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Espanhol obrigat�rio em AL s� em 2007

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| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter O ensino de língua espanhola para os alunos do ensino médio nas escolas das redes pública e privada de todo o País passou a ser obrigatório a partir de agosto, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 11.161/2005. Pela lei, o ensino de espanhol deve ser incluído gradativamente nos currículos, no prazo máximo de cinco anos. Entre os maiores desafios para aplicação da lei estão a formação de professores para atender à demanda e oferecer às escolas estrutura e material didático-pedagógico. Em Alagoas, ainda não existe um levantamento sobre o número de professores de espanhol que será necessário para atender todas as escolas de ensino médio do Estado, entre públicas e privadas. Mas o próprio coordenador de ensino da Secretaria Executiva de Educação, Neilton Nunes, reconhece que a maior dificuldade para aplicação da lei hoje é o inúmero insuficiente de professores para atender às necessidades da rede. Por isso, informou que a Secretaria Estadual de Educação só pretende implantar o ensino de língua espanhola nos currículos da escola de ensino médio a partir de 2007. Já se preparando para o futuro, no último concurso público realizado pela Secretaria de Educação, este ano, já foram abertas vagas para professores de espanhol, mas em número ainda reduzido. Pela lei sancionada pelo presidente Lula, caberá aos Conselhos Estaduais de Educação (CEE) emitir as normas necessárias à execução da lei. O presidente do CEE em Alagoas, Hélcio Verçosa, adiantou que qualquer decisão a ser tomada será negociada com as secretarias estadual e municipal de Educação. ?Não adianta o conselho determinar regras que não possam ser aplicadas pelas secretarias?. ### Alunos disputam vagas em curso gratuito de espanhol Já a rede privada terá dois caminhos para cumprir a lei: incluir o ensino de espanhol em aulas convencionais no horário normal dos alunos ou implantar cursos e centros de estudos de língua moderna. A Secretaria Executiva de Educação mantém no Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa) o Instituto de Línguas, que oferece cursos gratuitos, com duração de dois anos, de inglês, espanhol e francês. Mas o número de vagas ofertado a cada semestre é pequeno para a grande procura. Isso obriga a uma verdadeira disputa pelas vagas. Os candidatos têm de enfrentar longas filas, que começam a ser formar ainda de madrugada nos dias de inscrição. O curso de espanhol foi implantado há apenas quatro anos, mas já se tornou um dos mais procurados. A professora Rosa Maria Fragoso de Barros, que participou da implantação do curso, disse que o ideal, no caso do ensino de língua estrangeira, era que as turmas tivessem o menor número de alunos possível, para facilitar o aprendizado. Mas devido à grande procura, algumas turmas do Instituto de Línguas hoje chegam a ter 35 alunos. O instituto tem mais de 500 alunos matriculados nos três cursos que oferece. São pessoas como Ubiradeti Gomes, 22, e Wagner Henrique da Silva, 28. Ex-alunos de escolas públicas, eles não tiveram oportunidade de estudar espanhol durante o ensino médio. Ubiradeti disse que foi obrigada a optar no Processo Seletivo Seriado (PSS) da Ufal pela prova de inglês, porque não teve espanhol na escola. ?Se tivesse espanhol quando eu fazia ensino médio, eu não teria optado por inglês?. ### Rede pública tem 400 professores de espanhol O chefe do Departamento do curso de Letras e coordenador da Casa de Cultura Latino-americana da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Eduardo Magalhões Júnior, acredita que o prazo de cinco anos para que todas as escolas passem a oferecer o espanhol como disciplina obrigatória é muito curto, diante da carência de professores da área e pela necessidade de estruturação da escola, com material didático-pedagógico para o ensino do idioma. Apesar de considerar a iniciativa positiva, Eduardo Magalhães disse que superar o número reduzido de professores na área será o maior desafio para aplicação da lei visando oferecer ensino de qualidade. ?É preciso uma infra-estrutura mínima, como aparelho de som, biblioteca, material didático, porque se não tudo vai depender da dedicação dos professores?. Ele disse que mesmo com o sucesso do curso de espanhol da Ufal, a própria universidade enfrenta problemas. ?Temos hoje no quadro do curso apenas quatro professores de língua espanhola?. Por ano, são ofertadas 60 vagas para o curso de espanhol, que somadas as do turno noturno chegam a 100. Ele afirma que a demanda por professores de espanhol com a lei será maior que a oferta atual. Só na rede pública de ensino, são mais de 400, sendo 145 de nível médio. Mas o interesse pela língua hispânica está possibilitando avanços na área acadêmica, como a implantação, daqui a quatro anos, do mestrado em espanhol na Ufal. Hoje, a universidade já oferece mestrado e doutorado em língua portuguesa. Eduardo Magalhães afirma que os baixos salários oferecidos pela rede pública afastam os profissionais da área. Magalhães reconhece que a cada dia cresce o número de pessoas interessadas em aprender espanhol. ?Mas o interesse das pessoas tem como causa a facilidade em aprender, por ser um idioma parecido com o português?. Para o presidente do CEE, Hélcio Verçosa, tanto do ponto de vista cultural quanto do político a medida foi acertada. ?Do ponto de vista político é importante, porque o brasileiro precisa se sentir latino-americano. Além do contexto do Mercosul, no qual o Brasil defende a hegemonia desse bloco econômico, ter um povo que domina a língua espanhola é muito bom, além do ponto de vista da integração?. Hélcio reconhece que ?infelizmente?, o domínio do inglês ainda é fundamental, por ser a língua mais falada no mundo. |FAS

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