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Novo camel�dromo reacende pol�mica

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter A transformação, ontem, da Rua Joaquim Távora num camelódromo a céu aberto provocou reações tanto de lojistas da área, como dos próprios ambulantes. O sentimento de indignação era compartilhado por praticamente todos os lojistas da rua. Para os comerciantes, a forma como a prefeitura vem tratando a questão dos ambulantes está estimulando a informalidade. ?Desse jeito é melhor ser ambulante. No Dia dos Pais, a Secretaria da Fazenda fez uma vistoria em todas as lojas para verificar o pagamento de impostos, a gente paga taxa de localização, IPTU, tem de pagar em dia os funcionários, e os ambulantes não sofrem qualquer tipo de cobrança?, desabafou Ibirajara Marrel. A rua foi fechada ontem de manhã, no trecho entre a Rua do Livramento e o Beco São José, pela Secretaria Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU) e Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) - o trânsito também foi modificado - para ser ocupada por cerca de 130 ambulantes não licenciados pela prefeitura, que ficavam espalhados pelas calçadas das ruas Boa Vista, Comércio e Moreira Lima. A operação de remoção de camelôs, de acordo com a SMCCU, seria uma medida necessária para dar continuidade às obras do Projeto de Requalificação do centro de Maceió, já em fase final. ?Foi uma operação normal, uma vez que há 15 dias diretores da SMCCU e da Associação dos Camelôs vinham se reunindo para tratar do problema e os ambulantes se conscientizaram da importância de continuar com suas atividades em outras áreas centrais?, informou Carlos Romão, fiscal da SMCCU que comandou a ação. PEGOS DE SURPRESA Já os lojistas da Rua Joaquim Távora afirmaram que foram pegos de surpresa. ?Só no sábado vi as faixas, informando sobre as mudanças no trânsito. Alguém supôs que seria para transferência dos ambulantes, mas não sabíamos de nada?, comentou Ibirajara Marrel, que não escondia sua indignação com a situação. Para a lojista Kátia Sueli, dona de uma loja de roupas femininas, a presença dos ambulantes vai afastar a clientela e aumentar os prejuízos. ?Isso aqui virou uma feira, e vai nos prejudicar de todas as formas?. O advogado João Uchõa, que tem escritório na Rua Joaquim Távora, disse que o fechamento da rua por determinação da prefeitura foi um ato arbitrário e ilegal. Novo round Um novo round da luta entre camelôs, prefeitura e lojistas deverá ser travado hoje, em uma reunião, às 11 horas, entre dirigentes do comércio, a SMCCU e a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio. Inconformados com as constantes mudanças dos camelôs nas ruas do centro de Maceió, os lojistas prometem reagir, inclusive na Justiça. ### Comércio vai estudar medidas jurídicas O advogado João Uchõa, que tem um escritório na Rua Joaquim Távora, disse que o fechamento da rua por determinação da prefeitura foi um ato arbitrário e ilegal. ? Isso aqui é uma servidão pública. A prefeitura não pode fechar uma rua, mesmo que tivesse conversado antes com os lojistas?. O advogado disse que pretendia estudar medidas jurídicas contra a decisão da prefeitura. Insatisfeitos Os ambulantes também não ficaram satisfeitos com a mudança. O ambulante Vanderlan Correia Ferro estava instalado há mais 20 anos em frente uma loja de artigos religiosos na Rua do Livramento. Segundo Vanderlan, ele tinha autorização do dono da loja para ficar no local. Mas foi obrigado a ir para a Rua Joaquim Távora. De acordo com ele, antes de retirar os ambulantes das calçadas, a prefeitura deveria ter definido um local com estrutura adequada para eles se instalarem, que poderia ser a Praça da Cadeia. ?A gente até aceitava pagar uma taxa mensal, ter uma barraca padronizada. Seria melhor do que passar por essa situação?. Cícero José, que há oito anos vendia roupas na Rua Boa Vista, disse que se sente um verdadeiro cigano. Há 41 anos sobrevivendo como ambulante, ele nunca teve um lugar certo para ficar. ?Isso prejudica até nossos próprios clientes assíduos, que não sabem como encontrar a gente?. ### Camelôs devem ter espaço em estacionamento O presidente da Associação dos Ambulantes e Prestanistas do Centro, Laércio Lira, disse que a prefeitura estabeleceu 130 lugares para os ambulantes na Joaquim Távora. Ao menos 90 já estavam instalados no local. Mas ele acreditava que todas os espaços seriam ocupados. Segundo Laércio, os ambulantes transferidos para o local estão fora dos 192 licenciados pela prefeitura em 1996. Mas eles também deverão ser transferidos para os dois estacionamentos alugados pela prefeitura, na Praça dos Palmares, destinados aos ambulantes que sairão das calçadas do Centro, por causa do projeto de requalificação. Laércio disse que seria melhor para os ambulantes ficarem onde estavam, pois a mudança representa perda de freguesia. Além disso, eles terão de enfrentar o inconformismo dos lojistas com a presença deles em frente aos seus estabelecimentos. Segundo Laércio, não foi possível fazer previamente um sorteio para definição dos espaços a serem ocupados pelos ambulantes. Por isso, muitos tiveram de chegar antes das 5 horas da manhã para escolher seus locais, o que gerou discussões. Trânsito O trânsito na Rua Joaquim Távora também sofreu modificações por causa da transferência dos ambulantes. O fluxo do tráfego foi invertido, passando a ser mão única no sentido da Rua do Livramento até a Barão de Penedo. |FAS

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