Cidades
Greve p�ra HU e pode provocar caos
FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter A greve dos servidores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) começa a afetar a partir de hoje o atendimento no Hospital Universitário (HU). Ontem pela manhã, o Sindicato dos Servidores da Ufal (Sintufal) realizou reuniões por setores no hospital, para definir uma escala de trabalho que garanta apenas 30% dos serviços considerados essenciais. Em alguns áreas, como de realização de biópsia, o atendimento já estava sendo restringido desde ontem aos pacientes do interior do Estado. Dos 1.100 funcionários do hospital, cerca de 700 são efetivos. A presença de prestadores de serviços vai permitir que alguns setores não sejam afetados pela greve. É o caso do Serviço de Atendimento Médico e Estatísticas (Sami), onde é feita a marcação de consulta, 100% composto por prestadores de serviços. A assessora da diretoria técnica do HU, Lindinalva Freitas da Silva, disse que mesmo os prestadores de serviço não aderindo à greve, o hospital será obrigado a diminuir o atendimento em vários setores. O número de cirurgias, por exemplo, será reduzido em 70%. Normalmente, são realizadas entre 15 a 20 cirurgias por dia no HU. ?Daremos prioridade aos casos mais graves?. A greve deve trazer transtornos ainda maiores para a maternidade do hospital, que enfrenta constantemente problemas de superlotação. Ontem, a UTI neonatal, que tem apenas 10 leitos, estava com 19 recém-nascidos. Na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI), a situação era mais tranqüila. Dos 12 leitos, apenas oito estavam ocupados. Por dia, são realizados no HU cerca de 3.600 procedimentos, entre exames, consultas e cirurgias. Muitas das pessoas atendidas no hospital são do interior. A presidente do Sintufal, Yolanda Ferreira, disse que os servidores só retornam ao trabalho quando o governo federal cumprir a segunda etapa do reenquadramento da categoria. ?Esse foi um compromisso assumido pelo governo depois da greve realizada no ano passado, que durou 77 dias. Mas isso não ocorreu?. Segundo Yolanda, além da greve dos servidores, o hospital pode enfrentar problemas para garantir o atendimento da população, porque os mais de 200 prestadores de serviços podem ser demitidos a qualquer momento. A greve dos servidores da Ufal foi definida na semana passada. Hoje pela manhã, o sindicato promove um ato na frente da Reitoria, no campus universitário, onde os servidores não aderiram à greve. Desde ontem, a Ufal entrou em recesso acadêmico de 15 dias. A volta dos estudantes às aulas pode, no entanto, ser adiada, caso os professores também decidam aderir ao movimento grevista.