está a possibilidade de a prefeitura pagar o aluguel de casas, por quatro meses, para as 11 famílias que já residem no local. ?E depois, para onde vamos??, indaga Saulo José da Conceição. Desempregado, com duas filhas e a mulher grávida, ele se recusa a deixar o vão que construiu, medindo 5 metros de frente e 3,5 m de fundo, onde mora com a família.

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