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Sumi�o de malote na Caixa � mist�rio

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| CARLA SERQUEIRA Repórter Quatro meses depois permanece o mistério: um malote contendo cerca de R$ 45 mil desapareceu em um dos guichês da agência da Caixa Econômica Federal de Jaraguá, numa sexta-feira, 15 de abril, e ninguém até agora consegue explicar. O dinheiro pertencia à empresa de Edburgo Fontan Pedrosa Júnior, a tradicional panificação Rio Branco, fundada na década de 30, no bairro da Levada. ?Minha vida virou um inferno. Já precisei ser internado três vezes por causa disso?, revelou. Cliente do banco há quatro anos, Edburgo Fontan aderiu ao sistema de malotes para fazer os pagamentos de sua empresa, acreditando ser mais seguro. O sistema possibilita ao cliente realizar todos os serviços bancários de uma só vez, já que, dentro de um envelope de lona são encaminhadas quantias, geralmente altas, destinadas a variadas transações. ?Quem preparou o malote naquele dia fui eu?, afirmou a esposa de Edburgo, Vera Pedrosa, responsável pelo setor financeiro da panificação. Segundo ela, R$ 28 mil em espécie e R$ 11 mil em cheques seriam para pagar fornecedores, enquanto outro montante, de R$ 5.974, em cheques de clientes, seria depositado na conta da empresa. ?Na segunda-feira [dia 18] acessei a conta pela Internet e percebi que o depósito não havia sido efetuado?, contou. Foi o filho de Vera Pedrosa quem levou o malote até a Caixa Econômica Federal naquele 15 de abril. ?Esperei duas pessoas serem atendidas; depois entreguei o malote e fui embora. Permaneci cerca de 20 minutos dentro do banco?, revelou Thiago Guillou, habituado a realizar os serviços bancários da panificação. ?Quem recebeu o malote foi um funcionário que ainda trabalha na mesma agência?, disse ele. De acordo com Edburgo Fontan, o único comprovante, previsto em contrato, de que o cliente entregou o malote é virtual. ?Diz no contrato que a prova fica por conta do sistema interno de câmeras?. ?Ninguém poderia ter mexido na fita, mas um gerente da agência me garantiu ter assistido às imagens. Ele disse até o horário em que meu filho entrou no banco. O intrigante é que não foi filmado quando Thiago entregou o malote no guichê?, afirmou Vera Pedrosa, dizendo, ainda, que o malote de sua empresa não foi o único que sumiu. ?Outro funcionário me revelou ter desaparecido um malote em outra agência da Caixa?. Independentemente do valor, para cada malote extraviado o banco devolve somente R$ 10 mil, conforme Edburgo Fontan. ?Depois do ocorrido, mudaram o discurso. Seria por cada lacre?. Os dois malotes da empresa de Edburgo estavam fechados com apenas um lacre. ?Além disso, depois que meus malotes sumiram, o comprovante deixou de ser virtual; agora estão entregando comprovantes em papel?, contou ele, acrescentando: ?O fato é que perdi meu dinheiro, minha honestidade e a de meu filho estão sendo contestadas e, até agora, nenhum centavo foi devolvido. Espero que a minha situação sirva de alerta para outras empresas?, desabafou. A Justiça Federal investiga o caso. A advogada da família entrou com ações por danos materiais e morais. Ninguém foi ouvido ainda. A ?prova virtual?, ou seja, a fita das câmeras de vídeo que compõem o sistema de segurança do banco, foi anexada ao processo. O gerente de Marketing da Caixa Econômica Federal, Pedro Paes, alegou ontem precisar inteirar-se do assunto com o setor jurídico para manifestar a posição do banco.

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