Cidades
Micaraca chega ao fim ap�s 13 anos
| MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - O mais antigo carnaval fora de época de Alagoas pode ter chegado ao fim em Arapiraca. A 13ª edição da Micaraca, evento anteriormente previsto para agitar o Agreste dias 28, 29 e 30 de outubro, dificilmente sairá do papel em 2005. Segundo apurou a Gazeta com a Secretaria Municipal de Cultura, o principal entrave à realização da festa é a dificuldade dos blocos custearem despesas com trio elétrico e atrações sem ajuda ou intermediação do poder público. A Micaraca surgiu em 1993 - um ano antes do Maceió Fest - totalmente financiada pelo Poder Público Municipal. No ano seguinte, a prefeitura reduziu para 50% seu investimento na festa, que contava com seis blocos que arrastavam milhares de foliões pelo corredor da folia, montado numa das principais avenidas de acesso ao centro da cidade. A festa cujo apogeu se registrou em 1996 encontrou seu período de decadência a partir de 2002, quando houve desfile de apenas três blocos oficiais. Na última edição da festa, apenas dois blocos oficiais - Azul e Branco e Vou Te Pegar - tiveram condições de oferecer ?atrações de peso? para o deleite de foliões de todo o Sertão e Agreste. Com a decisão do Vou Te Pegar de não participar da Micaraca este ano, restou aos foliões o bloco Azul e Branco, o único com estrutura e vinculado à Associação Atlética Banco do Brasil (AABB-Arapiraca), maior clube de serviços do interior do Estado. ?A prefeitura fez projeto e teria condições de investir R$ 260 mil na contratação de trios e bandas para a pipoca. Entretanto, não teríamos condições de promover uma Micaraca com a presença de apenas um bloco. Depois da saída do Vou Te Pegar, a festa se mostrou inviável?, diz Ronaldo Oliveira, secretário municipal de Cultura. Para o empresário Valmir Maurício, do Vou Te Pegar, a venda de abadás não cobre os custos com contratação de banda, trio elétrico e estrutura de segurança. ?Arapiraca não comporta mais de dois blocos. O folião geralmente compra o abadá de última hora enquanto precisamos antecipar o pagamento das atrações. O negócio ficou inviável mesmo com a decisão da prefeitura de bancar a estrutura da festa?, alega o empresário, que participava do evento desde 2002. Diante da exigência do folião por ?atrações de peso?, os empresários também não conseguiriam viabilizar cachês de artistas que cobram em média R$ 150 mil. O bloco Azul e Branco também teria descartado participação na Micaraca em virtude da dificuldade de conseguir da prefeitura ?apoio? de R$ 52 mil para comercializar com os funcionários do município pelo menos 400 abadás. A parceria poderia ser concretizada mediante decisão particular do servidor que concordasse com o desconto em folha do abadá comprado do bloco. Diante da perspectiva de cancelamento da 13º edição da Micaraca - evento que movimentava mais de R$ 1 milhão nos três dias de festa - empresários do setor de entretenimento vêem dificuldade no ressurgimento da festa a partir de 2006. Para o promotor de eventos Sérgio Lúcio, o criador da Micaraca, o evento não tem condições de sobrevivência sem ?ampla ajuda? do poder público, seja ele municipal ou estadual. ?A festa é cara e depende do amplo aval da prefeitura para viabilizar as parcerias necessárias à concretização da estrutura que envolve o corredor da folia?, analisa Sérgio Lúcio.