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Casar�o do s�culo passado vai ao ch�o

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CARLA SERQUEIRA Repórter Depois da polêmica demolição da Casa Rosa, na Pajuçara, mais um casarão datado do início do século XX é derrubado em Maceió. Sem autorização da prefeitura, o prédio onde funcionava a churrascaria O Gaúcho, situado ao lado do Museu Théo Brandão, no Centro, veio abaixo há menos de um mês. Na casa, reduzida a escombros, moraram alguns escritores importantes da literatura brasileira. Foi lá que, na década de 30, o romancista paraibano José Lins do Rêgo escreveu alguns livros, entre eles Riacho Doce e Menino de Engenho. A casa, segundo o ex-presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC), Francisco Valois, também foi ponto de encontro de escritores renomados, entre eles Raquel de Queiroz, o poeta Armando Wucherer e o dicionarista Aurélio Buarque de Holanda. A demolição foi feita ?na calada da noite?. A coordenadora do Pró-Memória, um departamento da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), afirmou ter recebido uma denúncia dias antes de o prédio ser derrubado. ?Por telefone alguém pediu para ter cuidado com o casarão porque estavam destelhando e provavelmente iriam demolir?, contou, dizendo ter repassado a informação para a prefeitura, responsável pela proteção. A denúncia chegou a Aderciane Souza, integrante da Unidade Executora Municipal (UEM), setor da Secretaria de Planejamento do município. Segundo ela, as casas antigas do Jaraguá e do Centro foram tombadas em 1996 e 1997, respectivamente, e qualquer interferência nelas só poderia ser feita com autorização da prefeitura. A demolição chegou a ser embargada pela Secretaria Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU), mas em um fim de semana a ordem foi desobedecida, conforme relato de Aderciane Souza. ?Infelizmente é mais uma casa histórica a desaparecer da cidade. Temos apenas 188 anos. O Estado é muito jovem para tanta demolição. Nossa história é recente e não merece ser apagada a todo instante?. A Gazeta ouviu um comerciante instalado próximo ao casarão demolido. Ele não quis ser identificado, mas disse que o prédio foi vendido por causa dos constantes assaltos na região. Segundo ele, a churrascaria havia sido invadida por bandidos poucos dias antes de ser vendida. Funcionários do Museu Théo Brandão contaram que no local será construído um estacionamento. Os donos da churrascaria e os atuais donos do terreno foram procurados, mas não foram encontrados. A Gazeta tentou falar com o presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC), Marcial Lima, mas o seu telefone estava desligado.

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