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Mudan�a n�o inclui os churrasquinhos, que j� s�o tradi��o

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| MARCOS RODRIGUES Repórter Não somente os camelôs estão fora do tão esperado projeto de requalificação do centro de Maceió, que passa pelo final da primeira parte das obras. Os já tradicionais churrasquinhos, ponto de encontro de final de tarde de comerciários, bancários e habituês dos locais, também não estão incluídos no projeto e devem se tornar outra dor de cabeça para a prefeitura no ordenamento do novo Centro. Mesmo sem a Prefeitura de Maceió encontrar uma alternativa para esse tipo de atividade, o cheiro de carne assada misturado com fumaça, propagado pelos vendedores de ?churrasquinho de gato?, como são mais conhecidos, continua pelas ruas da cidade. Alheios à polêmica que envolve o comércio, os consumidores adotaram a cerveja com espetinho como parte da rotina durante a espera do coletivo. É um verdadeiro happy hour popular. Segundo a coordenadora da reforma do Centro, arquiteta Gardênia Caetano, o projeto de requalificação do Centro não especificava onde os ?churrasquinhos? devem ficar. ?Nós é que estamos discutindo com a representação deles como encontraremos uma solução viável. Uma alternativa seria colocá-los com os camelôs?, adiantou Gardênia. A arquiteta lembra que o crescimento do comércio informal aumentou nos últimos cinco anos. ?Sabemos da questão social envolvida nesse segmento, já que existem pessoas que sobrevivem desse comércio?. Os donos dos pequenos bares relatam uma realidade de trabalho árduo, incerteza e desemprego. As informações sobre a origem dos churrasquinhos são contraditórias, mas há pelo menos 18 anos o primeiro deles surgiu no Centro, num dos becos que cortam o bairro. O responsável pela inovação ainda vive do negócio. ?Bigode? como é mais conhecido, é dono de um dos 12 pontos-de-venda nas proximidades da Praça Palmares. Ele é o principal representante da categoria. Experiente, Bigode não pára. Os eventos fora da capital, hoje, já fazem parte de sua vida. Quando começou, a única opção era a chamada ?carne de gato?. Hoje, com um cardápio variado, eles se tornaram referência para os comerciários. É lá que o estresse do dia é descarregado, ao sabor de uma bebida gelada, somada a espetinhos com pedaços de carne, calabresa, charque, coração de galinha, fígado de boi e até camarão. O preço também é um atrativo. Os tira-gostos saem por R$ 1, enquanto a cerveja tem valor estipulado em R$ 2, para facilitar o troco. O cenário dos churrasquinhos é quase sempre o mesmo. Mas além do carrinho, os aparelhos de TV e DVD também roubam a cena. ?Já é uma exigência do pessoal e aqui o negócio é agradar ao cliente?, conta o ex-gráfico Anselmo Gomes, 46, dono de um ponto na Praça Palmares. Sem emprego fixo, ele diz que deixou de ser consumidor para virar vendedor. ?Foi a necessidade. Mas a iniciativa deu certo. Hoje não quero outra vida?, revela, sem parar de mexer nos espetinhos. Anselmo sustenta cinco pessoas com o novo ofício. Ele revela que sexta-feira é o dia de melhor movimento. ?Porém, mesmo na segunda-feira tem quem beba, para rebater a ressaca?, brinca o vendedor. ### Qualidade garante mesas lotadas e o sustento da família O surgimento dos churrasquinhos no centro de Maceió gerou confronto com os comerciantes. Isso porque a falta de banheiro fazia com que os usuários urinassem nas portas das lojas. Hoje a realidade é outra. Organizados, os donos de churrasquinhos alugaram banheiros de bares e de estacionamentos. A despesa é rateada e a limpeza dos locais é compartilhada por eles. Pela ocupação do espaço urbano os churrasqueiros ambulantes pagam uma taxa de R$ 32. Com isso garantem uma área coberta e, em média, dez mesas para os clientes. Nem a Vigilância Sanitária assusta mais. A maioria foi capacitada e sabe o que fazer para garantir a qualidade do produto. ?Tudo é comprado no mesmo dia e devidamente congelado. A limpeza também é uma preocupação. Nunca tive queixa de cliente?, conta Arnaldo dos Santos, dono de um ponto no Centro. O comércio informal garante a renda de várias famílias. Em alguns casos o faturamento pode passar de R$ 1 mil mensal. Depende do local onde se atua e do público consumidor. A sexta-feira costuma ser o dia de melhor venda. As duas grades de cerveja diárias podem chegar a quatro. O volume de churrascos vendidos também é maior. Pode ultrapassar os 100 espetos. ?Em dias de muito movimento, como o início do mês, dá para garantir uma boa saída do produto?, admite o vendedor Ivanildo Pereira, 38, que tem ponto na Rua da Alegria. Ele chega cedo ao local, às 17h30, para garantir uma boa arrumação das cadeiras e mesas. Até uma lona é colocada para prevenir uma eventual chuva. MR

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