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Fam�lias voltam a invadir �rea da Ceal

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FÁTIMA ALMEIDA Repórter As 35 famílias despejadas do terreno da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), no Jardim Petrópolis II, e colocadas há cerca de um mês num galpão da Secretaria Municipal de Educação (Semed), no Bom Parto, voltaram, ontem, a ocupar o terreno. Elas dizem que foram abandonadas no local, e que cansaram de esperar uma solução do poder público. Ontem, no terreno, o clima era de muito trabalho para levantar barracos de madeira e de lona, que substituirão as casas derrubadas por decisão judicial. Da ação de despejo, efetivada no dia 30 de agosto, escaparam apenas 13 famílias cujas casas estão mais distantes dos fios de alta-tensão, utilizados como argumento, pela Ceal, para requerer a desocupação do terreno. As outras 35 tiveram as casas demolidas e foram levadas, juntamente com seus pertences, para o galpão da Semed, onde ficaram até a manhã de ontem. CASAS DE ALUGUEL A prefeitura prometeu alugar casas por um período de três meses para abrigar essas famílias, mas a idéia não foi bem-aceita pelos despejados, que queriam uma solução para o seu problema. ?Além disso, o processo tem tanta burocracia que os donos das casas que seriam alugadas desistiram. Eles teriam que ir na secretaria (de Habitação) para assinar o contrato?, diz Silvan Cícero da Silva, um dos ex-alojados do galpão. Ele apontou também a situação de abandono em que as famílias ficaram, apesar de destacar a ?sensibilidade? da Secretaria Municipal de Assistência Social. ?As famílias só receberam cestas básicas no primeiro dia, e como estavam numa área estranha, não tinham como sobreviver. Além disso, as condições de higiene eram as piores possíveis. O lixo se acumulou e os dois banheiros químicos que atendiam 14 pessoas ficavam até 15 dias sem manutenção. Não dava para continuar no local nessa situação de abandono?, disse Silvan. De volta ao terreno, eles ocuparam os antigos lotes e iniciaram, ontem mesmo, a construção de alojamentos de madeira e barracas de lona. ?As pessoas perderam tudo. Muita gente se endividou até hoje para construir essas casinhas que foram demolidas. Ninguém tem condições de construir novamente, se não houver ajuda do poder público. Vamos ficar por aqui. Para o galpão ninguém volta mais?, diz Antônio Roberto dos Santos. Muitas pessoas ainda estão traumatizadas com as lembranças do dia do despejo. Severino Antônio do Amor viu sua casa e seus sonhos desabarem em poucos minutos e diz que até hoje vive nervoso. As crianças, que também viveram a tensão com o enfrentamento da polícia durante o despejo das famílias, também ficaram traumatizadas. ?Mesmo no alojamento, as crianças não podiam ouvir uma sirene da polícia que começavam a chorar?, diz Severino Antônio. ?Vamos recorrer? O diretor-administrativo da Ceal, Rodrigo Gaia, disse que a empresa vai recorrer novamente à Justiça e exigir a reintegração de posse do terreno. Segundo ele, mesmo com o despejo das 35 famílias, a área não chegou a ser devolvida pela Justiça por causa das 13 que ficaram aguardando providências da Secretaria Municipal de Habitação que, de acordo com ele, nunca foram tomadas. ?Continuamos esperando que a decisão judicial seja cumprida, e que o terreno seja devolvido à Ceal?, disse. ### Casas construídas foram derrubadas No início de agosto deste ano, a direção da Companhia Energética de Alagoas (Ceal) resolveu que mesmo com a possível reação dos moradores haveria a desocupação da área próxima ao Loteamento Jardim Petrópolis II, no Tabuleiro do Martins. Nesse mesmo período, a companhia tinha em seu poder a decisão judicial e estipulou o dia 18 do mesmo mês para derrubar as casas construídas. No dia 10 de agosto, técnicos da Ceal e da Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU) tentaram fazer cumprir a ordem judicial de desocupação, mas a operação foi suspensa. Já sabendo que seriam despejados, cerca de 200 moradores que invadiram a área da Ceal resolveram fazer um protesto no pátio da empresa, no Farol, no dia 15 de agosto. A maioria dos invasores vivia na Grota Santa Helena e suas casas foram destruídas e comprometidas com a forte chuva de 2004. A permanência deles era criticada por moradores do Loteamento Jardim Petrópolis II, que fizeram abaixo-assinado pedindo providências do poder público para retirá-los da área. Ainda no mês de agosto, no dia 18, representantes do Centro de Gerenciamento de Crise da Polícia Militar estiveram mais uma vez na área para, inutilmente, convencer as famílias a deixarem o terreno. Apesar dos apelos, no início da manhã do dia 30 do mesmo mês, uma megaoperação que envolveu 315 militares retirou as famílias. |RC

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