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Cidades

Bar mistura bebida, caix�o de defunto e conversa animada

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| REGINA CARVALHO Repórter Cerveja, cachaça, tira-gosto e caixão. Tudo isso pode ser encontrado em um inusitado estabelecimento comercial que virou atração para turistas, até estrangeiros, e orgulho dos moradores de Pilar, a 30 quilômetros de Maceió. O nome não poderia ser mais sugestivo: Bar do Caixão. O proprietário é José Cardoso da Silva, 63 anos, mais conhecido como Balalá. Apelido que ganhou quando era ainda criança. ?Vivo do comércio há 40 anos. Estudei pouco porque tinha que ajudar meu pai?, lamentou o comerciante. Quando Balalá abre as portas do seu ?bar-funerária? às 6 horas, já encontra os primeiros clientes a sua espera. Em meio a goladas de cachaça, cerveja gelada, imagens de Padre Cícero e papo de pescador e aposentado, estão caixões de defunto, fabricados em Aracaju (SE) e comprados a um comerciante do ramo em Teotônio Vilela. A idéia inusitada de unir situações tão diferentes em um só local surgiu há muito tempo. O pai de Balalá, João Cardoso da Silva, resolveu, por necessidade financeira, abrir um bar e colocar caixões à venda. ?Meu pai fabricava os caixões nos fundos da nossa casa e colocava para vender, dentro do bar. Nesse tempo a nossa casa ficava na praça central da cidade?, contou o proprietário do Bar do Caixão. Atualmente, Balalá sustenta pelo menos oito pessoas da sua família com o bar e funerária, em pequeno espaço alugado ao comerciante por R$ 100. No terceiro casamento, cinco filho e três netos, ele diz que não quer mudar de ramo. ?Resolvi colocar uma funerária aqui para ajudar no sustento da minha família. Só deixo esse ramo quando morrer?, ressaltou. Turista no caixão Ele conta com orgulho que turistas têm freqüentado seu bar. ?Uma vez uma turista da Itália esteve aqui e pediu para eu abrir um caixão para ela tirar uma foto dentro dele. Depois outras pessoas também queriam fazer a mesma coisa?, conta. O que era para ser um ambiente fúnebre, na verdade é pura descontração. Muito bate-papo regado à cachaça, siri e a tradicional galinha caipira, que virou a marca do Bar do Caixão. ?Nós nascemos e um dia temos que morrer. A vida é assim. Se o ?seu? Balalá abrir uma filial dentro do cemitério, nós vamos para lá?, conta o aposentado Cícero Santos, 60 anos, cliente assíduo do bar. Questionado se é o bar ou a funerária que proporciona mais lucro, Balalá é taxativo e diz que ganha mais com a comercialização de caixões. ?O lucro é maior com a funerária. Por mês vendo de quatro a cinco deles?, completa. O preço varia entre R$ 300 e R$ 800. Ele relata que mesmo vendendo caixões não tem interesse em fazer velórios no seu estabelecimento. Balalá só não permite música em seu ambiente, mas os clientes também não se importam. ?Não quero som dentro do bar. Lá fora tudo bem, mas aqui dentro não. Não gosto de zoada?, afirmou o proprietário do estabelecimento. Há 12 anos, ?seu? Balalá deixou de beber por causa de problemas de saúde. Hoje freqüentamente ele vai ao médico monitorar sua pressão arterial. ?Meu sonho agora é comprar um veículo para transportar os caixões. Acho que isso ia ajudar muito no meu trabalho?, confessa. Já pensando no futuro, ele quer que um dos filhos assuma seu lugar, à frente dos negócios. ?Tenho um filho de 29 anos com quem tenho conversado sobre o assunto?, ressalta Balalá. O aposentado Carlos Ramos dos Santos, 68 anos, é cliente fiel do bar. ?Venho todos os dias. Não tenho mais o que fazer na vida. Criei sete filhos e estão todos empregados. Estou com a vida que pedi a Deus?. Ele não fica constrangido por freqüentar o ambiente. ?Eu não tenho medo da morte. Todo mundo terá que ir um dia, mais cedo ou mais tarde?, explica o aposentado.

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