Cidades
Sistema de radiot�xi avan�a em Macei�
| FÁTIMA ALMEIDA Repórter Chame-táxi, Tele-táxi, Coopertáxi, Pontual, Disque-táxi, City-táxi, Expresso, Uni-táxi... É cada vez mais amplo o número de empresas que operam com serviço de radiotáxi em Maceió. Para os clientes, elas oferecem vantagens como pegar no endereço chamado e descontos que chegam até a 40% do valor da corrida. Para o taxista, o sistema de comunicação por freqüência de rádio significa mais segurança. Sendo assim, parece bom para todos. No entanto, a falta de controle sobre o serviço começa a incomodar e a gerar polêmica. De acordo com o Sindicato dos Taxistas (Sintaxi), a proliferação vem acontecendo sem qualquer regulamentação. E está certo. A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) não tem a menor noção da quantidade de empresas que operam com esse serviço e confessa: não há regulamentação. Pelos cálculos do Sintaxi, já são mais de 20 empresas operando em Maceió. O superintendente da SMTT, Ivan Vilela, passa longe. ?Acho que tem umas cinco ou seis?, arrisca ele, reconhecendo em seguida: ?Não temos conhecimento de todas, porque elas se organizam independentemente de licença do órgão?. Para entrar em operação, uma empresa da radiotáxi prbecisa apenas de uma concessão da Agência Nacional de Telecomunicações, de uma central telefônica e dos equipamentos radiotransmissores. ?Deveria haver mais rigor. Essa proliferação deve-se à facilidade de concessão federal para operar com radioamador. Basta uma licença da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e pronto, qualquer pessoa está operando com serviço de radiotáxi?, critica Ubiraci Correia, presidente do Sintaxi. Ele não nega que o sistema tem aspectos positivos para a categoria, mas alerta: ?solto do jeito que está, cria uma situação que favorece, inclusive, as irregularidades?. Há poucos dias, segundo ele, foi detectado um carro clonado agregado a um desses sistemas. ?Qualquer pessoa que chegue com um carro, pagou, está trabalhando?, diz. Segundo Ubiraci Correia, o rendimento do sistema é atrativo. Cada taxista paga entre R$ 25 e R$ 50 por semana, incluindo o aluguel do rádio, para se manter integrado ao serviço. Mesmo com a segurança e o aumento do movimento, apontados pelos profissionais, na sua avaliação o custo é alto. ?Até porque o desconto acertado com o cliente pela operadora, entre 20% e 40%, é pago pelo próprio taxista?, diz ele. Nada que o taxista Maxney Braga Costa chegue a contabilizar como prejuízo. Ele paga R$ 25 por semana para a empresa de radiotáxi a qual é vinculado e arca com o desconto de 30% prometido ao cliente que chamar por meio da empresa, mas como é dono do táxi que trabalha, segundo ele, compensa. ?Não falta chamado. A gente só fica parado quando quer. Além do mais, com a violência fazendo vítimas, é muito mais seguro?, argumenta. Mas, segundo Ubiraci, começa a crescer o número de reclamações no sindicato. Os taxistas querem o serviço, mas querem um custo menor. ?Há relatos, também, de punições aos profissionais, inclusive suspensão, aplicadas pelas empresas por motivos banais, que começam a preocupar a categoria. ?Eles estão extrapolando, porque são os donos das regras?. O superintendente da SMTT, Ivan Vilela, também quer discutir a questão com as empresas de radiotáxi e com os taxistas, mas na sua avaliação, o que há de mais estranho em toda essa história são os descontos oferecidos. ?Não dá para entender a aplicação de descontos de até 40%. Os taxistas acabaram de requerer aumento de tarifa, e foi concedido pelo Conselho, porque eles apresentaram planilhas de custo que justificam a reivindicação. Como é que podem trabalhar com descontos de 30% ou 40%??- questiona ele. Na avaliação de Vilela, os descontos dos serviços por radiotáxi podem estar sendo compensados pelas tarifas normais, que podem estar mais altas do que o necessário. ?Nessa situação, estão sendo praticados preços diversos. Não podemos permitir uma concorrência danosa?.