Cidades
V�ndalos destroem patrim�nio p�blico e geram preju�zo
| REGINA CARVALHO Repórter Empresas e comunidade sofrem com a ação de vândalos em Maceió. Sem limites, longe da polícia e driblando possíveis penalidades, eles promovem a depredação de equipamentos públicos e privados, causando prejuízos. Alguns produtos dos roubos são garantia de retorno na ?comercialização?, como é o caso do alumínio, material utilizado em caixas de registro de energia e de água - para o recebimento de correspondências - e componente das grades de proteção em residências. Mas em outros casos, a atitude dos marginais é gratuita e não traz qualquer tipo de vantagem, como danificar telefones públicos. O prejuízo atinge em cheio as comunidades e órgãos, como a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). Isso porque os vândalos encontraram um novo alvo para ataques gratuitos: as caixas coletoras de correspondência. Das 95 distribuídas em Maceió, pelo menos 10 passam por reparos e outras têm de ser descartadas, a cada mês. ?O mais comum é a quebra da fechadura dos equipamentos pelos marginais. É uma depredação gratuita, porque não há retorno financeiro para os marginais. Não existe motivo para isso?, confirma o gerente de distribuição dos Correios, Luís Carlos Bastos da Rocha. No mês passado, 20 caixas coletoras de correspondência, que ficam distribuídas em vários bairros da capital e estão associadas a pontos comerciais de revenda de selos, foram a leilão porque foram totalmente destruídas. ?Essas não podem sequer ser reaproveitadas. Foram alvo da ação do tempo e dos vândalos. Como monitoramos diariamente essas caixas, acabamos detectando os problemas e retiramos as que não têm mais serventia?, acrescentou. Os vândalos normalmente riscam as caixas coletoras, que são feitas de fibra de vidro, arrancam adesivos dos Correios e quebram o equipamento. Elas são padronizadas e compradas em Brasília. O custo por unidade não foi informado pela gerência de distribuição da empresa e nem quanto é gasto com manutenção. Os bairros Cruz das Almas, Jatiúca e outros localizados próximo à orla marítima de Maceió registram os maiores índices de ação de marginais em equipamentos públicos, mais especificamente em caixas coletoras de correspondência. ?Os carteiros contam que os vândalos até colocam animais mortos dentro da caixa para assustar. Também são encontrados bilhetinhos para serem entregues a moradores da rua?, conta o gerente de distribuição dos Correios. Além da capital, os municípios de Arapiraca, Penedo e Palmeira dos Índios também contam com esse tipo de equipamento da ECT, que recebe correspondência. ?Pelo próprio perfil dessas cidades, não existe a necessidade de mais distribuição dessas caixas?, lembrou o funcionário da empresa. Ele conta ainda que as caixas mais procuradas pelos moradores ficam localizadas em frente a hotéis. ?Não há alterações significativas ao longo dos anos?, lembrou Rocha. ### Ladrões de olho no cobre e no alumínio Os equipamentos danificados são levados para a garagem da empresa dos Correios, no Tabuleiro do Martins, para os devidos reparos e, em seguida, a reposição nas ruas. As caixas de recebimento de correspondência privadas, que ficam nas próprias residências, também estão sendo danificadas por vândalos. Os moradores de Cruz das Almas confirmam o prejuízo, que atinge mais precisamente os que residem no conjunto Jardim Beira-Mar, localizado no bairro. ?São inúmeras reclamações que recebemos aqui. Os marginais detroem e levam caixas protetoras de registro de água, de energia e de correspondência. É um absurdo?, relatou a vice-presidente da Associação dos Moradores de Cruz das Almas, Sebastiana Gomes de Barros. A própria vice-presidente também foi vítima. ?Já arracaram três caixas de energia da minha casa?, contou Sebastiana Gomes. Ela destacou que o alvo dos marginais, na verdade, é o alumínio, material encontrado na maioria desse tipo de equipamento. ?Essa é uma reclamação geral. Tem gente que está desistindo de deixar a caixa fora e outras pessoas estão colocando até grades para proteger o equipamento?, acrescentou. Esse é o caso de uma pequena loja de roupas, localizada próxima à residência da vice-presidente da associação. Sebastiana Gomes lembra que a ação de marginais no bairro tomou proporções inacreditáveis. ?Outro dia eles queriam arrancar a grade de uma casa, por causa do alumínio. Os marginais não estão perdoando nada. Eles estão levando até a tampa das caixas de registro de água, da Casal. Todo o bairro está sendo alvo dos marginais?, relatou a líder comunitária. Ela lembrou que inúmeras vezes foi solicitado policiamento para o bairro. ?A vida da gente é solicitar policiamento para cá. Acredito que mais da metade dos moradores daqui foi vítima da ação dos bandidos?, relatou a líder comunitária. A informação é confirmada por outro morador de Cruz das Almas, que prefere não se identificar. ?Há aproximadamente dois meses levaram a tampa da caixa de registro de energia da minha casa. Isso aconteceu também com a minha vizinha. Resolvi providenciar outra caixa para evitar transtornos, porque tenho dois filhos e tenho medo de incidentes com o registro exposto, sem proteção. É perigoso?, relatou o morador. |RC ### AL é o 3º em vandalismo de orelhões Outro alvo da ação de vândalos é o telefone público. Dados colhidos no mês de maio deste ano pela empresa Telemar apontam que Alagoas ocupa a terceira colocação entre os estados brasileiros em atos de vandalismo contra esses equipamentos. A gerente de relações institucionais em Alagoas da Telemar, Lavínia Guimarães, conta que a cada mês por volta 950 telefones públicos são vandalizados. ?Sentimos que essa ação tem aumentado nos últimos meses. Somente nos seis primeiros meses deste ano foram gastos em recuperação de aparelhos aproximadamente R$ 600 mil?, relatou a gerente. Os dados revelam que as cidades de Maceió, Arapiraca e Rio Largo lideram o ranking em atos de vandalismo contra orelhões em Alagoas. ?Por duas vezes os vândalos roubaram o telhado da central telefônica do Benedito Bentes. Por causa disso a população dessa região ficou cerca de seis horas sem telefone?, lembrou Lavínia Guimarães. Existem em Alagoas 18.350 telefones públicos, desses, 7.750 estão distribuídos pelas ruas da capital. Em relação a Maceió, o bairro que registra mais depredações contra os telefones públicos é o Tabuleiro do Martins. ?Além dele, os bairros Clima Bom, Benedito Bentes e Jacintinho também são problemáticos. A maioria desses telefones, cerca de 85%, está instalada em área externa. Além dos atos de vandalismo, a empresa também tem registrado com uma certa freqüência o roubo de cabos?, acrescentou Lavínia Guimarães. Cabos de cobre A Companhia de Saneamento e Abastecimento d?Água de Alagoas (Casal) também registra altos índices de prejuízos. O chefe do setor de Operações da empresa, José Reinaldo Silva, revela que numa mesma localidade, entre os bairros da Gruta e do Farol, conhecido como Alto do Reginaldo, três poços de abastecimento de água foram alvo da ação de marginais. ?Tivemos que concretar a área para evitar mais prejuízos. Aqui cortaram cabos para a retirada de cobre. Numa quantidade que acho bem insignificante para eles?, disse. Um dos poços tem vazão média de cem metros cúbicos por hora e pode atender cerca de 5 mil pessoas. A quantidade de cobre retirada é considerada pequena, mas reflete em elevados custos para a reposição dos serviços pela empresa. A cada roubo a Casal contabiliza um prejuízo aproximado de R$ 5 mil. |RC