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Pescadores reagem � mudan�a e v�o ao MP contra Almeida

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CARLA SERQUEIRA Repórter Os moradores da Vila do Jaraguá vão recorrer ao Ministério Público contra o prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PTB). Esta semana, por meio da imprensa e sem nenhum acordo prévio com a comunidade, o prefeito anunciou a transferência das 400 famílias para um terreno na Praia do Pontal. A decisão de recorrer à Justiça foi votada em assembléia, ontem, com a presença de professores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Incluída no projeto de revitalização do Jaraguá, concluído no ano passado, a Vila dos Pescadores não recebeu nenhum benefício. Foram destinados R$ 10 milhões para sua urbanização. ?Nada foi feito?, diz o secretário da Associação dos Moradores do Jaraguá, Josué Félix da Silva. Ele também denuncia o desvio de R$ 1,9 milhão repassado em 2001, pela Petrobras, para indenizar 350 famílias que tiveram suas casas desapropriadas para implantação de um oleoduto na Praia da Avenida. As famílias foram transferidas para o Conjunto Carminha, nas redondezas do Benedito Bentes. ?Das 350 que foram para lá, hoje não tem 50. Muitas voltaram e as que ficaram vivem com fome, pedindo esmolas?, diz o professor de Sociologia do Departamento de Ciências Sociais da Ufal Parmenides Justino. O pesquisador atua na vila do Jaraguá há dois anos. ?O que a prefeitura está querendo é transformar este lugar em vitrine turística. Existem projetos para construção de uma marina, com o objetivo de incentivar a indústria náutica, e de um shopping, para incrementar a economia na região. Na vila, querem deixar apenas o estaleiro, o depósito e os barcos. Os gestores negam o valor histórico desta comunidade?, diz ele. A presidente da Associação dos Moradores, Marilúzia Alves dos Santos, tem 55 anos, 10 filhos e 21 netos. ?Nunca precisei de ninguém. Tiro meu sustento da praia. Os moradores estão cansados de tanta promessa. Só deixaremos a vila em caixões. Político aqui só aparece em época de eleição?, diz ela, afirmando que fome não existe na vila e o índice de violência é zero. A professora da Ufal Marluce Cavalcante Santos diz que desde 1996 órgãos públicos usam a comunidade para conseguir verbas federais, com o argumento de urbanizar a vila de pescadores. ?Estamos envolvendo estudantes de diversas áreas em estudos voltados para a vila. O objetivo é prestar consultoria, no intuito de garantir respeito aos direitos dos moradores?. O secretário de Planejamento do município, César Marques, diz que a transferência dos pescadores é uma decisão de governo, apoiada pelo Plano Diretor de Maceió. ### Área foi doada aos moradores, diz professora Com documentos em mãos, a professora do Departamento de Ciências Sociais da Ufal Marluce Cavalcante diz que a área onde está a Vila dos Pescadores, no Jaraguá, pertencia ao governo federal e foi doada aos pescadores com o intuito de contribuir com a urbanização prevista no projeto de revitalização do bairro. O prazo para início das reformas vence no próximo dia 17. ?De todos as obras previstas no projeto de revitalização do Jaraguá, somente a urbanização da vila e a limpeza do Riacho Salgadinho não ocorreram?, revela. Atentos ao que pode ocorrer, os moradores estão unidos. O pescador João Lopes Gomes tem 64 anos. ?Vim do Rio Grande do Norte e cheguei aqui em 1957?, conta ele. ?Conheço o mar de Jaraguá como a palma da minha mão. Se formos retirados daqui, estaremos condenados à fome?. As melhorias realizadas pela prefeitura na vila até agora não agradaram aos moradores. Nas casas, segundo eles, apenas uma parede de cada moradia - a que fica voltada para a Avenida da Paz - é de alvenaria. A maior parte dos casebres continua sendo de madeira. O saneamento realizado não suportou a demanda de esgoto, que hoje corre a céu aberto. ?Se a vila hoje tem aspecto de favela, a culpa é do poder público, que não investiu o que deveria na comunidade?, observa o professor universitário Parmenides Justino. Ao todo, o projeto de revitalização do Jaraguá, financiado por meio do Programa de Desenvolvimento do Turismo Integrado do Nordeste (Prodetur) custou R$ 44 milhões. De acordo com o professor Parmenides Justino, do total da verba, R$ 10 milhões foram destinados à urbanização da Vila. Para os moradores, o lugar é herança dos seus antecedentes. ?Tem três gerações de pescadores que vivem aqui. Eu tenho 26 netos e 11 bisnetos nascidos na vila. Não saberia viver mais em outro lugar?, disse a marisqueira Ilza Pereira, 68 anos.|CS

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