Cidades
Greve de banc�rios revolta clientes e provoca tumulto
REGINA CARVALHO Repórter Tumulto e revolta marcaram o primeiro dia de greve dos bancários em Alagoas. Clientes começaram a se aglomerar cedo defronte das agências bancárias e alegaram que foram pegos de surpresa. O caos tomou conta, ontem, dos bancos públicos e privados, principalmente do Centro de Maceió, que ficaram lotados e tiveram quase todos os serviços interrompidos. Idosos aglomeravam-se às portas das agências, maioria deles para buscar o dinheiro da aposentadoria e benefícios. ?Os aposentados não têm nada a ver com essa greve. O que é que eu vou dar para o meu marido almoçar. Precisava desse dinheiro agora?, reclamava Geruza Gomes da Silva, de 75 anos, que deixou o esposo de 91 anos em casa à espera do dinheiro da sua aposentadoria. ?Muita gente já saiu daqui chorando. É um absurdo. Não tenho culpa do problema deles?, acrescentou a dona-de-casa. Piquetes Enquanto isso, o comando de greve que fez piquete nas agências tentava conter a revolta dos clientes. ?A gente fica triste, mas é preciso fazer isso para ver se conseguimos sensibilizar os banqueiros que ganham rios de dinheiro as nossas custas. O fim da greve depende só deles?, informou Cláudio Gama Ferreira, que fazia piquete defronte da agência do Banco Itaú, na Rua do Sol, no Centro de Maceió. Maria do Carmo da Conceição mora no município de Viçosa e chegou no início da manhã para receber o dinheiro da pensão, no Itaú do Centro. ?Contava como certa que iria receber. Não tenho dinheiro para voltar para casa?, lamentou. Como ela, Ana Lúcia de Oliveira também saiu do interior para resolver pendências em Maceió. ?Saí às 4 horas da manhã de Teotônio Vilela para receber a aposentadoria do meu marido. Infelizmente, não dão informação à gente e ficamos aqui sem saber quando vamos ser atendidos?, disse. Cláudio Gama Ferreira, do comando de greve, disse que a adesão ainda não foi total porque faltam funcionários para fazer piquete nas agências. ?Na hora que os banqueiros quiserem, essa greve acaba. Infelizmente, falta mais pessoal para fazer esse trabalho?, informou. Doentes barrados Visivelmente debilitado, porque passou recentemente por uma cirurgia, Hernandes Magalhães aguardava boas notícias à porta da agência. Tentou em vão sensibilizar um funcionário da agência e membro do comando de greve. ?E agora como vai ser? Preciso de dinheiro para comprar o remédio porque estou operado?, disse o aposentado, que mora em Marechal Deodoro. De posse de vários exames médicos, Neuza Ferreira da Silva sofre com artrose e osteoporose e esteve na agência do Itaú na certeza de que receberia o dinheiro da sua aposentadoria para comprar os medicamentos. ?Hoje eu iria comprar os remédios. Desde cedo estou aqui e pelo jeito não vou conseguir receber meu dinheiro?, lamentou. ### No Centro, todas as agências fecharam Todas as agências de bancos públicos e privados do Centro, mais de 20, fecharam as portas ontem. O acesso aos caixas eletrônicos não foi permitido a pelo menos metade deles, situação diferente da greve do ano passado, quando esse serviço era oferecido normalmente à população. Márcio dos Anjos, da direção do Sindicato dos Bancários de Alagoas, comemora a adesão no primeiro dia de greve. ?Sentimos uma adesão maior e mais forte que no ano passado e a tendência é crescer ainda mais. Há ainda maior motivação?, disse. De acordo com o membro do sindicato, que fez piquete na agência Bradesco, no Centro, idosos estão sendo orientados a fazer a retirada da aposentadoria e benefício nos caixas eletrônicos de hospitais, supermercados e Correios. Uma fila extensa se formou durante toda a manhã de ontem em frente à agência do Banco do Nordeste, na Rua Joaquim Távora, no Centro de Maceió. Inconformados, clientes, na maioria idosos, aguardavam ansiosamente para ter acesso aos caixas e retirar o dinheiro do INSS. ?O aposentado não é cachorro?, desabafou Maria Lúcia de Sousa, que desde cedo tentava buscar a aposentadoria do cunhado, que é doente mental. Com 68 anos, a aposentada Edite Lúcia da Conceição ficou revoltada com o tumulto em frente à agência do Banco do Nordeste. ?Eles querem fazer greve para receber muito e deixam a gente sem receber nada?, disse. Ela chegou às 6 horas no Banco do Nordeste para tentar realizar cadastramento e recebimento do dinheiro. ?Cheguei aqui muito cedo e estou tremendo de fome, mas vou continuar para tentar receber minha aposentadoria?, ressaltou. Os bancos privados do bairro do Farol funcionaram normalmente. Entretanto, o comando de greve conseguiu impedir o andamento dos trabalhos nos públicos, como na Caixa Econômica Federal, que teve seus 18 caixas eletrônicos desligados e apenas dois gerentes apareceram. Já no Banco do Brasil, os caixas funcionaram normalmente, mas apenas esse serviço foi oferecido. Tumulto também foi registrado na agência do Unibanco, na Rua do Sol. ?Iria pegar o dinheiro para comprar um remédio. Quero receber pelo que trabalhei. Não sabia dessa greve. Essa é a única renda que eu tenho?, disse a aposentada Maria Tereza dos Santos. João Francisco da Luz disse que concorda com a greve, mas desde que não prejudique os mais pobres. ?Sou a favor da greve, mas desde que tenha alguém para atender a gente?, concluiu. No interior De acordo com o comando de greve, poucos bancos públicos abriram no interior. Entretanto nos municípios de União dos Palmares, Murici e cidades vizinhas as agências funcionaram normalmente. O Sindicato dos Bancários se reuniu na noite de ontem para avaliar a mobilização. |RC