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Ressaca do mar soterra pedreiro na Praia do Franc�s
CARLA SERQUEIRA Repórter O pedreiro Edmilson da Silva Santos, 35 anos, não resistiu. Morreu na mesa de cirurgia da Unidade de Emergência Dr. Armando Lages, no Trapiche, onde os médicos tentavam conter uma hemorragia. Ontem, por volta das 9h, Edmilson foi soterrado quando o muro do bar Céu Azul, na Praia do Francês, caiu, deixando-o inteiramente embaixo de pedras e concreto. A vítima sofreu lesão na perna direita. O ferimento atingiu os vasos femurais, fazendo com que o sangramento não parasse. O pedreiro trabalhava na reforma de uma barreira de tijolos, construída para conter o avanço do mar que, há anos, traz problemas para os moradores da região. Até a noite de ontem, a polícia do município sequer sabia do fato. O dono do bar havia desaparecido da cidade e a prefeita Danielle Dâmaso se encontrava fora de Alagoas. André Deodato dos Santos, 18 anos, garçom de uma barraca vizinha, viu quando ocorreu a fatalidade. ?Estava arrumando as cadeiras na areia da praia quando ouvi o pedreiro gritar, chamando por Deus?, contou. ?Os outros dois pedreiros que trabalhavam com ele conseguiram correr, mas para ele não deu tempo?. André disse que a cabeça de Edmilson ficou completamente coberta de areia. ?Ele desmaiava e depois retornava?, conta André. ?O tempo inteiro dizia que ia morrer, que não agüentava mais ficar embaixo das pedras e que não conseguia respirar?. O Corpo de Bombeiros, segundo ele, só chegou depois de meia hora. ?Quem tirou Edmilson fomos nós?, disse o garçom. É no mês de agosto quando ocorre, com maior freqüência, a ressaca do mar. Ondas gigantes e ventos fortes são, geralmente, registrados no período. Na Praia do Francês, segundo moradores da região, o avanço do mar já ?engoliu várias barracas e continua avançando?. Maria de Fátima Lima dos Santos responsabiliza a própria população pelos acidentes. ?Moro há 48 anos no Francês?, diz ela, ?lembro quando as barracas eram próximas às pedras [recifes]. Vi muito bar cair. O povo não analisa o que a maré pode fazer e insiste em construir muros para barrar a força do mar; o resultado é acidente?, opina. ### Família responsabiliza dono da barraca Por volta das 14h de ontem, a família de Edmilson da Silva Santos recebeu a trágica notícia. A esposa, Maria dos Santos Silva, 46, lavava roupa quando ficou sabendo da morte do marido. ?Vi a hora de ela desmaiar?, disse a filha de Maria e enteada de Edmilson, Tânia Maria dos Santos, 22 anos. Desesperada, Maria dos Santos, com a ajuda de vizinhas, informava à família da vítima sobre a morte de Edmilson. ?Oh, meu Deus?, chorava a viúva, ?justo agora que ele estava prestes a comprar a nossa casinha?, dizia, ao lado da filha, Vitória Vida, de apenas 4 anos. ?Ele estava tão feliz, juntando dinheiro para a formatura da filha. E agora, meu Deus??, dizia. Um cordão de isolamento foi colocado pelo Corpo de Bombeiros na área do acidente. De acordo com testemunhas, o dono da barraca Céu Azul, conhecido na região apenas como Genildo, teria retirado as fitas. Quando a notícia da morte do pedreiro chegou à Praia de Marechal Deodoro, os moradores informaram que Genildo havia fechado o bar. A Gazeta tentou localizar a casa do empresário, mas a vizinhança preferiu não revelar onde ele mora com a família. ?Mas ele vai ter que pagar pelo que ocorreu com meu padrasto, isso vai?, dizia, revoltada, Tânia Maria dos Santos. No início da tarde de ontem, em frente à barraca Céu Azul onde Edmilson foi soterrado, um trator retirava areia e pedras do lugar. O policial Bruno Santos, de plantão na Delegacia de Marechal Deodoro durante todo o dia de ontem, disse que a notícia não chegou até a polícia. ?Estamos sabendo agora?, afirmou no início da noite. Só este mês, duas pessoas morreram vítimas do avanço do mar em Alagoas. No último dia 6, um garoto de apenas 4 anos morreu em Lagoa Azeda, em Jequiá da Praia.|CS