Cidades
Greve da Ufal e na Sa�de zera estoque de banco de sangue
BLEINE OLIVEIRA Repórter Os estoques de sangue do Hemocentro de Alagoas (Hemoal) e do Hospital Universitário (HU) estão praticamente zerados. Os dois principais bancos de sangue do Estado estão trabalhando no limite mínimo, ou seja, com 20% de sua capacidade. A redução do estoque de sangue é uma das conseqüências da greve dos servidores da rede estadual de Saúde e dos profissinais da Universidade Federal de Alagoas. Embora o Hemoal esteja funcionando normalmente, menos de 10% de seus funcionários aderiram à greve, mais de 50% dos doadores voluntários ?sumiram?. ?Talvez estejam pensando que o serviço do Hemoal está suspenso?, diz a coordenadora-geral do Hemocentro de Alagoas, Alexandra Ludugero, buscando uma explicação para a redução tão drástica do número de doações voluntárias. A médica revela que, diariamente, o Hemoal recebe cerca de 70 doadores, número que nas últimas semanas baixou para 30 comparecimentos. A situação dos bancos de sangue públicos é desesperadora, afirma a coordenadora do banco de sangue do HU, Verônica Guedes. ?Antes da greve dos servidores federais, fazíamos 20 cirurgias todos os dias. Em decorrência da falta de sangue, esse número caiu para cinco cirurgias?, afirma ela, dizendo acreditar que a paralisação na Ufal é a primeira explicação para a queda no número de doações. A conta-gotas Os estoques dos hemocentros são mantidos por doações, sejam elas voluntárias sejam coletas que antecedem as cirurgias eletivas (aquelas previamente marcadas). Para submeter-se a cirurgia, o paciente deve sempre garantir uma bolsa de sangue trazendo um doador ao hemocentro. No caso do HU, como o número de cirurgias foi reduzido em 70% por causa da greve, esse tipo de coleta caiu na mesma proporção. Para que se tenha uma noção da crise que o Hemoal enfrenta, Alexandra Ludugero afirma que, no estoque, existem apenas duas bolsas do sangue tipo O negativo. ?É suficiente para um só paciente. Se ocorrer um acidente de grandes proporções não teremos o que fazer?, alerta a médica. Somente no último fim de semana a Unidade de Emergência Armando Lages, um dos hospitais da rede pública estadual abastecidos pelo Hemoal, consumiu 142 bolsas de sangue. O número confirma o risco provocado pela redução dos estoques do Hemocentro. Ontem, o segurança desempregado José Geraldo Duarte da Silva, 36 anos, doador há 14 anos, foi um dos poucos a aparecer no Hemoal. ?Pensei que com a greve tudo tivesse parado?, disse ele. Também ontem, o lixador de caldeira Antonio Luciano Silva, 24 anos, fez sua primeira doação e ficou contente ?porque tudo deu certo?. José Geraldo e Luciano Silva se mostraram assustados com as informações sobre a redução do estoque e se juntaram às médicas no apelo para que a população doe sangue. ?É uma ajuda que amanhã a gente pode precisar?, diz José Geraldo. ### Grevistas cedem à pressão do governo Os servidores da rede estadual de Saúde, em greve desde a última quinta-feira por reajuste salarial, resolveram dar uma trégua de 48 horas para negociar com o governo. A decisão foi tomada ontem, em assembléia unificada, depois que o governo anunciou ter uma proposta de reajuste, mas que só apresentaria se a greve fosse interrompida. Uma audiência com o governador em exercício, Luis Abílio, está prevista para as 10 horas desta quarta-feira, reabrindo a negociação. A proposta de dar uma trégua foi defendida pelo comando de greve, durante a assembléia, mas encontrou resistência em setores da categoria, que olharam com desconfiança. ?O governador já marcou várias reuniões e não cumpriu. Teve todos os prazos para negociar, e não negociou. Agora quer que a gente suspenda a greve para negociar. Acho que isso é mais uma enrolação?, disse um funcionário da Unidade de Emergência Armando Lages, recebendo o apoio de parte da plenária. Mas, na votação, venceu a prudência dos que apostaram na possibilidade de negociação. Na avaliação do movimento, a suspensão da greve por 48 horas não é um recuo, e sim, uma estratégia. ?Não queremos ser acusados de intransigentes?, destacou o líder sindical Benedito Alexandre. ?Essa trégua pedida pelo governo é uma resposta imediata à nossa mobilização. Portanto, vamos sentar e ouvir o que o governo tem a dizer?, reforçou Débora Matos, outra integrante do comando de mobilização. FAL ### Trégua não põe fim à greve, avisa comando Os servidores deixaram claro, no entanto, que a trégua dada ao governo para negociar não significa o fim da greve, pelo menos por enquanto. Amanhã, às 13 horas, eles voltam a se reunir no auditório da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), no centro de Maceió, para avaliar o encontro com o vice-governador Luis Abílio. ?Se houver proposta concreta, vamos avaliá-la. Se não houver, não teremos o que avaliar e a greve continua?, anunciou o comando, deixando claro que a mobilização será intensificada se a reunião no Palácio dos Martírios não apresentar nenhum fato novo. Entre os itens da pauta unificada de reivindicação dos servidores da rede estadual de saúde está o pedido de reajuste de 57% para todas as categorias (exceto os médicos, que não aderiram à paralisação) e o pagamento correto de adicionais noturnos e insalubridade. Estratégia Antes de se sentar com o comando grevista, o governo tinha anunciado que iria questionar na Justiça a greve iniciada pela categoria. O anúncio, porém, não esfriou os ânimos dos servidores que mantiveram a paralisação, reduzindo o atendimento em setores estratégicos, a exemplo da Unidade de Emergência. A medida levou o diretor da unidade a convocar coordenadores e servidores que ocupam cargos comissionados para reforçar a equipe e evitar caos no pronto-socorro de Maceió. |FAL