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Pontal da Barra come�a a mudar de cara

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| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Quem passa pela Ponte Divaldo Suruagy, na AL-101 Sul, deslumbra-se com um verdadeiro espetáculo da natureza: o encontro da Lagoa Mundaú com o mar. A beleza integra a paisagem de um dos bairros mais antigos de Maceió, o Pontal da Barra, que durante décadas esteve fora da rota de crescimento da capital. Essa situação foi criada com a instalação da indústria química Salgema (atual Braskem), na década de 70, que afastou investimentos, em especial os imobiliários, da área. Entretanto, esse quadro pode mudar em breve, dando nova cara ao Pontal. No Plano de Negócios do governo do Estado uma das propostas é a criação de um Centro de Lazer e Negócios, aproveitando a área de restinga do bairro, onde hoje está instalado o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e a Academia de Polícia Civil. O órgão será transferido para outro local, ainda indefinido. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Arnóbio Cavalcante, o governo decidiu destinar a área para empreendimentos turísticos. O secretário diz que pelo menos dois grupos internacionais e também locais já mostraram interesse em construir hotéis no local. Estudos feitos pelos técnicos do governo apontam para a possibilidade de instalação de pelo menos dois hotéis, de cinco e quatro estrelas. Um dos atrativos para investimentos turísticos no local é que, além de estar perto do centro da cidade, oferece rara beleza, proporcionada pelo encontro das águas da Lagoa Mundaú com o Oceano Atlântico. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, a área foi adquirida pelo governo à Marinha em sistema de comodato. A perspectiva de instalação de um hotel na região anima os moradores do Pontal da Barra. Para a presidente da associação dos moradores do bairro, Carmem Valéria Viana de Sá, o hotel pode trazer inúmeros benefícios, desde que haja cuidado com a preservação da área de restinga e que não seja instalada, dentro de seu espaço, um feira de artesanato, que possa concorrer com o trabalho dos artesãos locais. Riqueza Desde os tempos mais remotos de Maceió como capital da província, o Pontal da Barra já existia como vila. Era habitado por pescadores que retiravam da lagoa e do mar o sustento da família. Uma das principais atrações do bairro é justamente o seu rico artesanato, feito em filé, labirinto, rendas e outros produtos confeccionados pela própria população local. Tradição que passa de geração para geração, à medida que vai ganhando novos contornos. Hoje é possível encontrar tudo em filé, desde caminhos de mesa, panos de bandeja, toalhas, colchas até saídas de praia, chapéus, xales, blusas das cores mais variadas. Os produtos ficam expostos nas calçadas das casas do Pontal. Somente a Associação das Rendeiras tem 330 artesãs cadastradas. O lento processo de crescimento do Pontal talvez seja um dos motivos para que o bairro mantenha hoje as características de pequena cidade do interior, cercado por praças, uma igreja e onde ainda é possível encontrar gente sentada na porta, batendo papo com vizinhos. O ponto alto do bairro é a principal rua, a Alípio Barbosa, que reúne um comércio movimentado, com lojas de artesanato e restaurantes que garantem a movimentação de pessoas que vão se deliciar com a rica culinária local. O bairro também é rico em expressões culturais e tem o orgulho de ostentar o último grupo de fandango do Brasil. Segundo a presidente da associação dos moradores do bairro, Carmem Valéria, apesar da instalação da Salgema, na década de 70, ter tirado a região do bairro da mira da especulação imobiliária, existe uma valorização das casas da área. E há motivos para isso. O primeiro deles é a tranqüilidade que os moradores desfrutam, longe da onda de violência que atinge a maioria dos bairros de Maceió. Mas, talvez o que de maior valor o bairro tenha a oferecer seja a beleza da natureza. Valéria, por exemplo, tem o privilégio de visualisar todos os dias, da varanda de casa, a deslumbrante paisagem da Lagoa Mundaú e suas diversas ilhas. Grande família Formado por uma população de cerca de 3.500 pessoas, o Pontal pode ser considerado uma grande família. Segundo Valéria, a maioria dos moradores nasceu no próprio bairro e 80% são parentes. Valéria, por exemplo, nasceu no bairro, assim como seus três filhos. A mãe dela, hoje com 66 anos, também nasceu no Pontal. ?Minha vó, que tem 90 anos, nasceu no Riacho Velho, em Massagüeira, mas logo em seguida veio para o Pontal?. Valéria diz que o bairro poderia ter crescido mais se não fosse a instalação da Salgema. ?E os moradores seriam muito mais felizes se a indústria não estivesse no local?. No início, uma das lutas dos moradores foi impedir o projeto da indústria de fechar o acesso ao bairro pelo Trapiche. ?Isso iria nos deixar isolados?, diz Valéria. Segundo ela, ainda hoje muita gente que passa pela Avenida Assis Chateaubriand não consegue chegar ao Pontal da Barra. Para chamar a atenção para o Pontal, haverá investimentos em infra-estrutura no acesso ao bairro, que se dá pela Rua Iracema Lessa. No início do ano, o bairro recebeu algumas melhorias, como asfalto na rua principal, limpeza urbana, sinalização e definição de áreas de estacionamento. ?Falta agora que seja feita a ligação do saneamento do bairro com o emissário submarino?. Valéria acredita que com a instalação dos hotéis, a infra-estrutura do bairro pode melhorar ainda mais. ?Eles já vão começar a fazer a ciclovia da praia, e isso não está acontecendo à toa?, diz Valéria, acreditando que os ventos de melhoria já são fruto dessa nova visão de um futuro próximo para o bairro. ### Cinturão verde garante preservação Apesar do freio na ocupação urbana provocado pela instalação da atual Braskem, o crescimento populacional do bairro do Pontal da Barra não impediu que a construção de casas fizesse desaparecer parte de suas dunas. Em compensação, o bairro ganhou um ?cinturão verde?, ao redor da Braskem, que vem proporcionando a preservação da fauna e da flora. Esse cinturão verde vai ser ampliado, com a transferência do Clube do Motonáutica da área em torno da indústria. A transferência ainda não tem data definida, mas a nova área onde o clube vai ser instalado já está escolhida. Ela fica às margens da Lagoa Mundaú, próximo à Ponte Divaldo Suruagy, onde funcionava o Clube da Cinal. O comodoro do Clube Motonáutica, Ênio Barbosa Lima, diz que a nova área é um pouco maior do que a da atual sede do clube. ?Lá teremos uma vantagem, porque aqui temos problemas de inundações, durante os períodos de cheia da lagoa?, justifica. O projeto foi elaborado pela Braskem, que será responsável pelo investimento no novo clube, e já está nas mãos da direção da Motonáutica para ser avaliado. ?Vamos instalar lá os mesmos equipamentos que temos hoje aqui?. O local vai ter capacidade inicial para estacionamento de 200 barcos, com espaço para ampliação. Segundo Ênio, a saída do clube da área em torno da Braskem atende uma exigência do decreto estadual 32.510 de junho de 1987, que dispõe sobre a implantação na restinga do Pontal da Barra, do cinturão verde de proteção ambiental. Tradição O Clube Motonáutica está instalado no Pontal da Barra há quase 40 anos. O comodoro Ênio Barbosa disse que a instalação da indústria química não prejudicou o funcionamento do clube, que ao longo dos anos foi bem freqüentado. O gerente de Relações Institucionais da Braskem, Cláudio Pimentel, confirmou que a área do Clube Motonáutica será usada para ampliar o Cinturão Verde em torno da indústria química. Entretanto, não adiantou quanto será investido na construção do novo clube. Situado entre o Oceano Atlântico e a Lagoa Mundaú, o cinturão verde abrange uma reserva ecológica de 150 hectares, dos quais 20 hectares foram recuperados. Em 17 anos de existência, o espaço já recebeu mais de 300 animais, alguns em risco de extinção e mais de 220 mil mudas de espécies vegetais. Cláudio Pimentel reconhece que a instalação da indústria química, na década de 70, isolou o bairro de novos empreendimentos imobiliários. Mas acrescenta que a Braskem desenvolve um trabalho de parceria com a comunidade do Pontal da Barra, ofertando cursos, promoções esportivas, culturais e ações na área ambiental, o que contribui para o seu crescimento. Sobre a instalação de um hotel na área do Detran, Pimentel não vê nenhuma implicação em relação à Braskem. |FAS

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