Cidades
PMs v�o �s ruas por sal�rio e promo��es
FÁTIMA ALMEIDA ODILON RIOS Repórteres Um protesto de farda e coturno tomou conta, ontem, das ruas do centro de Maceió, quando parte das tropas da Polícia Militar gritou por aumento dos soldos em 24%. A manifestação marcou a passagem do Dia do Soldado, exatamente um dia após a Justiça ter embargado as promoções de oficiais de carreira. A solenidade de promoções, que foi cancelada, seria realizada no Quartel Geral da PM, com a presença do governador Ronaldo Lessa (PDT), que se posicionou contrário ao pedido de reajuste dos militares. ?Se eles (os militares) estão querendo mais dinheiro, paciência. Se eu tivesse somente a segurança pública do Estado era uma maravilha?, afirmou ontem o governador, ao saber da manifestação da tropa. PATENTES ATRASADAS Com faixas, cartazes e emblemas de luto pelos colegas que morreram fazendo ?bicos? para completar a renda, a passeata dos policiais militares parou o trânsito na Praça dos Martírios, em protesto contra a defasagem salarial e a falta de promoções na categoria. Segundo eles, cerca de três mil cabos e soldados já teriam direito à patente aumentada, o que significaria, entre outras coisas, melhoria nos vencimentos. ?A situação está insustentável?, diz o presidente da Associação dos Cabos e Soldados, Wagner Simas. ?Queremos, também, a reativação das promoções, pagamento de horas extras e adicionais noturnos?. Segundo o dirigente de classe, há um déficit humano na PM, que leva muitos policiais a cumprir carga de até 240 horas/mês, quando o normal seriam 180 horas. ?No entanto, não se paga hora extra por isso?, denuncia ele. Mortes no ?bico? Simas destaca que a situação está levando muitos policiais a se arriscarem em atividades extras, fazendo ?bicos? para complementar o salário. ?Este ano foram sete ocorrências, com quatro policiais mortos. Outros três estão de cama. Se recebessem salário justo, não precisariam se submeter a fazer segurança particular?, observou Wagner Simas. ### Oficial adere ao protesto e alerta para pequeno efetivo Na avaliação do tenente-coronel Adilson Bispo, diretor do Centro de Direitos Humanos da Polícia Militar, a morte de dois policiais em apenas um mês, ambos atuando em trabalho extra, é um indicativo que não pode ser ignorado. ?O governo tem que olhar com atenção esses fatos. Esse pessoal está buscando, fora, um complemento salarial para ter condições mínimas de sobrevivência?, diz ele. O oficial alertou para o fato de que o pequeno efetivo da PM tem levado policiais a grandes jornadas. ?Se recebessem melhor, ao invés de dar sua cota de sacrifício a particulares, trabalhando além de sua jornada, eles trabalhariam para o Estado, na sua própria corporação?, diz o coronel Adilson. Ainda de acordo com o tenente-coronel Bispo, não basta investir em equipamentos. ?Tem de investir, também, no homem, para melhoria da segurança pública?. Os oficiais do Centro de Direitos Humanos foram os únicos a participar da manifestação, do começo ao fim, em apoio aos cabos e soldados. A manifestação saiu da sede da Associação dos Cabos e Soldados, no Poço, em marcha pelas ruas do Centro, até chegar à Praça dos Martírios, por volta das 10 horas. O trânsito foi desviado em vários pontos da cidade, e somente liberado após às 11 horas. Chá de cadeira Um dos motivos da passeata, segundo fontes da própria PM, teria sido a falta de diálogo com o comando da corporação. Ainda na quarta-feira, o próprio comandante da Polícia Militar, Edmilson Cavacanti, convidou representantes da Associação de Cabos e Soldados para uma audiência. No entanto, eles ficaram das 16 às 18 horas no quartel geral, esperando pelo comandante, que não chegou para a reunião. A manifestação também foi provocada pela decisão da juíza Maria Esther Manso, deferindo o pedido de liminar impetrado pelo tenente Thayronilson Emery dos Santos, que suspendeu o efeito do quadro de acesso por merecimento ? um dos critérios para promoção de oficiais. |FA ### Lessa diz que PMs já tiveram aumento e descarta os 24% O governo estadual descartou ontem qualquer sinalização quanto ao aumento salarial de 24%, exigido pelos policiais militares. O governador Ronaldo Lessa (PDT) avisou que não tem dinheiro e pediu paciência, em tom de irritação. ?O primeiro aumento quem teve este ano foram os militares e os professores. Se eles [os militares] estão querendo mais dinheiro, paciência. Hoje, gasto mais com segurança pública em salário que com os professores, apesar de não ser o salário ideal. O Estado que eu tenho é esse, a economia é essa e herdei muito pior?, disse. Enquanto Lessa reinaugurava a sede do Procon, atrás do Palácio Floriano Peixoto, policiais protestavam na frente do Palácio. ?Ninguém é obrigado a ser militar. Vamos ver como será a manifestação?, afirmou Lessa, lembrando dos protestos dos policiais civis, que acamparam em frente ao Palácio, no começo do ano, pedindo aumento salarial. Depois, o governador afirmou que o protesto é parte ?da democracia?. Ele lamentou a decisão da Justiça, que suspendeu as promoções de militares. Lessa vai consultar a Procuradoria Geral do Estado (PGE) sobre o caso. Greve Na Assembléia Legislativa do Estado (ALE), o deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT) declarou, na tarde de ontem, considerar que há ?discriminação?, dentro dos critérios de promoção, a cabos e sargentos da Polícia Militar e apontou para o risco de greve da corporação. ?As promoções estão se dando a partir de major, tenente-coronel e coronel com mais rapidez. A insatisfação dos soldados pode trazer uma greve, o que não interessa à sociedade?, alertou. De acordo com Paulão, existem coronéis da Polícia Militar recebendo um soldo até R$ 12 mil por mês, enquanto os soldados recebem apenas R$ 600. ?Esse arco é muito grande. São os soldados que têm de fazer ?bicos? para sobreviver. É necessário abrir o diálogo com a corporação e dar prioridade às promoções de cabos e soldados?, avaliou o deputado. PV/OR