Cidades
MLST marcha contra a viol�ncia no campo
| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Joaquim Gomes - Cerca de 600 acampados do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) fizeram ontem de manhã uma marcha contra a violência, percorrendo 12 quilômetros a pé da Fazenda Serra Talhada, localizada nas terras da falida Usina Agrisa, até a cidade de Joaquim Gomes. A marcha ocorreu menos de uma semana depois de um conflito armado entre militantes do MLST e do Movimentos do Sem-terra (MST) que disputam a posse dos 20 mil hectares das terras da Agrisa, cujo processo de desapropriação está em tramitação no Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Brasília. Foram duas horas de caminhada pela BR-101, sob sol forte, mas que não foi suficiente para tirar o ânimo dos sem-terra, que carregando faixas cantavam e diziam palavras de ordem em favor da reforma agrária. A concentração começou por volta das 8 horas em frente à antiga sede da Usina Agrisa. De caminhão, cerca de 150 trabalhadores rurais saíram do local e se reuniram a centenas de outros acampados da Fazenda Pedra Talhada. Às 10 horas, escoltados por policiais da 3ª Companhia da Polícia Militar, sediada em Joaquim Gomes, os sem-terra começaram a caminhada até a cidade. Como apenas um lado da pista foi ocupado pelos sem-terra, o tráfego não foi interrompido. Mas os caminhoneiros não escondiam o incômodo com a presença dos sem-terra. Carregando a filha Camila, 2 anos, nos ombros, Fabiana Soares da Silva, 25, fazia sua primeira caminhada como integrante do MLST. Ela, o marido e dois cunhados estão acampados nas terras da Usina Agrisa há nove meses. Vieram de Atalaia, depois de não encontrar mais emprego nas usinas de cana-de-açúcar da região. Os patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal só chegaram ao local da marcha por volta das 11 horas, porque estavam trabalhando em um acidente ocorrido também na BR-101, nas proximidades da Reserva Biológica de Murici. Em Joaquim Gomes a chegada dos sem-terra não afetou a rotina da cidade. CLIMA TENSO A marcha foi uma tentativa de acalmar os ânimos na região, que andam tensos há vários meses e culminou com o conflito na quinta-feira passada, com integrantes do MST. Segundo o coordenador estadual do MLST, Marcos Antônio da Silva (Marrom), o clima continua tenso na área. Cerca de 600 famílias ligadas ao MLST ocupam há 16 meses as fazendas Pimenta, Pedra Talhada, Urucuzinho, Riachão e São Caetano, que fazem parte da Usina Agrisa, fechada há quase três anos.