Cidades
Altera��es no projeto adiam nova Ceasa
| FÁTIMA ALMEIDA Repórter Considerada uma obra de urgência, devido à situação de estrangulamento do local onde funciona atualmente, no centro de Maceió, a nova Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa), na Forene, ainda vai levar pelo menos quatro meses para ser inaugurada. Ela chegou a ser incluída no mesmo pacote de grandes obras que seriam inauguradas pelo governo neste semestre, junto com o Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares e o Centro de Convenções, mas a previsão, que antes era para o mês de agosto, foi adiada para dezembro e, agora, já se fala em janeiro ou fevereiro de 2006. Os motivos do atraso são diversos, segundo o engenheiro Carlos Alberto Moraes, presidente do Serveal, órgão responsável pelo projeto e fiscalização da obra. Entre eles são citadas algumas alterações no projeto original, visando ampliar os princípios de modernidade, e a negociação de um terreno pertencente à antiga Forene, que ampliaria ainda mais a área de extensão da nova Ceasa. As alterações, segundo ele, levaram cerca de quatro meses entre os estudos e a nova forma, mas já foram inseridas na obra, que está sendo tocada e já executada em cerca de 70%. Quanto ao terreno, o Estado teve que adiar a idéia de desapropriação. ?O dono não aceitou o valor quantificado na avaliação e não houve um consenso. Fica para o futuro?, explicou Carlos Alberto. Redução de área Isso obrigou a Serveal a ajustar o projeto, reduzindo o tamanho de três galpões, mas, segundo o presidente do órgão, não comprometeu a capacidade de acomodação dos negócios pretendidos para a estrutura que está sendo construída. Ele assegura que, quando ficar pronta, a nova Ceasa terá espaço para todos os que já trabalham com vendas de gêneros alimentícios em grosso na estrutura precária da sede antiga da Levada e até em prédios próprios no entorno do mercado da Produção, e ainda fica com uma margem de 30% para ocupações futuras. A área construída, que hoje é de 5 mil metros quadrados, será de quase 25 mil metros quadrados. ?Teremos um galpão medindo 40x100m, outro com 20x100m e três (que foram reduzidos) ficaram com 20x50 metros?, explica Carlos Alberto. Devido à falta de entendimento em relação ao terreno, a área total da nova Ceasa, no Tabuleiro, que seria de 70 mil metros quadrados, reduziu para 50 mil metros quadrados. Em compensação, o orçamento inicial do projeto, que era de R$ 9,3 milhões, baixou para R$ 8,8 milhões, segundo o presidente do Serveal. Os recursos são 100% do Estado. Também terá, no local, a estrutura administrativa com espaço para o funcionamento do Instituto de Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Alagoas (Ideral), órgão gerenciador da Ceasa, e um amplo estacionamento que deverá render ao órgão um faturamento de cerca de R$ 50 mil por mês. A perspectiva é de que a nova Ceasa possa triplicar o faturamento do órgão com o aluguel dos espaços, hoje em torno de R$ 80 mil. Mesmo na situação em que se encontra, a Ceasa movimenta cerca de R$ 10 milhões mensais. Segundo dados do setor de abastecimento do Iteral existem, hoje, cerca de 600 permissionários atuando, além de cerca de 3 mil comerciantes que ficam no entorno do mercado. Todos eles foram cadastrados para a nova Ceasa, mas só para venda no atacado. Lá, não haverá espaço para o varejo. ### IMA proíbe atividade que atraia urubus A nova Central de Abastecimento de Alagoas conseguiu a licença ambiental de implantação em junho do ano passado, mas algumas polêmicas ainda terão que ser superadas antes de entrar em operação. A área é muito próxima do aeroporto e da reserva do Catolé, responsável pelo abastecimento de água de 20% da população de Maceió. Portanto, terão que ser adotadas providências com o objetivo de evitar a proliferação de urubus e a contaminação dos mananciais. A licença de implantação aprovada pelo Conselho Estadual de Proteção Ambiental tem uma série de restrições e recomendações que devem ser tratadas até a próxima licença, provavelmente a de operação. ?Se não apresentarem todos os documentos comprovando as providências adotadas, não terão uma nova licença?, explicou Ricardo César, diretor-técnico do Instituto do Meio Ambiente (IMA). Entre as recomendações do órgão, o empreendedor deve apresentar documento do comando aéreo regional liberando o espaço aéreo; um plano de uso e ocupação do entorno da nova Ceasa, que impeça a proliferação de atividades potencialmente que atraiam urubus, a exemplo de abatedouros e frigoríficos; e um documento da Prefeitura de Maceió que proíba o processo de favelização no local. Também caberá ao Estado promover o isolamento do entorno do reservatório do Catolé e patrocinar o zoneamento e plano de manejo da Unidade de Conservação. Outras providências exigidas no documento do IMA são um projeto viário aprovado pelo Denit e DER quanto à adequação das rodovias existentes; plano detalhado de gerenciamento de resíduos sólidos, com pontos de coleta, além de projetos de drenagem e pontos de lançamento de águas pluviais; e de coleta e tratamento dos esgotos sanitários. De acordo com o diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Alagoas (Ideral), Corintho Campelo da Paz, todas as providências estão sendo adotadas. Ele explica, por exemplo que houve análises técnicas de especialistas em aves, para comprovar que exercendo só atividades vegetais (hortifruti e grãos), não há possibilidade de a Ceasa atrair aves como urubus. Segundo ele, há também um projeto de arborização interna da nova Ceasa, para minimizar o impacto ambiental. |FA ### Obra já atrai novos negócios no entorno A mudança de endereço, com a ampliação do espaço, vai incrementar os negócios dentro da Ceasa. Mas é do lado de fora, enquanto a estrutura vai sendo montada, que a comunidade já se prepara, animada, para receber o novo vizinho, com perspectiva de vida nova e mais promissora para o bairro. O comerciante Ronald Alisson já enxergou longe. Morando há 23 anos em frente ao terreno da nova Ceasa, onde explora um pequeno comércio de refeições, a família já está ampliando o espaço para se transformar em restaurante. A casa ganhou um anexo onde vai funcionar uma pequena pousada, de olho nos comerciantes e caminhoneiros. Desde que começou a construção da nova Ceasa, a família de Ronald não conta as propostas de compra e de aluguel do prédio. ?Valorizou a área. Tem muita gente querendo se instalar por aqui?, diz ele. De acordo com o diretor do Ideral, a nova Ceasa será implantada dentro de um conceito moderno, que oferece ao cliente não só os gêneros de hortifruti, mas todos os de consumo possíveis de serem comercializados no local, e até mesmo serviços considerados essenciais, como posto de abastecimento de combustível, loja de pneus e estrutura bancária. Bancos e lojas A nova estrutura abrigará cinco galpões: um deles destinado ao produtor, com 192 lojas de 50 metros quadrados cada, 800 pedras, oito lanchonetes, um restaurante e áreas reservadas a serviços bancários e de atendimento médico. O estacionamento terá capacidade para 220 vagas para permissionários e mais 620 para o público, além de 192 vagas para descarregamento simultâneo de caminhões. ?Estamos trabalhando dentro de um conceito totalmente novo. A Ceasa de Alagoas será uma referência de modernidade para o Brasil?, explica Corintho Campelo. A Ceasa de Maceió foi construída no bairro da Levada há quase 30 anos e há muito está saturada em sua capacidade de atender ao volume de mercadorias comercializadas no local. O projeto original tinha capacidade operacional para 3.500 toneladas de produtos por mês. Hoje opera com cerca de 10 mil toneladas. Por isso, sua transferência para outro local é considerada tão urgente. No projeto em construção, a capacidade é para 16 mil toneladas. Calcula-se que todos os dias, cerca de 100 caminhões descarregam no local, embora o estacionamento tenha capacidade para apenas 50 caminhões. Por causa das condições, a Ceasa de Alagoas vem perdendo mercado para outros estados. ?Os municípios da Região Norte abastecem em Pernambuco, mas com a nova Ceasa teremos condições de resgatar essa clientela e atender a todo o Estado?, garante o presidente do Iteral. A mudança, no entanto, não tem animado pequenos comerciantes que atuam na região do centro. Eles compram na Ceasa e transportam a mercadoria em carros de mão até os pontos-de-venda. Com a nova Ceasa, distante cerca de 25 quilômetros do centro, esses comerciantes terão que pagar transporte, ou mudar de ramo, o que, para muitos, vai ser sinônimo de desemprego.