Cidades
Grupo pressiona por obra em manguezal
FÁBIA ASSUMPÇÃO REGINA CARVALHO Repórteres A construção de um complexo hoteleiro na Praia do Mirante da Sereia ainda é motivo de polêmica. Um grupo de empresários italianos, responsável pelo investimento, já pensa em desistir do projeto. A decisão foi tomada depois da cassação da licença de ocupação da área por uma ação do Ministério Público Federal. A procuradora federal Niedja Kaspary confirma que suspendeu as licenças para viabilização do complexo hoteleiro, que, segundo ele, fere lei ambiental. O corretor André Vieira, que representa o grupo, disse que somente em projetos para execução da obra foram investidos cerca R$ 2 milhões. ?O grupo já está pensando em voltar para a Europa e usar o que investiram no projeto para fazer uma propaganda negativa do Estado lá fora?. Segundo ele, o projeto inclui a construção de um resort numa área de manguezal, além de projetos de urbanização da praia e construção de casas de alto padrão. O projeto total envolve investimentos da ordem de 5 milhões de euros e a promessa de criação de pelo menos 500 empregos diretos. André Vieira alega que o projeto passou pela análise do Conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram), pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) e pela Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma). Ele garante que não há intenção de privatizar a área. ?O empreendimento vai ser construído numa área de desmembramento do Pratagy, que existe desde 1964?, afirmou. O corretor acrescenta que o grupo italiano pretende investir em melhorias na região, com a construção de praças urbanizadas no local onde existem hoje algumas barracas. O grupo já adquiriu oito delas e está em negociação com mais quatro. Também já foram construídas duas casas dentro do padrão arquitetônico previsto no projeto. O interesse dos italianos em investir na Praia do Mirante da Sereia não é visto com bons olhos pelos barraqueiros. A presidente da Associação dos Barraqueiros e Amigos da Praia da Sereia, Ana Maria Tavares, reclama da forma como o grupo abordou os barraqueiros. ?Eles chegaram dizendo que aqui só tinha bandido e que era local de prostituição?. Segundo ela, se atualmente as 33 barracas do Mirante da Sereia não são organizadas a responsabilidade é do poder público. Ana Maria afirma ainda que os barraqueiros aceitariam participar de um projeto de padronização, caso houvesse apoio do município e acrescenta que, apesar de o grupo italiano ter comprado boa parte dos terrenos da praia, o maior interesse é apenas pelo investimento na construção do hotel na área de mangue. ### Obra fere meio ambiente, diz procuradora A procuradora federal Niedja Kaspary confirma que determinou a suspensão das licenças concedidas para viabilização das obras do complexo hoteleiro no Mirante da Sereia. ?A liminar requerida foi deferida em julho, quando pedi a paralisação das obras?, informou. De acordo com ela, o Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública contra as obras porque os levantamentos realizados no local apontam que o empreendimento pode prejudicar o meio ambiente. ?A paralisação das obras aconteceu por vários motivos. Detectamos, inclusive, que faltava um estudo aprofundado de impacto ambiental?, acrescentou. O local onde as obras do complexo hoteleiro foram iniciadas, segundo a procuradora, está em Área de Preservação Permanente. Na Praia do Mirante da Sereia são encontrados manguezais e outros tipos de vegetação protegidos pela Lei Ambiental. Niedja Kaspary fez questão de ressaltar que o Ministério Público Federal não é contrário a empreendimentos. ?Não somos contra o desenvolvimento do Estado, mas que esse desenvolvimento seja implementado de forma sustentável?, ressaltou. Descaso A presidente da Associação dos Barraqueiros e Amigos da Praia da Sereia, Ana Maria Tavares, questiona os reais interesses do grupo italiano. ?Se eles têm tanto interesse em melhorar o aspecto da praia, por que compraram as barracas e as destelharam? Eles estão é acabando com a praia?, destacou. Os barraqueiros confirmam, ainda, que há vários anos a Praia da Sereia não recebe investimentos e, por isso, está fora da rota de visitas das agências de viagens. Eles também reclamam que a estrada de acesso não está em boas condições e que, durante o inverno, fica complicado para os ônibus chegarem à praia. |FAS e RC