Cidades
Pacientes terminais s�o barrados no HU
| FÁTIMA ALMEIDA Repórter A greve dos servidores do Hospital Universitário (HU), deflagrada na última segunda-feira, começa a surtir efeitos negativos no atendimento à saúde da população. Ontem, o hospital passou a adaptar seus serviços de modo a assegurar pelo menos o atendimento de 30% da demanda em todos os setores. Muitas pessoas, inclusive do interior, que já estavam com consultas agendadas há mais de um mês, tiveram que voltar sem atendimento. Quem veio para novos tratamentos não teve muita chance, mesmo em casos graves. Humberto Franciliano tem câncer de próstata, já com metástese em várias partes do corpo. Foi levado por um voluntário de um lar de idosos, onde vive, com encaminhamento médico para quimioterapia. Teve que voltar sem conseguir marcar. ?Informaram que um médico está de férias e que o hospital está em greve. Não deram nenhuma perspectiva?, disse o acompanhante do doente, Elivan Almeida. Pelo menos a metade das pessoas com consulta marcada também não conseguiu atendimento. A estratégia, no balcão, foi reduzir o número de fichas, pela ordem de chegada. ?A emergência para adultos, continua, mas para crianças reduzimos a quantidade de fichas, de 30 para 15, pela manhã, e de 20 para 10 à tarde?, informou uma funcionária. Na avaliação do médico Paulo Luiz Teixeira, diretor-técnico do hospital, no primeiro dia de greve a unidade conseguiu manter o funcionamento normal, mas ontem já se registrava uma baixa de cerca de 50% do contingente. A tendência, segundo ele, é esse contingente ir reduzindo ainda mais, até o limite de 30%?. Paulo Teixeira informou que a diretoria montou uma escala de plantão em sintonia com o comando de greve, de forma a manter os 30% de funcionamento exigidos por lei. ?Cada chefia montou sua própria escala, dentro do que é necessário para manter os serviços?, explicou ele. Na sua avaliação, a greve afeta o hospital como um todo, mas os setores de ambulatório, laboratório, imagem e centro cirúrgico são os que mais sofrem. ?Tem alguns setores que vamos tentar segurar o máximo. A maternidade, por exemplo, não pode ser trabalhada matematicamente. Estamos tentando manter o mesmo nível de atendimento?, destacou o diretor. Até ontem a categoria em greve ainda não tinha nenhum aceno sobre as reivindicações. ?O governo espera nossa categoria entrar em greve, depois vem dizer que só negocia se voltarmos ao trabalho. São vários anos de embromação e prejuízos para os servidores e para a população, que fica sem os serviços de saúde?, defende o comando de greve, em panfleto distribuído ontem. No calendário da paralisação está prevista para esta quinta-feira, às 10 horas, uma assembléia geral no Espaço Cultural da Ufal, localizado na Praça Sinimbu.