Cidades
Camel�s descartam proposta de ocuparem pra�as do Centro
CARLA SERQUEIRA Repórter ?O grande erro foi não incluírem os ambulantes no projeto de requalificação do centro de Maceió?, afirmou o presidente da Associação dos Ambulantes e Prestanistas, Laerson Lira. Desde que as obras foram iniciadas, há cerca de seis meses, os camelôs não param de mudar de rua. A última transferência foi para a Rua Joaquim Távora, onde estão hoje 130 ambulantes, causando revolta entre os lojistas. O trânsito no local foi modificado. A última proposta apresentada pela prefeitura não agradou. Três praças foram sugeridas: da Cadeia (em frente ao quartel), Montepio e Deodoro. ?A Montepio está completamente descartada?, frisou Laerson, usando a ?fama? do local como argumento. Lá, prostitutas trabalham durante todo o dia. ?Iria espantar a freguesia?, diz ele. Para justificar a rejeição à praça da Cadeia, Laerson lembra do passado. ?Já transferiram ambulantes para lá. A maioria hoje passa fome e só tem reclamado da situação?, afirma, dizendo que a proposta de levar 16% da frota de ônibus para circular no local não resolveria o problema. Já a Praça Deodoro, segundo ele, não seria seguro. Como está cercada por instituições públicas e com poder de veto (Tribunal de Justiça e Câmara de Vereadores), os ambulantes temem ser obrigados a sair. ?Se não for feito o camelôdromo que prometeram, com estrutura e circulação de pessoas, não vai ter jeito. Não adianta colocar em praça nenhuma. Se o movimento não for bom, os ambulantes voltam para o Centro?, explicou Lareson Lira. Há 16 anos, Betânia da Silva, 38, mantém um carrinho de produtos importados na Rua do Livramento. ?Daqui tiro o sustento de meus três filhos. Não vou para praça nenhuma arriscar meu ganha-pão?. Segundo os ambulantes instalados na Rua Joaquim Távora, o movimento das vendas caiu con sideravelmente.?Também tiro meu sustento daqui?, revelou o vendedor de capas para celular Genildo da Silva Titara, 22 anos. Desde segunda-feira, dia 29, quando foram transferidos, ele não vendeu nada. Para os lojistas, a situação também traz prejuízos. ?É uma agressão visual?, define o proprietário de uma loja de móveis, Jair Mota. Laerson Lira propõe a reforma das barracas para que os ambulantes continuem no Calçadão. A prefeitura informou que vai dialogar com a categoria até encontrar uma solução pacífica.