Cidades
MST ocupa Incra e mant�m 20 ref�ns
| CARLA SERQUEIRA Repórter O clima continua tenso na Fazenda Riachão, em Joaquim Gomes. Na última quinta-feira, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) se enfrentaram armados. Durante o confronto, um agricultor foi baleado e outros três, feridos com golpes de facão. A briga é pelas terras da Usina Agrisa, complexo de massa falida espalhado pelo Estado, com aproximadamente 3 mil hectares. Em áreas próximas, na mesma fazenda, permanecem acampadas 80 famílias do MST e 90 do MLST. Para cobrar atitudes do poder público, o MST chegou ontem, por volta das 10h, ao Instituto de Colonização de Reforma Agrária (Incra), situado na Praça Sinimbu, no Centro de Maceió. De lá só saíram às 17h30, depois de manterem vinte funcionários do órgão em seu poder. ?Queremos que o Incra agilize o processo de desapropriação de todas as terras da Agrisa e que a polícia realize buscas no acampamento do MLST a fim de apreender armas?, explicou Eron Domingos da Rocha, um dos coordenadores do MST que diz estar havendo ameaças de morte por parte do MLST. ?Durante a noite, um carro chega ao acampamento deles levando armas. No começo da manhã, o carro volta e recolhe o armamento?, afirma. Os funcionários do Incra só foram liberados quando o Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar chegou à sede do órgão, às 15h. Alguns, para almoçar, resolveram driblar os sem-terra e pular o portão. ?Quando eles deram um vacilo, eu e mais uns quatro pulamos. Estávamos lá dentro numa boa, mas deu a nossa hora de almoçar e foi o jeito que encontramos. Não iríamos enfrentá-los?, contou o economista José Monteiro, dizendo que os sem-terra chegaram pedindo uma reunião com o ouvidor regional do Incra, Marcos Antônio de Araújo Bezerra. ### Sem-terra pedem segurança em fazenda Cerca de 50 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) se reuniram com o ouvidor agrário do Incra em Alagoas, Marcos Antônio Bezerra, por mais de cinco horas. Eles pediam uma reunião entre o órgão e demais movimentos de sem-terra para discutir a divisão das terras da Agrisa, mas queriam barrar a participação do MLST. ?Não aceitamos nos reunir com o movimento que é chapa-branca do Incra?, disse o coordenador do MST Eron Domingos. O ouvidor agrário Marcos Antônio Bezerra explicou que as terras da Agrisa são de interesse dos quatro movimentos e não poderia excluir um deles das negociações. ?O superintendente Gino César não admite se reunir com apenas três movimentos?, afirmou, dizendo que a solução foi agendar reuniões individuais, com cada movimento, e depois encaminhar as propostas para o setor técnico do Incra avaliar. A primeira reunião será entre o superintendente Gino César e o MST, na próxima sexta-feira, às 10h. O major Marcos Sampaio, do Centro de Gerenciamento de Crises da PM, acompanhou as negociações. Sobre os funcionários mantidos em poder do MST, ele afirmou que não poderia considerar que os mesmos foram feitos reféns. ?O cárcere não ficou caracterizado. Quando chegamos, não houve nenhum impedimento para liberar o pessoal?, explicou, dizendo que o secretário de Defesa Social Robervaldo Davino solicitou ao juiz da comarca de Joaquim Gomes autorização para realizar buscas de armas nos acampamentos. Hoje o MST se reúne com o secretário Davino, enquanto o MLST realiza passeata em Joaquim Gomes pedindo segurança na Fazenda Riachão.|CS