Cidades
Prefeitos n�o ap�iam Pastoral da Crian�a
| CARLA SERQUEIRA Repórter Mais de 500 pessoas, representantes de 30 municípios alagoanos, lotaram, ontem à tarde, o Ginásio do Colégio Marista, no Farol, para saudar a pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança. A líder social chegou em Maceió nesta segunda-feira. Hoje ela visita Palmeira dos Índios e amanhã, Arapiraca. Na manhã de ontem, Zilda Arns esteve com o arcebispo metropolitano de Maceió, dom José Carlos Melo; com o governador Ronaldo Lessa (PDT) e o prefeito Cícero Almeida (PTB), em situações distintas. Com o repasse de parte da verba federal destinada às ações locais do programa Fome Zero, o Estado doou à coordenação alagoana da Pastoral da Criança três veículos. ?É muito pouco. Atendemos apenas 11% das crianças pobres em Alagoas. Nosso maior problema é falta de apoio dos prefeitos. Mas acredito que aqui foi aberto um caminho?, afirma Zilda Arns, que pretende em três anos atender 50% do total de crianças pobres no Estado. ?Mas para alcançarmos a meta precisamos ainda multiplicar por cinco o número de voluntários?, revela. A Pastoral da Criança é um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e acompanha 28.422 crianças com idade inferior a 6 anos em Alagoas. A entidade chegou ao Estado há 18 anos. Hoje está presente em 65 municípios e, apesar da falta de apoio institucional, mantém mais de 3.200 voluntários. ?A vida e a fé são combustíveis para estas pessoas que encaram o trabalho voluntário como uma missão divina. Muitas andam quilômetros na tentativa de salvar crianças da morte. É por isso que eu digo que nosso principal recurso é o humano?, explica Zilda Arns, indicada três vezes ao Prêmio Nobel da Paz. Para ela, o descuido com a saúde infantil tem motivos políticos. ?Investir na criança é ter resultados a longo prazo. Só pensa assim aqueles mais sintonizados com o futuro. As crianças maltratadas no primeiro ano de vida são fortes candidatas à vida criminosa?, revela, afirmando que a mortalidade infantil brasileira se assemelha à de países africanos, considerados os mais pobres no mundo.