Cidades
SMCCU: falta planejamento ao projeto
| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter O superintendente municipal de Controle do Convívio Urbano, Ednaldo Marques, ficou irritado ontem com as críticas feitas a sua pasta, pela ocupação desordenada dos ambulantes no centro da cidade. ?Não posso fazer mágica para resolver esse problema?. Segundo ele, a situação do Centro hoje é de responsabilidade da gestão passada da Prefeitura de Maceió, que iniciou a execução do Projeto de Requalificação sem planejamento. ?Se existe algum culpado por essa situação foi a gestão passada, que não planejou direito a questão dos ambulantes?. Ednaldo afirmou que por falta desse planejamento a prefeitura foi obrigada a fazer um remanejamento orçamentário para viabilizar as obras de infra-estrutura dos dois estacionamentos, na Praça dos Palmares, para onde serão transferidos os ambulantes do Centro. ?A SMCCU já cumpriu tudo que era de sua atribuição. Temos de esperar agora que os dois estacionamentos fiquem prontos, para que o órgão possa executar sua função de fazer o controle da ocupação do Centro?, disse Ednaldo. Ele explicou que a responsabilidade pela obra é da Secretaria de Indústria e Comércio. Mas é um processo que demanda tempo, pois exige licitação pública. Não houve rapa O superintendente da SMCCU disse ainda que não sabia o motivo de a fiscalização não estar presente ontem no Centro para retirar os ambulantes que estão descumprindo as normas de ocupação das barracas. ?Eu delego poderes, não sei responder neste momento o que aconteceu?. Ednaldo disse ainda que não tem como fazer mágica para resolver o problema dos ambulantes. ?Estamos atentos a esse problema social, mas eles não podem pensar apenas em si mesmos, temos que olhar também os interesses da sociedade?. Com a barriga Já o presidente da Associação dos Ambulantes do Centro, Laércio Lira, reclama que a prefeitura vem empurrando com a barriga uma solução para o problema dos ambulantes das ruas do Comércio e da Boa Vista, que foram transferidos para a Moreira Lima, por causa do Projeto de Requalificação. Segundo ele, as obras estão paradas, porque não há mais recursos. ?A única coisa que se tem é tapume para afastar ambulantes e homens fazendo de conta que trabalham?. Devido a essa situação, muitos ambulantes estão retornando aos poucos a essas ruas. ?Os ambulantes de canto de parede deveriam estar na Rua da Alegria, mas eles estão voltando para o Comércio, o que é uma situação irregular?. Para Lira, mesmo que a prefeitura encontre uma área para tirar os ambulantes do Centro, não resolve o problema. ?O retorno dos ambulantes é um processo natural, é uma questão de sobrevivência. Se não houver fiscalização, outros camelôs vão ocupar o Centro?. ### Fiscalização não impede novas invasões A ausência da fiscalização da Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU) irritou ontem os ambulantes do Centro, que são favoráveis às normas de limitação de espaços para exposição de mercadorias. A SMCCU havia prometido fazer, a partir de ontem, a apreensão das mercadorias dos ambulantes que estivessem fora do padrão. Mas a promessa não foi cumprida. ?A fiscalização da SMCCU deveria mudar o nome para ?liberação?, criticou Laércio Lira, presidente da Associação dos Ambulantes e Prestanistas do Centro de Maceió. ?Hoje não existe fiscalização por parte da SMCCU?, completou. Conforme as cinco normas estabelecidas pela SMCCU, em comum acordo com associação, os ambulantes seriam obrigados a arrumar as mercadorias nas bancas até as 9 horas e só poderiam retirá-las a partir das 16 horas. Só que ontem, por volta das 10 horas, algumas ambulantes ainda arrumavam as mercadorias, sem que houvesse qualquer tipo de fiscalização e também insistiam em extrapolar o espaço delimitado para as barracas. Laércio ressaltou que a ausência de fiscalização termina incentivando quem cumpre as normas a seguir o exemplo de quem descumpre. ?A prefeitura deve requalificar os seus fiscais ou então pagar para eles ficarem em casa. Hoje, 80% das pessoas que trabalham na fiscalização, são incapazes de fazer cumprir essas normas?. Bancas clonadas Os ambulantes também denunciaram a existência de ?bancas clonadas?, que teriam sido instaladas no Centro com a conivência de alguns vereadores. As ?clonadas? são bancas feitas no modelo idêntico ao usado pelos 192 ambulantes cadastrados pela prefeitura. Laércio Lira disse que o se o prefeito ou qualquer outra pessoa permite a instalação desse tipo de barraca, isso abre o precedente para colocação de mais 300 ou 400 bancas no Centro. ?Se ficar confirmada ingerência política, haverá espaço para colocação de mais ambulantes no Centro?. O ambulante José Lúcio da Silva Neto (Gil) afirma que se a SMCCU não fizer cumprir as normas, vai acabar virando bagunça. Para ele, a desorganização dos ambulantes só prejudica os próprios ambulantes. ?Os lojistas só querem uma desculpa para tirar os ambulantes?, disse o vendedor. |FAS