Cidades
Projeto prop�e transformar bairro pobre em ilha liter�ria
| CARLA SERQUEIRA Repórter O bairro Graciliano Ramos está em reforma. Suas quadras serão transformadas em ilhas literárias. Painés e esculturas vão figurar entre as ruas do conjunto. Toda a comunidade está tendo a oportunidade de participar do trabalho, que já começou. 120 jovens estão coletando dados nas 2.045 casas da região a fim de compor um inventário socioeconômico do bairro. A iniciativa é da Organização Não-Governamental (ONG) ?Graciliano é uma Graça?, presidida pelo professor Nilson Júnior. ?Queremos que o bairro se torne um grande Centro Cultural e que, a partir disso, seus moradores possam ter mais chances de desenvolvimento?, explica. Com o apoio do Ministério da Cultura, que fez da ONG um Ponto de Cultura dentre os 200 em todo o Brasil - em Alagoas são nove -, os jovens envolvidos na idéia se dizem realizados, sabendo que estão contribuindo com o crescimento do bairro. ?Muita gente está descrente?, diz o estudante da 8ª série, André Laelson da Silva, 24. ?Estamos ouvindo as reivindicações para planejar, mais tarde, ações conjuntas?, afirma, acrescentando que a falta de segurança e as condições das ruas - a maior parte sem calçamento - são os problemas mais apontados pelos consultados. Dos 120 jovens que realizam o censo, apoiado também pela Associação dos Moradores do Graciliano Ramos, Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 50 vão receber bolsas no valor de R$ 150. ?Os critérios serão interesse e liderança?, afirma o professor, revelando ter recebido R$ 150 mil do Ministério da Cultura para levar a idéia à frente. ?Muita gente que mora aqui não sabe sequer quem foi Graciliano Ramos?, diz ele. Cada uma das onze ilhas literárias será batizada com o nome de uma obra do autor. Os jovens foram divididos por ilhas. ?Eles estão tendo o primeiro contato com a comunidade agora, mas durante dois anos eles vão acompanhar e incentivar o engajamento dos moradores na implantação do ecomuseu?, afirma Nilson Júnior. Ecomuseu, segundo ele, é um museu a céu aberto constituído por peças construídas pela própria comunidade. ?Cada ilha tem um líder que vai coordenar os trabalhos?, diz o presidente da ONG. ?Ele vai ler a obra referente a sua ilha e dividir, mediante trabalhos durante os dois anos, o enredo da história com os moradores. Esse projeto tende a beneficiar todo mundo?, acredita, argumentando que ?o poder público vai valorizar mais o bairro uma vez que a comunidade está fazendo a parte dela. Além disso, queremos atrair visitantes de todos os lugares da cidade. Queremos movimentar a região com oficinas e cursos profissionalizantes?, diz Nilton. Aulas de música, circo e livros já são ofertados pela ONG.