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Periferia sofre com lixo, esgoto e doen�a

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| CARLA SERQUEIRA Repórter Rio Largo - A periferia de Rio Largo está entregue ao lixo e ao esgoto. A Gazeta esteve em três bairros do município e não faltaram reclamações dos moradores. Muitas crianças estão adoecendo; a fedentina tem incomodado durante a noite e o início da manhã; dezenas de casas ainda são de taipa, tornando a ameaça do besouro barbeiro, transmissor da doença de Chagas, constante. O problema maior do logradouro Cucaú é a falta de calçamento e saneamento básico. ?Mosquito é o que não falta por aqui?, diz o soldador desempregado José Expedito, que há 11 anos mora no bairro. Segundo ele, os próprios moradores improvisam tampas de papelão para barrar o mau cheiro que exala do esgoto. ?Desde que vim morar aqui escuto promessas de políticos dizendo que vão calçar a rua, mas até agora nada?, reclama. Para as crianças, o perigo é maior. ?A todo instante, as crianças pisam nesta lama que vem do banheiro das casas diretamente para a rua. Já vieram medir várias vezes, mas nunca construíram nada nesta rua?, diz Rosineide Félix, mãe de quatro filhos e também moradora de Cucaú. Ela afirma que um de seus filhos adoeceu recentemente. ?Estava com diarréia por causa desta imundície?, alerta. No bairro chamado Mutirão, além do esgoto que corre a céu aberto, os moradores convivem com o lixo. A coleta não é feita regularmente e o acúmulo de sujeira tem afetado também os idosos. Quem fazia o trabalho de recolher o lixo era Manoel Deda da Silva, um senhor de 68 anos. ?Teve vez de passar três meses sem coleta. Se eu não juntasse, o lixo era capaz de entrar em minha casa ou entupir de vez o esgoto?, conta ele. Seu Manoel varria a rua e queimava o lixo, até que precisou ser internado por causa da fumaça que inalava. ?Esse esgoto na minha porta está me matando. Depois que vim morar aqui, nunca mais tive saúde?, reclama o idoso, que chegou a colher 76 assinaturas para solicitar à prefeitura coleta de lixo. ?Fui de casa em casa. Todo mundo assinou. Levei pra prefeitura, mas nada aconteceu?, diz ele. Quando a reportagem chegou em Lourenço de Albuquerque, outro bairro da periferia de Rio Largo, os moradores deixaram suas casas para pedir que a equipe testemunhasse os problemas que enfrentam. As ruas estão calçadas, mas nenhum saneamento foi feito. ?Água também não tem?, revela Maria Aparecida Ramos, 28 anos e mãe de duas crianças. ?O jeito é pegar água de uma cacimba em que até sapato já foi encontrado dentro?, diz ela, chamando atenção para o risco de deslizamentos. ?Se chover, estas casas podem cair?, avisa. Em uma das casas moram Helena dos Santos Silva, 41 anos, e seus quatro filhos. ?Tive que improvisar uma escora para a parede não desabar?. Caso desabe, boa parte de sua cozinha vai cair em uma vala por onde escorre o esgoto de dezenas de casas. ?Aqui o problema é também o barbeiro [transmissor da doença de Chagas]. Temos que colocar veneno todos os dias?, conta Maria Aparecida, dizendo que a incidência de ratos do tipo guabiru é grande. Na parte alta do bairro está o Conjunto José Alexandre, construído há cerca de dois anos. A chuva destruiu o acesso ao local. Uma escada de madeira foi improvisada, mas tem causado acidentes. ?De vez em quando, as crianças caem. É perigoso?, diz Milton Felício da Silva, 52 anos. A prefeita Vânia Paiva afirmou que R$ 4 milhões serão investidos no bairro Mutirão e mais R$ 400 mil serão utilizados na construção de 80 casas em Lourenço de Albuquerque. Já para Cucaú não há previsão de recursos, apenas idéias.

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