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Sem-terra loteiam fazenda em Murici

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| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Cinqüenta famílias que ocupam há cinco anos a Fazenda Mumbuca, em Murici, decidiram lotear ontem, por conta própria, a área de mais de 400 hectares. Para isso, contaram com a ajuda de cerca de 100 acampados da Flor do Bosque e Baixa Funda, em Messias, também da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Os acampados saíram de Messias por volta das 8 horas. Mas um imprevisto atrasou a chegada deles na Mumbuca: o ônibus em que viajavam atolou na estrada, no meio do canavial, e eles tiveram que andar a pé por cerca de 1,5 quilômetro. Nem mesmo o incidente tirou o ânimo dos sem-terra de lotear a área. Segundo um dos coordenadores da CPT, Severino Silva, a Fazenda Mumbuca era de propriedade da falida Usina Bititinga II. ?A princípio, o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) fez uma vistoria e declarou a área produtiva, mesmo assim os trabalhadores decidiram ocupar a área?. Dos 420 hectares da fazenda, o Incra só teria vistoriado 296 hectares para desapropriação o que, de acordo com o coordenador da CPT, só daria para assentar 35 a 40 famílias.Cansados de esperar por uma decisão do Incra para desapropriar a área, os acampados decidiram lotear toda a área de fazenda para ?assentar? as 54 famílias. A maioria dos acampados da Mumbuca é proveniente dos municípios da Zona da Mata Norte, como Murici, Branquinha e União dos Palmares. Alguns vieram da Fazenda Flor do Bosque, em Messias. Segundo Severino, há uma briga judicial entre os fazendeiros Antônio Pádua e Benício Cabral da Costa, que se dizem donos das terras. Além disso, haveria pelo menos cinco posseiros na área, apontados pelos sem-terra como grileiros. De acordo com os primeiros ocupantes da área, como Cícera da Silva, quando os trabalhadores chegaram lá não havia nada nas terras. Depois da ocupação, os posseiros começaram a construir casas e criar gado. Mesmo sem a posse da terra, os agricultores estão conseguindo manter o sustento das famílias, com produção de culturas como de feijão, macaxeira, frutas e hortaliças. Produtos que eles pretendem vender na Feira Camponesa, que será realizada pela CPT de 17 a 20 de outubro, em Maceió. O assessor de imprensa do Incra, José Carlos Cardoso, explicou que o órgão não conseguiu ainda desapropriar a área por causa de divergências jurídicas sobre o real dono das terras. O ex-proprietário da terra, Antônio de Pádua, contestou na Justiça a posse da área por Benício Cabral de Costa, que a arrematou num leilão, em 2003. Por sua vez, Benício entrou com um recurso contra a ação de Antônio de Pádua. José Carlos explicou que pelo Decreto federal 433/92, o Incra pode fazer a aquisição da área pelo sistema de compra e venda, a preço de mercado. Mas, só pode iniciar esse processo depois de superada a questão jurídica, já que há um processo de reintegração de posse da área há dois anos. Segundo ele, os posseiros já concordaram em negociar a área com o Incra. Falta apenas fechar um acordo com os suspostos donos das terras.

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