Cidades
Sem chefe, posto do INSS vira o caos
| FERNANDO VINÍCIUS Repórter Porto Calvo - A agência do INSS em Porto Calvo está há mais de cinco meses sem chefe efetivo, ausência que atrasa o encaminhamento de benefícios. Somente uma funcionária trabalha diariamente no único posto disponível para a população de sete municípios da região norte de Alagoas. Ela conta apenas com o auxílio de duas estagiárias e mais um funcionário, pessoal insuficiente e com atuação limitada a determinados serviços. Como a procura é muito maior do que a capacidade atual de atendimento, nem sempre quem chega ao posto consegue dar entrada no esperado benefício. Maria José da Silva é funcionária da Secretaria de Assistência Social de Campestre, município que fica a cerca de uma hora e meia de Porto Calvo. Ela chegou à agência com oito pessoas, mas somente os dois casos de perícia foram atendidos. Maria José reclamou porque todas tinham agendamento marcado pela própria funcionária. ?Nós saímos de casa às 6h e só chegamos aqui às 10h, porque o carro ficou atolado umas duas horas na estrada?, explicou. Apenas 20 fichas são distribuídas diariamente para os que procuram a agência de Porto Calvo. Maria Aparecida de Macedo é a única habilitada a receber as solicitações. Após sucessivas reivindicações sobre o novo chefe, recebeu do setor de Serviços de Benefícios de Maceió a garantia de que a partir de amanhã (8) o cargo estará ocupado. Apesar disso, Aparecida Macedo garante que o número de reclamações ?é quase zero?. Para Sandra Francisca da Silva, 21, a demora para saber se tem ou não o direito à ?aposentadoria? causa angústia. Apoiada em uma muleta, por causa de dois tiros de revólver disparados pelo ex-marido foragido, ela conseguiu fazer a segunda perícia ontem depois de quase um ano de espera. Sandra da Silva mora no assentamento Itabaiana, localizado em Maragogi, e depende da mãe para sobreviver e sustentar suas duas filhas. As balas que atingiram sua perna direita no dia 31 de março de 2003 prejudicaram sua locomoção, mas a primeira perícia com o médico do INSS aconteceu somente no final de junho de 2004. Ela vai esperar agora a carta com o resultado da segunda consulta, prazo informado de até 30 dias. Até lá, continuará sem entender por que não consegue ter acesso ao benefício.