Cidades
Certifica��o d� mais f�lego ao Cintur�o Verde
| BLEINE OLIVEIRA Repórter Os 50 coqueiros existentes na época ainda estão lá, mas passados 18 anos têm muita companhia. Com eles existem hoje espécies como a amendoeira, leucena, algodão de praia, pau-brasil, cedro, peroba, angico e craibeira, árvore símbolo de Alagoas, em quantidade suficiente para transformar o que antes podia ser visto como terra devastada num bosque em pleno centro de Maceió. Seguros e bem alimentados, animais silvestres como emas, sagüis, cotias, tatus, macacos-prego, jacarés-do-papo-amarelo completam o cenário. Tamanha variedade de espécies da Mata Atlântica está no Centro de Educação Ambiental da indústria química Braskem, no Pontal da Barra, mais conhecido como o Cinturão Verde da Salgema, nome original da fábrica, mudado depois que a empresa, antes pertencente à estatal Petroquisa, foi privatizada. Uma equipe de profissionais de agronomia, veterinários, ambientalistas e paisagistas dedicou anos de suas vidas para recuperar uma área totalmente degradada pela exploração humana. Ao longo dos últimos 18 anos, eles puderam executar tudo o que foi planejado, graças aos 8 milhões de dólares que a empresa decidiu investir no Cinturão Verde. Tanto empenho e dedicação mereceram a certificação do Conselho Nacional de Preservação da Mata Atlântica, reconhecimento internacional assegurado pelo Programa Homem e Biosfera, da Unesco. Claro que não foram apenas razões ambientais e humanistas que fizeram a indústria química, que explora nossas jazidas de sal-gema (matéria-prima para produtos que variam do tênis ao avião), abrir os cofres onde guarda seus bilhões de dólares. A direção da empresa, uma das cinco maiores do setor petroquímico, teve sérios motivos político-sociais para investir em meio ambiente. Desde sua implantação na cidade, em 1976, como Salgema, aquela indústria enfrentou a reação dos movimentos ambientalistas que discordavam frontalmente de sua localização. Os acidentes que aconteceram, inclusive com mortes, geraram uma imagem negativa da indústria. Assim, além de criar uma barreira para funcionar como faixa de segurança, evitando que a expansão urbana do bairro do Trapiche chegasse aos seus limites, a direção da fábrica precisava reconstruir sua imagem diante da população de Maceió. Começam assim os investimentos no Cinturão Verde e as ações voltadas para a comunidade em seu entorno. Hoje como Braskem, a indústria adotou a responsabilidade social. O engenheiro agrônomo Mário Calheiros, administrador do Cinturão Verde, está no projeto desde o início e lembra bem do cenário que encontrou. ?A degradação era total. Havia uma cratera onde colocamos mais de mil caçambas de terra? - diz ele. A cratera foi provocada pela retirada da areia existente e utilizada como base na obra de pavimentação daquela avenida e de calçamento na área do Pontal e do Trapiche. O dano ambiental foi imenso. Onde havia dunas e uma vegetação nativa, ficou apenas o solo estéril. Os responsáveis pelo projeto tiveram ainda que retirar os invasores que já haviam construído casas de alvenaria no local. ?Foi um trabalho difícil, mas chegamos a esse momento tão importante que é ver a completa recuperação do ecossistema? - alegra-se Mário Calheiros, dizendo-se orgulhoso com a certificação da Unesco. Hoje, na área reconhecida pelo Ibama como Criadouro Conservacionista da Fauna Silvestre Brasileira, vivem mais de 300 animais e mais de 200 espécies diferentes de vegetação. São 20 hectares de terra recuperada, cerca de 200 mil metros quadrados, todo murado, que está sendo usado como maternidade (área de reprodução) e local de descanso para as chamadas aves de alagados. Com a destruição dos manguezais, espécies como o socó, mergulhão, galinha-d?água estão encontrando refúgio no Cinturão Verde. O parque deve se transformar futuramente no Jardim Zoobotânico de Maceió. Tanto que, segundo o administrador Mário Calheiros, já está sendo construído um Centro de Educação Ambiental com auditório, sala de treinamento e biblioteca.